Deixa me Ir
O vento é essência do indomável, não se deixa conter, não pertence a rumo algum, é movimento puro, existência sem destino, liberdade em forma de sopro.
A memória é uma artesã cruel: trabalha em silêncio, mas deixa marcas profundas. Às vezes lapida, às vezes corrói. Mas jamais deixa de atuar sobre o que somos. E reconhecer isso é aceitar que crescer dói e sempre doerá.
Há palavras que surgem como fósforos acesos em mãos trêmulas. Acendem-se, queimam rápido, deixam cheiro de algo que foi e não volta. Guardo-as em potes de vidro para que não se apaguem por completo, e quando preciso, abro um pote e relembro o calor que um dia tive.
O vazio não se preenche, se integra. Com o tempo, ele deixa de ser um buraco e passa a ser a mochila que você aprendeu a carregar.
A tristeza vem como uma estação implacável, sem aviso, sem pausa e nos deixa com as mãos frias, tocando lembranças que nunca se foram.
Acordar cedo deixa de ser peso quando não é o dever que te levanta, mas o amor por ver sua família vivendo feliz e em paz.
“Quando faço das minhas vontades a única verdade, perco o caminho — e Deus deixa de ser direção.” (Os`Cálmi)
Cuidado com quem te prende, mas nunca te escolhe. Quem te deixa sempre em segundo plano não merece o seu primeiro lugar.
Tem pessoas que funciona como terra seca, suga toda a água, guarda para si e não deixa nada transbordar. Vivem acreditando que o mundo precisa caber em uma caixa pequena, onde só o nome delas tem permissão para brilhar.
É gente que planta cercas antes de plantar sementes, com medo de que alguém encoste no jardim. Mas quem vive assim, commesse egoísmo de tudo, esquece que até a flor mais bonita morre se o ar não circular.
O egoísmo é uma raiz que cresce para dentro e acaba sufocando o próprio peito. É a tentativa solitária de ser floresta em um palmo de chão. Só que nada que cresce desse jeito, apertado e egoísta, traz paz de verdade para o coração. Eu me sinto diferente. Meu jeito é semente que não tem medo de rachar a terra para se misturar com o que é de fora. Porque quem se isola é terra doente, vivo mesmo é quem se permite brotar no outro.
DeBrunoParaCarla
