Depoimento para uma Garota que eu Amo
Quando eu flerto no espelho
O mundo para nesse pequeno momento
É ver beleza no rosto, olhos, cabelos
É sorrir feliz e sem jeito
Começo a gostar do que eu vejo
É leve, e divertido
Flertar comigo no espelho
Eu não vou me preocupar
Vou me conhecendo devagar
Porque eu sei que tudo tem seu tempo
Não no momento que eu desejo
Eu sei que devo, me fastar
de tudo aquilo que pode me atrapalhar
E sei que devo, me aproximar de tudo aquilo que pode me ajudar
Eu acredito que tudo tem uma essência, uma energia, até coisas imateriais, como pensamentos e emoções, por isso é bom você cuidar de você. E acredito que tudo de certa forma tem vida, mesmo que não dá forma que imaginamos
Eu acho que o vegetarianos não são errados nem certos, é só um ponto de vista, eles vêem os animais como seus iguais, e os que não são estão apenas seguindo seus instintos
sim eu sou autista mas isso não faz de mim menos humano eu erro também mas eu também acerto eu sou capaz de muita coisa e odeio ouvi os outros falando que não consegui por ser autista eu posso simplesmente só não ser bom naquilo
acho que você notou. na maior parte do tempo eu nem estava ali. e eu sei que cê procurou bem lá no fundo dos meus olhos.
Eu acho que uma das coisas mais embaraçosas que podem acontecer é você levar um tombo na frente de todo mundo.
Achei que eu ia ser esperta pra sempre, mas para a minha grande alegria estou me sentindo uma idiota. Sabe o que eu fiz hoje? As pazes com o Bob Marley, com o Bob Dylan e até com o ovomaltine do Bob’s. As pazes com os casais que se balançam abraçados enquanto não esperam nada, as pazes com as pessoas que não sabem ver o que eu vejo.
Ser humano
“Jamais poderei encontrar-me se me isolar dos demais homens como se eu fora uma espécie diferente de ser.”
Eu só tenho uma grande ambição em minha vida,
que é entre as ambições a mais impossível e desmedida:
eu quero ser como o vento, livre, etéreo,
e nunca parar de soprar...
Desamparada, eu te entrego tudo – para que faças disso uma coisa alegre. Por te falar eu te assustarei e te perderei? mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia.
Eu me pergunto: se eu olhar a escuridão com uma lente, verei mais que a escuridão? a lente não devassa a escuridão, apenas a revela ainda mais. E se eu olhar a claridade com uma lente, com um choque verei apenas a claridade maior.
O que me aliviava como a uma sede, aliviava-me como se durante toda a vida eu tivesse esperado por uma água tão necessária para o corpo eriçado como é a cocaína para quem a implora. Enfim o corpo, embebido de silêncio, se apaziguava. o alívio vinha de eu caber no desenho mudo da caverna.
É curioso, a alegria não é um sentimento nem uma atmosfera de vida nada criadora. Eu só sei criar na dor e na tristeza, mesmo que as coisas que resultem sejam alegres. Não me considero uma pessoa negativa, quer dizer, eu não deprimo o ser humano. É por isso que acho que estou vivendo num movimento de equilibrio infecundo do qual estou tentando me libertar. O paradigma máximo para mim seria: a calma no seio da paixão. Mas realmente não sei se é um ideal humanamente atingível.
Eu tenho uma promessa, nela confiarei e esperarei. Pois os sonhos de Deus são maiores que os nossos.
Eu estava fazendo força pra remar o nosso barco, mas ao mesmo tempo pensava em uma forma de atracá-lo.
Não tenho uma palavra a dizer. Por que não me calo, então? Mas se eu não forçar a palavra a mudez me engolfará para sempre em ondas. A palavra e a forma serão a tábua onde boiarei sobre vagalhões de mudez.
E se estou adiando começar é também porque não tenho guia. O relato de outros viajantes poucos fatos me oferecem a respeito da viagem: todas as informações são terrivelmente incompletas.
Sinto que uma primeira liberdade está pouco a pouco me tomando... Pois nunca até hoje temi tão pouco a falta de bom-gosto: escrevi “vagalhões de mudez”, o que antes eu não diria porque sempre respeitei a beleza e a sua moderação intrínseca. Disse “vagalhões de mudez”, meu coração se inclina humilde, e eu aceito. Terei enfim perdido todo um sistema de bom Mas será este o meu ganho único? Quanto eu devia ter vivido presa para sentir-me agora mais livre somente por não recear mais a falta de estética... Ainda não pressinto o que mais terei ganho. Aos poucos, quem sabe, irei percebendo. Por enquanto o primeiro prazer tímido que estou tendo é o de constatar que perdi o medo do feio. E essa perda é de uma tal bondade. É uma doçura.
(...) Ai como eu queria tanto agora ter uma alma portuguesa para te aconchegar ao meu seio e te poupar essas futuras dores dilaceradas. Como queria tanto saber poder te avisar: vai pelo caminho da esquerda, boy, que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha (...)
