Desabafo de um bom Marido

Cerca de 466016 frases e pensamentos: Desabafo de um bom Marido

Achar-se situada à margem do mundo não é posição favorável para quem quer recriá-lo.

Simone de Beauvoir
BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo Vol 1: Fatos e Mitos, Difusão Européia do Livro, 1967

A ignorância, a cobiça e a má-fé também elegem seus representantes políticos.

Nada fixa alguma coisa tão intensamente na memória como o desejo de esquecê-la.

"Você não se sente sozinha aqui no deserto?"
"No meio da multidão também nos sentimos sozinhos."

Cheiro de cama quente, corpo ardente e perfumado recendente.

Mário de Andrade
ANDRADE, M., Contos Novos, 1947

Que suavidade encontraria nestes olhos verdes se os tivesse amado!

O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio.

Machado de Assis
Esaú e Jacó (1904).

Nunca fique implorando por aquilo que você tem o poder de obter.

Deus se manifesta no silêncio.

Eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia.

Paulo de Tarso
Bíblia Sagrada. II Timóteo 1:12

Nota: Tradução de João Ferreira de Almeida (Atualizada)

...Mais

As flores dessas árvores depois nascerão mais perfumadas.

Manoel de Barros
BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

Paulo de Tarso

Nota: Adaptação de 1 Coríntios 13:1-13.

O seu santo nome

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão ( e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Carlos Drummond de Andrade
Andrade, C. D. Corpo, Record, 1984

Se tanta pena tenho merecida
Em pago de sofrer tantas durezas,
Provai, Senhora, em mim vossas cruezas,
Que aqui tendes uma alma oferecida.

Nela experimentai, se sois servida,
Desprezos, desfavores e asperezas,
Que mores sofrimentos e firmezas
Sustentarei na guerra desta vida.

Mas contra vosso olhos quais serão?
Forçado é que tudo se lhe renda,
Mas porei por escudo o coração.

Porque, em tão dura e áspera contenda,
É bem que, pois não acho defensão,
Com me meter nas lanças me defenda.

Coisas impossíveis, é melhor esquecê-las que desejá-las.

A maior felicidade para o ser humano é de poder viver para aquilo pelo qual estaria pronto a morrer.

Não estou vazio, não estou sozinho, pois anda comigo algo indescritível.

Deixei uma ave me amanhecer.

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.

Manoel de Barros
BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

O problema não é inventar.
É ser inventado hora após hora
E nunca ficar pronta
Nossa edição convincente.