Depoimento para uma Garota que eu Amo
Cuidar de quem gostamos dá trabalho. Muito trabalho. Quem discorda não cozinha para uma família grande toda noite.
Fui a todos os departamentos, interroguei inúmeros químicos, inclusive os deste laboratório, que disseram que a senhorita é famosa por irritar as pessoas. E, talvez mais relevante, é arrogante, se acha importante.
O senhor tem todos os recursos e a atenção da comunidade científica toda, mas não dá valor. Deve ser inteligente, dadas suas realizações, mas anda por aí como um homem paranoico, ingrato e frágil. Então, respondendo ao seu comentário anterior, eu não te odeio. Eu só… Eu não gosto do senhor.
O corpo humano é 99% carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, cálcio, fósforo e íons. Mas como chegamos a esse nível de complexidade na Terra?
Por que discriminar com base em algo intelectualmente não determinante como gênero?
– Quantas cientistas mulheres você saberia citar?
– Madame Curie.
– Exato. Acha que isso é coincidência?
– Não sei. Só agora estou pensando no assunto.
– É, nunca precisou pensar nisso, porque todos valorizam seu potencial.
Às vezes, não dá para confiar em uma fórmula. Ou não dá para controlar cada variável. Às vezes, muitas vezes, dá tudo errado.
A juventude é um sopro que logo se esvai, transformando-se em outono e inverno que traz a velhice e a sofreguidão, restando apenas as despedidas e as lembranças distantes.
Sabes, o que aprendi, com a tua ausência? Que ninguém morre, por sofrer, por amor. Pelo menos, não, no sentido literal, da palavra.
Li, algures, que “as pessoas preferem apegar-se às memórias porque, por muito que as pessoas mudem, as memórias não mudam”. Acredito, que seja verdade. As memórias, são algo a que nos apegamos. Simplesmente, porque, quando, são boas e importantes para nós, não nos queremos desapegar delas. É normal. Contamos com elas, porque, sabemos bem como são.
Mas, é necessário, muito tempo, para limpar feridas. Para elas sararem, e apenas, serem cicatrizes que passam despercebidas.
Desapegar, mostra que conseguimos ser bem mais fortes, do que antes. E conseguimos, efetivamente. Ninguém morre por se desapegar. Ninguém sofre uma vida inteira por desapego. Sofre-se, por se querer continuar, no meio dos medos. É, por isso, que se sofre. Pela incerteza do que acontece depois. Pelo medo do vazio. Porque o desapego, é simplesmente, uma mudança em nós.
Nós nunca tivemos a dita música… não porque, não quiséssemos ou que não encontrássemos… Simplesmente, não tivemos, porque eu nunca me consegui decidir nem encontrar apenas a dita música para nós.
Sempre considerei que éramos, e que somos ainda (mesmo que afastados), um conjunto de várias músicas, de diferentes estilos, diferentes cantores, ou seja, uma miscelânea.
Bolas, raio de fotografia, tão perfeita. Bolas, o nosso olhar ser mesmo nosso, e não para a máquina.
