Dei a Volta por cima
Já reinamos sobre o castelo nobre de corações apaixonados, numa única forma de viver, dei por mim sublime, sentado no trono do amor oferecido pela vida.
Construí um edifício nobre nas estrelas, mesmo sem ser astrólogo, fugido do oeste, dei de caras com a lua e não queria acreditar que te tornaste na minha nave espacial sem sequer pertencer a NASA.
O meu silencio se purificou na noite em que te conheci, sobre o monte majestoso do teu corpo, me deixei embalar para nunca mais acordar, tornando-te o meu mundo entre muitas tempestades.
A primeira e única rosa que eu te dei, singela e pura,
Guardava em suas pétalas um sentimento sem censura,
Era um gesto tímido, um símbolo de carinho,
Uma promessa de afeto, um laço que eu delineio.
Mas o tempo passou, e hoje eu percebo,
Que deveria ter dado mais rosas, como um enredo,
Cada pétala seria um pedaço do que eu sinto,
Um amor profundo, verdadeiro, sem nenhum tinto.
A primeira rosa, um começo, uma faísca a arder,
Mas a única rosa que te dei, agora me faz sofrer,
Porque vejo que deveria ter cultivado essa chama,
Com gestos pequenos, mas cheios de quem ama.
A única rosa que te dei, como um verso inacabado,
É uma lembrança das chances que eu não tive ao seu lado,
Me arrependo de não ter dado mais, de não ter ousado,
De não ter regado esse amor, como um jardineiro apaixonado.
Mas mesmo com apenas uma rosa, espero que sintas,
A intensidade das emoções, os momentos que ainda são tintas,
E se pudesse voltar atrás, te daria um jardim inteiro,
Um campo de rosas, onde nosso amor seria o primeiro.
A primeira e única rosa, agora é um símbolo de aprendizado,
Um lembrete de que o amor precisa ser demonstrado,
Que as palavras e gestos pequenos podem crescer,
E que é preciso regar o afeto para ele florescer.
A primeira rosa que te dei,
não era só flor, era céu no papel,
um pedaço de mim dobrado em pétalas,
um suspiro que o vento não levou.
Vermelha, como o fogo do instante,
te entreguei mais que cor,
entreguei uma verdade frágil,
que pulsava no silêncio entre nós.
A cada espinho, um medo vencido,
a cada curva, um desejo guardado.
Na rosa havia histórias inteiras
que só o teu sorriso sabia ler.
Ela não murcha na lembrança,
nem perde perfume no tempo.
A primeira rosa que te dei
ainda floresce no jardim do que somos.
Dei-me todo a ti
Sem saber se era para nós dois
Esse amor que não tem fim...
Foi só um grito no infinito
Ecoando sem abrigo
No teu ceio tão vazio.
Soubesse hoje minha amada
De minh’alma desalmada
Se consumindo em meio à dor,
Sei que não me deixaria
Onde a vida é tão fria
Tão distante deste amor...
Edney Valentim Araújo
1994...
Estive amando muito tempo. Estive afagando o amor. Quando dei por mim choveu e eu não levei o guarda chuva. Ele foi embora e me deixou a se molhar. Afogada fiquei num rio de água salgada. Afogada de tanta afagar quem nunca me amou.
__Lene Dantas.
O hoje é toda minha vida. O hoje é o instante certo de me salvar. O hoje ta chamando por ti. Não deixe o hoje passar sem abraçar-se nele. Mesmo que não entenda este momento... Seja o melhor nele.
Lene Dantas
Pode-se até com alto agravo apagar um foco de incêndio, mas o fogo que queima sem piedade jamais deixará de se alastrar a formar a fogueira que incendeia em função de um ideal
“Depois da Queda, Asas”
Já chorei por quem não viu,
Já dei tudo a quem partiu.
Confiei de alma aberta,
E encontrei porta deserta.
Doeu…
Como só dói o que é real.
Mas até na dor mais cruel
há algo essencial:
A decepção não é o fim,
É um início camuflado.
É o corte que ensina o sim,
É o chão que firma o passo.
Aprendi que nem todo abraço
vem com amor de verdade.
Que nem todo sorriso sincero
é sinônimo de lealdade.
Mas também aprendi a mim mesma.
A me ouvir, me acolher, me bastar.
Descobri que a dor é professora,
Mas que eu posso levantar.
Hoje, sigo com menos peso,
com mais fé e coração em paz.
Não esqueço o que me feriu,
mas não deixo que isso me desfaz.
Resiliência é isso:
ter sido partido e ainda ser inteiro.
É olhar pra trás com coragem
e dizer: “Eu cresci primeiro.”
E se vier outra decepção,
que venha… já aprendi:
Não me perco por quem vai,
me reencontro em mim — e prossegui.
PÁSCOA SEM PASSAGEM
Foi Páscoa.
Só dei por ela e pela aragem,
Na singeleza do nome passagem,
Só mesmo, sem mais,
Neste mundo dos mortais.
O sol, estava tão triste,
O vento, sem ação,
E se a memória resiste
Caía uma melancolia
Na cruz erguida,
Ferida, do meu coração.
Páscoa, para mim,
Não é doce nem salgada,
É assim
Como quase tudo do nada
Em desprender de vícios
E estrupícios
Na minha fé amansada.
Que interessa Páscoa
Se na passagem
Da mensagem,
O mundo vive em clausura
Mesmo sem grades,
Nestas minhas saudades
De uma Páscoa pura?
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-04-2023)
O que em mim repugna, já te dei espaços pra resolver, não tenhas medo, não há subverter, já que estou simplesmente por ti ao escrever
Deveras será resgatar todos os abraços que ainda não te dei, contido na celebração do futuro com que te sonhei.
Te dei tudo pra simplesmente, o fazer, seguia contente, até descobrir que somente, nasce, e sente, o que a invenção não, sabe o significado de intente.
