Depoimentos para meu Amigo Chato

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O Turbilhão


Existe um vendaval morando em mim.


Ninguém o vê.
As pessoas enxergam o meu sorriso,
as minhas palavras,
os meus poemas.
Mas ninguém escuta o barulho dos destroços que carrego por dentro.


Há dias em que tudo o que eu quero
é ir embora.


Ir embora das expectativas,
das decepções,
das promessas quebradas,
das portas fechadas,
das pessoas que só lembram de mim quando precisam.


Quero ir embora da culpa que me veste,
do cansaço que me acorda,
das batalhas que ninguém imagina que luto.


Mas, no fundo,
não quero desaparecer.


Quero encontrar um lugar
onde eu possa respirar sem pedir desculpas por existir.


Quero voltar para mim.


Porque há muito tempo
venho morando na vida dos outros
e esquecendo de cuidar da minha.


Talvez esse turbilhão
não seja um fim.


Talvez seja a tempestade
arrancando tudo aquilo
que nunca foi abrigo.


E quando o vento passar,
se passar,
espero encontrar entre os escombros
a única pessoa
que nunca deveria ter abandonado:


eu.

Pau de Sebo


A minha vó lia cartas via o meu e o seu destino
Mas ela gostava mesmo era da Festa do Divino (bis)


Eu sou daqueles menino nem ligeiro nem ladino
Mas quando chegava maio lá na Festa do Divino
Subia no Pau de Sebo mais veloz que Severino
Subia no Pau de Sebo mais veloz que Severino
Mais veloz que Severino no Pau de Sebo subino


Minha vó ficava brava desce desse pau menino
Mas eu de olho no prêmio continuava subino
A minha vó ficava brava desse desse pau menino
Mas eu de olho no prêmio continuava subino


Eu sou aquele menino subino no Pau de Sebo
Lá na Festa do Divino
Eu sou aquele menino no Pau de Sebo subino
Lá na Festa do Divono

Lá de cima eu jogava os doces pá mulecada
Mas o prêmio em dinheiro no meu bolso colocava (bis)


Refrão...eu sou aquele menino...

Olhe só você tá veno o Pau de Sebo o prêmio
E o menino nele subino
Olhe só você tá veno o menino no Pau de Sebo
E os seus olhos estão sorrindo

Interesse


Meu interesse é viver uma paixão. Menina
Meu interesse é viver um grande amor. Menino


Meu interesse é muito raro não me desanima
É a paixão que dura um dia inteiro e a tarde termina
Meu interesse é longe distante de qualquer caminho
É o lenço que foge das lágrimas e chora sozinho


Meu interesse é viver uma paixão. Menina
Meu interesse é viver um grande amor. Menino


Meu interesse é um subir pra baixo descendo pra cima
É o punho girando o pandeiro dessa minha sina
Meu interesse não soma valor nem é levado em conta
É o sorriso no rosto menino depois que apronta
Meu interesse é entrar de cabeça na paixão menina
Não está escrito no bilhete aonde ela termina
Meu interesse é viajar na frente desse amor menino
Até que o samba alegre dessa vida chegue ao seu destino

Meu interesse é muito raro não me desanima


É a paixão que dura um dia inteiro e a tarde termina

Flor de Maracujá


Construi o meu castelo. Flutuante pelo ar
Não é grande mas é belo. O meu castelo a flutuar
Nos jardins do meu castelo. Só flor de maracujá
De beleza incomparável não me canso de regar


Todo castelo tem lendas. A do meu vou lhe contar
Não tem príncipe valente. Não tem a rainha má
E também não tem princesa dorminhoca para acordar


Mas vive no meu castelo um ser bizarro e bizonho
Escondido numa toca. O devorador de sonhos
Quem nunca ouviu falar. Desse bichinho malandro
Que só faz desanimar. Quem leva a vida sonhando


O devorador de sonhos. Está em todo lugar
Se fingindo de amigo. Querendo te derrubar
Esse bichinho bizonho adora atazanar
Dizendo que é impossivel seu sonho realizar


Mas dentro do meu castelo não deixo ele entrar
Escondido em sua toca ele vai ter que ficar
Pois no meu jardim cultivo a flor de maracujá

Descostume


Esse meu descostume
De viver longe do seu perfume
Dos seus cabelos encaracolados
Desse seu jeitinho engraçado


Esse meu descostume
Está acabando comigo
Me fazendo viver isolado
Escondido do sorriso
Nas linhas de um rosto fechado


