Prolixa Me desculpa. Não pelo que eu... Isa Emanuelle

Prolixa

Me desculpa.
Não pelo que eu disse,
mas pelo quanto eu disse.

Ultimamente eu tenho aprendido a dar nome aos meus defeitos,
como quem cataloga feridas para fingir que entende a dor.
E foi assim que descobri:
eu sou prolixa.

Prolixa é essa incapacidade de calar quando o silêncio já seria misericórdia.
É continuar falando mesmo depois de perceber o cansaço no outro.
É esticar a frase até ela sangrar.

Eu insisto.
Sempre insisto.

Insisto em falar.
Insisto em permanecer.
Insisto em ocupar um espaço que talvez nunca tenha sido meu.

Eu gasto o seu tempo.
E tempo não volta.
Tempo não cicatriza.

Eu te gasto.
E nesse gasto eu te desgasto.

Perdão pela minha prolixia longa, cansada, invasiva.
Eu tento pagar pelo tempo que te roubo,
mas não existe moeda que compre o que eu consumi.

Você dizia que tempo é dinheiro.
Eu descobri tarde demais que é vida.
E eu usei demais da sua.

Sou prolixa até na culpa.
Até quando peço desculpa, eu exagero.
Até quando reconheço o erro, eu o repito.

Eu poderia ter parado aqui.
Poderia ter escrito só:
“Desculpa.”

Mas continuo.
Porque a minha maior falha não é falar demais.
É não saber quando ir embora.