Dentes

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minha boca cala-se
meus dentes rugem
mas o silêncio predomina

Tudo esta tão quieto
esse silêncio
esse calar
tudo vem de mim

se eu me calo
se me aqueto
há alguém lá dentro gritando
pedido socorro⁠

⁠"O avarento tem os dentes da hiena, a camuflagem do camaleão e o bote da serpente".

⁠Quando i iniquio e perverso governa, existe pranto e ranger de dentes. Mas, quando o benevolente e peidoso governa, sempre existirá prosperidade, vida e honra.

⁠Quando eu morder a palavra, por favor, não me apressem, quero mascar, rasgar entre os dentes, a pele, os ossos, o tutano do verbo, para assim versejar o âmago das coisas.

Conceição Evaristo
Poemas da recordação e outros movimentos. Belo Horizonte: Nandyala, 2008.

Nota: Trecho do poema Da calma e do silêncio.

...Mais

⁠Para aqueles que estão determinados a sorrir, não ter dentes é apenas um detalhe, SORRIA...

⁠Ele vai acordar. Aposto que não vai ter mais dentes na boca mas vai ter juízo na cabeça. E a única coisa que ele vai se lembrar, será a sua piadinha.

Só me mostre os dentes se estiver verdadeiramente com raiva ou verdadeiramente feliz.

Está escrito:
Tendes boa educação, pois ela vos fará bem e conservará os dentes no lugar.
Rovedo 28:5

Assim como a cobra sempre mostra os dentes antes de picar, há pessoas com sorriso carregado de veneno.

De vez em quando o cachorro que vive dentro de mim mostra os dentes...

Banguela Feliz...

Dente de leite.
Dente de prótese.
Sorrir é com dentes?

palavras que calei em meus tormentos
agarrei-as pelas pontas dos dentes
enxugando as suas lágrimas com a língua

falavam de horror e do tempo de amor
de uma paixão que não se incrimina

vou te falar o que existe no meu pensamento
na libertinagem do encanto
talvez não fale quem amo tanto
por ser a obra do meus inventos

e em silêncio vou saciando
em mim vou te levando
na PALIDEZ DO TEMPO.

quero sempre estar por perto
do verão ao inverno
numa relação sem nada de eterno

pois enquanto existirmos de verdade
nas músicas e nas bebidas da sobriedade

falará mais alto a nossa amizade.
bem mais alto, bem mais alto,
mais alto que nossa mocidade.

Lembra de mim sem coação e tormento
pois tu estarás vivo do meu coração ao pensamento

O pipoqueiro, com suas pipocas coloridas, todo domingo 'tá ali, colorindo dentes, colorindo o chão. Infância, idades meias e inteiras, pais, filhos — o que os difere agora? Apenas o tamanho da mão. O pipoqueiro, com suas pipocas coloridas, deveria aparecer todos os dias, para colorir ainda mais vidas.

Quando a gente cresce percebe que os. Monstros não tem..mais dentes afiados.nem vivem debaixo.da. cama eles vestem ternos sorrirem falso e. Anda do nosso. Lado. Todos. Dias

Aquele alguém

Aquela voz forte, rouca que emanava daquela boca de dentes alvos, a pele morena como se queimada de sol e o cabelos grisalhos deliciosamente desalinhados, me tomaram de assalto os pensamentos, fazendo com que cada célula em mim vibrasse ao simples soar da voz.
Emudeci, pois a muito não sentia a vibração que emanou em meu corpo.
Não pude e nem quis fingir que não senti…
Me autorizo a ser, ter, fazer e sentir tudo que me faça bem ao coração e que me possa fazer expressar vida…

Queria dizer com os dentes aquilo que consegui com as mãos

Vem em mim. loba solitária indomável,
rasga com teus dentes o véu da minha razão.
Deixa que tua pele selvagem se misture à minha,
num ritual de luxúria e liberdade.

Quero tua respiração como tempestade,
teu olhar como lâmina que corta certezas,
teu corpo como território proibido
onde só os corajosos ousam entrar.

Serei teu alfa, teu cúmplice, teu pecado,
e juntos faremos da noite um altar profano.
No teu covil, quero perder-me sem retorno,
ser prisioneiro voluntário da tua ferocidade.

Que o mundo nos julgue,
que os céus se escandalizem,
pois na tua matilha de desejos
eu escolho ser fera, não homem.

Viria o juízo de braço dado com a idade ou com os dentes de siso?

o canibal

ele não me morde
me lê com os dentes

começa pelas orelhas,
que uso pra ignorar preces,
depois a boca,
por onde despejo escárnio.

não grito.
abro.

passa pelos ombros,
onde carrego o peso de ser,
então os braços,
que usei tanto para abraçar inimigos
e empurrar amantes.

comeu os cotovelos
da força que não tive,
o gesto que faltou,
tudo vai na mesma dentada.

depois as mãos,
essas que seguram o cigarro.

e as pernas,
essas que me levaram a becos errados
e fugiram do caminho certo.
o canibal rói os joelhos,
onde dobrei demais,
e os pés,
que nunca tocaram no chão.

devora meu coração,
desgasta o ciso
mastigando a ilusão
do amor.

flamba os pulmões,
corta a fuligem,
assa os alvéolos:
meus atalhos anestésicos.

não resisto,
entrego.

cada pedaço arrancado
era o que sobrava de mim:
nome, pose, piercings.

o canibal mastiga devagar,
como um diabético
mascando chiclete sem açúcar.

não sobrou peito:
menos eu
e mais espaço.

o cérebro vem por último,
sobremesa agridoce,
viciante.

e nele, começa pelos poemas.
mastiga versos inteiros,
cospe rimas fracas e
parafusos soltos,
engole metáforas
que usei pra esconder a verdade.

do amor, não quer beijos
nem transas:
quer a vontade.

dos vícios, gosta mais.
lambe o açúcar do café,
o brilho curto do prazer rápido,
bebe a coragem falsa
como cerveja quente.

cada coisa comida
me deixa mais simples,
menos personagem.
mais eu.

quando termina,
não sou vazio.
sou tutano.

o canibal limpa a boca
e vai embora.

fico.
pela primeira vez,
íntegro.

e o que ficou,
não escreve mais.

Se vais entrar dentro de ti arma-te até aos dentes.