Descoberta de Si Mesmo
A poesia, quando tema de si, é um buraco negro para o poeta, um lugar do espaço-tempo literário que atrai com intensidade tal que dele não se pode escapar e onde se imagina encontrar o que ninguém, até hoje, encontrou: o porquê da própria poesia.
Vencedor é aquele que derrota a si próprio. Tomando as rédeas de sua vida. Contrariando dessa forma, a vontade própria.
Muitos buscam a felicidade, mas não percebem que isto é impossível, pois ela não é um destino em si, ela é o caminho.
Sua natureza exigia e amava essas flores do coração, mas não havia esperar que as fosse colher em sítios agrestes e nus, nem nos ramos do arbusto modesto plantado em frente de janela rústica. Ela queria-as belas e viçosas, mas em vaso de Sèvres, posto sobre móvel raro, entre duas janelas urbanas, flanqueado o dito vaso e as ditas flores pelas cortinas de caxemira, que deviam arrastar as pontas na alcatifa do chão.
Há que se compreender a cadeia alimentar regida pela natureza - uma realidade que, por si só, não legitima a intervenção humana em favor da presa, quando o predador apenas busca saciar sua fome.
Ainda assim, não é incomum que, movido pela compaixão, o ser humano interfira - rompendo, sem perceber, o princípio natural da sobrevivência.
Quando isso acontece, instala-se um dilema inevitável: a sensibilidade que salva uma vida pode ser, ao mesmo tempo, a insensibilidade que condena outra.
Ser poeta é não ser mais que sentir,
É estar distraído de si, sem pensar,
E deixar que a alma se venha a despir.
Não sei quem me fala, lá no fundo do peito,
Se sou eu, ou um outro que finge que sou.
Mas eu, criança demais pra mentir,
Aponto o dedo e digo o que vejo ser.
O rei desfila despido, e ninguém lhe diz nada,
Pois crê-se vestido de orgulho e poder.
Mas eu, que me vejo de carne lavada,
Desnudo-me ao mundo, sem medo de o ser.
Ser poeta é uma forma de existir sem estar,
De ser sem ter corpo, de ver sem olhar,
Sabendo que nunca se deixa de estar.
" A multidão grita teu nome, mas o céu pergunta: "quem é ele?"
Porque fama não é sinônimo de chamado. "
O Mendigo de Si
Tenho um teto — eis a concha,
mas o caracol já partiu.
Quatro paredes me cercam,
mas nenhuma me contém.
Tenho uma cama — é porto,
mas o barco não chega a si.
Meus lençóis envolvem o corpo,
mas a alma foge em segredo.
Tenho amigos — bons, presentes —,
e, ainda assim,
minha solidão fala mais alto
que todas as vozes ao redor.
Tenho família — carinhosa, constante —,
mas algo em mim duvida
do amor que recebo.
Talvez por nunca me sentir digno.
Tenho fé — rezo, creio, suplico —,
mas a esperança é fruto
que apodrece na mesa posta.
Acredito em Deus,
mas duvido de mim.
Não me falta coisa alguma.
Falta-me o ser que as coisas têm.
Até o pão que como
tem o gosto de outro pão —
um que ninguém me dá.
Pergunto-me, sem resposta:
se tudo em mim é empréstimo,
quem sou eu quando não peço?
Sou um mendigo de mim,
perdido no que me sobra.
E, se um dia me acharem,
que me devolvam a alma.
Ah, não é ingratidão,
nem demência, nem soberba.
É possuir tudo —
e, no fundo do peito, descobrir
que nada se tem.
Não me falta o pão,
nem o teto, nem o abraço.
Falta-me o gosto de existir.
Tudo me sobra —
e, mesmo assim, falta-me o nome
do que perdi antes de possuir.
Talvez não exista esse “eu”
que espero reencontrar
como quem acha as chaves
no bolso de um casaco antigo.
Tanto a alegria quanto atristeza,
tendem a convergir para um ponto
de equilíbrio entre si, porque todavia,
tanto a tristeza, quanto a alegria,
são fases efêmeras e transitórias.
O criador
Se você está vivendo bem e intensamente o presente, pare, olhe no espelho elogie a si mesmo desde que sua consciência esteja tranquila com seus atos, o elogio tem que ser justo. Não permita que o medo determine suas escolhas e jamais desista de seus objetivos, o nosso futuro pertence ao criador do universo, avance um passo por vez. Meu desejo é que encontre paz na sua alma.
26/08/2021
"Se não posso conhecer 'a coisa em si' [como disse Kant], eu também não posso conhecer o 'eu' em mim. [...] Se eu só posso conhecer as coisas como 'fenômenos', também só posso me conhecer a mim mesmo como 'fenômeno'. [Desse modo], em que medida um 'fenômeno' pode ser sujeito, e com que direito você diz que um simples 'fenômeno' tem uma estrutura de percepção universalmente válida? Se é um 'fenômeno', só se conhece empiricamente. E tudo o que [Kant] fez para analisar a sua estrutura de percepção, também seria fenomênico. [...] Em suma, o universo de Kant está todo errado, é tudo fantasia, é tudo besteira, e é melhor esquecer."
Descobrir-se é como encontrar uma flor em meio ao lamaçal. Encontrar Deus em si é perder-se num infinito jardim.
A vida em si já é um constante desafio, portanto precisamos escolher nossas lutas. Lembre-se: nada vale a sua paz.
FONTE DE LUZ
Energia radiante
Das mãos
Do centro de si
De dentro do plexo
Perplexo
Não em excesso
No tanto certo
Fluxo constante
Raio de luz
Fonte de paz
Sementes jogadas
Sopradas
Derramando em nós
Abençoando
Alma cintilante
Doçura, ternura
Sorriso brandura
Reina divina
Acolhe, escolhe
É colo e aconchego reais
Dizem que todo o ser humano tem dentro de si o bem ou o mal, depende do que é alimentado, para identificar o que habita em cada um de nós, é só observar os nossos hábitos cotidianos, se gastamos tempo para levantar pessoas ou para derrubá-las. Tendo a certeza que se o bem, o habitar, o mal não achará lugar.