Sei que fui um cara distraído
Não percebi o amor do meu lado
E hoje fui surpreendido
Com a felicidade desacostumado


Esse meu descostume
De não provar do seu beijo suave
De lado a lado com você deitado
Naquela paz alegre interminável


Esse meu descostume
Me fisgou nas malhas do desejo
E contido nessa armadilha
Quem era água agora sente sede

A vida me separou do que era meu

Eu comprei por que saía barato


Mas depois de analisar meu extrato


Percebi que não comprar saía mais barato

Quando estou apaixonado não consigo me expressar


Mas fique do meu lado e ocupe o seu lugar

O impossível passou do meu lado
Estava chovendo
E eu com o possível abraçado
Não me molhei
E ele saiu correndo coitado

O amor da minha vida é que dá vida ao meu amor.

Meu maior medo é morrer sem viver um segredo

Perdi meu grão de loucura agora sou insanidade pura

Quando meu mundo tremeu não foi você quem me socorreu.

O mundo todo mudou


Depois que mudei o meu

Eu sou uma multidão de pecados


Mas o meu Amor é maior



Te mostrei o meu desejo,
Te mostrei o quanto meu corpo anseia pelo seu, e como minha alma está entregue a você.

Seu cheiro ainda está no meu rosto, no
meu corpo e no meu travesseiro.
A contentação por tão pouco só me mostra
O quanto estou fascinada por você.

Me resta o tempo que resta,
Me resta o meu tempo viver...
Se a vida presta ou não presta,
Depende de como faço acontecer...

O Equívoco do Olhar


Em meu peito reside o desalento,
De um querer que se perde no vazio;
É como o sopro incerto de um momento,
Que traz o fogo e logo após o frio.


Pergunto ao tempo o que o destino traz,
Se este laço é de seda ou de corrente;
Pois busco o porto e a minha própria paz,
Mas sinto o abismo à frente, de repente.


Não sei se é alma que em silêncio chama,
Ou se é o medo de se dar à sorte;
Pois quem muito se entrega, muito inflama,
E faz da dúvida um castelo forte.


Se o amor é mestre de tamanha ciência,
Que me ensine a ler o que o coração diz;
Pois viver na penumbra da indecisão,
É querer ser maré e ser apenas infeliz.⁠

Poema de Despedida


A última vez que meu coração bateu por nós


Hoje eu não escrevo para pedir outra chance.


Também não escrevo para convencer você de que eu mudei.


Escrevo porque cansei de lutar sozinha.


Cansei de bater na porta de um coração que nunca mais abriu para mim.


Eu pedi perdão pelas minhas falhas.


Reconheci meus erros.


Engoli o orgulho, deixei as lágrimas falarem por mim.


Implorei por um recomeço, acreditando que o amor pudesse vencer a dor.


Mas o amor não sobrevive quando apenas uma pessoa insiste.


Enquanto eu segurava nossa história com todas as forças...


Você soltava minhas mãos em silêncio.


Doeu.


Doeu perceber que minhas palavras já não encontravam abrigo em você.


Doeu entender que meu arrependimento não era suficiente para mudar o que seu coração já havia decidido.


Hoje eu vou embora.


Não porque deixei de amar.


Mas porque aprendi que amar alguém nunca deveria significar abandonar a si mesma.


Levo comigo as lembranças dos dias felizes, dos abraços que pareciam eternos, das promessas que um dia acreditamos.


Também levo as cicatrizes.


Elas vão me lembrar que o amor precisa de dois corações caminhando na mesma direção.


Talvez um dia você sinta minha falta.


Talvez procure minha mensagem e encontre apenas o silêncio.


Talvez perceba que ninguém mais vai lutar por você como eu lutei.


E, quando esse dia chegar, eu espero já ter aprendido a sorrir sem olhar para trás.


Porque esperei por você até onde meu coração conseguiu.


Agora ele precisa aprender a viver sem você.


Esta é minha despedida.


Não existe raiva.


Não existe vingança.


Existe apenas uma mulher cansada de implorar por um lugar onde nunca mais foi escolhida.


Adeus.


Que a vida cuide de você como eu sonhei cuidar.


E que, quando lembrar de mim, você saiba...


Eu realmente tentei.


Tentei até a última lágrima.


Até a última esperança.


Até o último pedaço do meu coração.


Cyntia Karla De Liz