Democracia Mário Quintana
Amor Plural
Uma flor, amanhã, eu sei, nascerá nos quintais onde os sonhos se afirmam no jamais.
Uma flor, amanhã, eu sei, brotará, da imensidão lembrança de tardes outonais.
[...] Nascerá lindo luar! E os sentidos se confraternizarão, ao som do violão.
Felicidade é encontrar na saudade do abraço o encontro da nossa paz.
Eu queria falar de amor... mas não do amor apenas vestido de palavras, queria falar do amor vestido.. de nuvens! Queria falar do amor comum, morno e normal, de sempre e de todos, do amor que nasce no gesto. Bem, eu queria falar do amor que não vem num cavalo branco, daquele amor que acontece, que é acontecência na vida, nos ciclos diários. Eu queria falar do amor que não existe na linguagem, mas no viver dos instantes... ou seja, o amor dos poetas calados. Esse amor humano, o amor substância do tempo no mundo, entende? Eu queria falar do amor sorriso, do amor lágrima, do amor saudade, do amor invisível... é, invisível! Que tolera o outro exatamente como ele é, desengonçado, esquecido, desajustado, esse amor que não está na gente e que só existe porque tentamos buscar de fora pra dentro, esse amor que deixa gente cheio e vazio ao mesmo tempo. Eu queria falar desse amor estúpido mesmo, de jogar pipoca no outro, de fazer piada sem pé, sem eixo. Esse amor que nos permite sentir o infinito e que tem ficado estreito num mundo tão aflito.
É como o cara que entrou no mar e caminhou tão pra frente, rumo ao horizonte, que nunca mais voltou. E quando se perguntam "cadê aquele cara que entrou no mar?" Todo mundo responde: "Foi o mais perto do horizonte que ele conseguiu."
É desse amor que eu queria falar!
A Maria, jardineira das flores do próprio túmulo.
Co'a lata na cabeça parte a moça,
(na estrada triste e torta ela se some)
que tem ela, Maria, senão força?
que tem ela, Maria se não nome?
A lata bate forte e se encerra
Um tambor ruge vulto no estombo
Mal se difere a moça e a terra.
Se entortece Maria e o seu lombo.
Enquanto pinga gota da lata
e gota até do corpo dela,
No chão vasto pisado nascem flores
Quando a noite cai co'a lua prata
E a morte desce rude em sentinela
morrem latas, Marias e amores.
Chuva
Havia um tempo em que as telhas acusavam: chove.
Hoje é preciso ter a sorte de, por uma brecha,
descobrir que o mundo se molha lá fora.
Há de se dizer um eterno matuto na cidade dos grandes:
malditos sejam os prédios.
Saudade é um pote cheio d'água
Que transborda a pureza do meu ser
subestima minha rima, minha alma
e me deixas, só pensando em você
Àquela idade
Existe uma idade, àquela idade a qual a opinião alheia deixou de ser importante, você aceita sua aparência, mesmo que não seja a melhor que teve, foca na sua essência, evita discussões desnecessárias, pelo simples fato de se poupar de irritações. Aprende a ouvir, começa a falar menos e pensar mais, não se importa com futilidades, mas se ainda se importa, sabe que se importar um pouco nao importa tanto assim, aprende que o básico muitas vezes é o suficiente, já não pensa em impressionar ninguém. Valoriza o ócio, aprende que esse é o momento que você se encontra com você mesmo, aprecia a melhor companhia que pode ter, ou seja, você mesmo...
Continue descendo o 'rio da vida', mas concentre em olhar as oportunidades que estão nas 'margens' deste rio e não nos 'iates' que estão ao seu redor.
Parceria = significa entregar para seu parceiro mais do que ele quer e receber mais do que você precisa.
De quanto você precisa e quanto você quer ?
A dor é para os vivos.
Falhas e quedas também o são.
Bem como mergulhar em choros e sorrisos. Precisamos estar vivos para compreender a complexidade e os lados opostos dos sentimentos.
Há sentimentos que o tempo não congela, e há também sentimentos que nascem com o passar do tempo, assim como aurora no horizonte se abrindo como uma nova primavera. Portanto não te surpreendas se amanhã meus olhos brilharem para as margaridas que hoje não contemplo seu perfume.
Penso mais do que faço
Escrevo mais do que falo
Amo mais do que sou amado
Oiço mais do que sou ouvido
Silêncio-me mais do que grito
"São os Dezembros os reais motores da vida humana, já que as festas tanto engordam alegrias quanto famílias"
(trecho de "O Conde de Santo Amaro")
"Não há nenhum inocente aqui que possa vir a ser salvo: somos todos diabos."
(trecho de "O Conde de Santo Amaro")
"[...] é muito raro encontrar justo o qual não tema a voz rouca da consciência tanto quanto a morte"
(trecho de "O Conde de Santo Amaro")
"[...] aquele que apieda-se do desvalido, por obrigação, herda seus problemas"
(trecho de "O Conde de Santo Amaro")
"[...] quem escreve as leis senão alguns poucos que, provavelmente, beneficiam-se delas?"
(trecho de "O Conde de Santo Amaro")
"Alguns sonetos não aceitam remendos — e, de toda forma, os que aceitam assumem-se lixo"
(trecho de "O Conde de Santo Amaro")
