Dedicatórias Fitas do Curso de Psicologia
Poema do amor impossível
Quisera fosses sonho, pra sonhar-te
Literalmente doce, devorar-te
Se fosses um poema, declamar-te
Talvez fosses problema, resolver-te
Quisera fosses morte, pra morrer-te
Se feita pro consumo, consumir-te
E se eu te visse triste, divertir-te
Mas eu existo apenas pra querer-te
Quisera fosses fumo, incinerar-te
E se você sumisse, procurar-te
Quem sabe então; eu nunca te encontrasse
E Deus me desse a sorte de esquecer-te
Bailarina aparece-me em sonhos
flutuando me mostra sua dança
vem dançar cá, na palma da mão
eu não sei como e se cansa
de trazer-me esta curta alegria
vem fazer rir meus olhos tristonhos
anuncia a chegada do dia
mais um dia a viver de saudade
eu queria poder te dizer
é tão linda esta nossa amizade
alivia a pena de existir
bailarina, porque tens que ir?
eu te espero outro dia surgir
passa a vida, não passa tua idade
vem menina, vem me fazer rir
hei te te esperar na noite que anteceda
o dia da hora de partir
pra um lugar que não tenha mais nada
nada além de um sorriso de fada
Por mais que leves sonhos
um dia chumbem
diante de tantos olhos
que um dia os viram
flutuar livres no espaço
por mais que o coração
fique aos pedaços
por desconhecer qual a razão
que todo tempo tem
de num determinado ciclo
a triste obrigação
de romper laços
mesmo assim
você vai encontrar
vontades que jamais sucumbem
por mais que o tempo tente
insistente
duros qual diamantes
longe anos e oceanos
contrariando todos os planos
que por mais que tenham sido
apenas breves
e por mais que parecessem
serem leves
quando existe e prospera
aquilo que se chama amor
não pode haver quimera
a implantar o dissabor
neste momento impera a vontade
não havendo vento frio
a apagar a chama
daquele coração que arde
e o medo da distância
e de se ver distantes
vem galvanizar os laços
com o mesmo frescor
de anos antes.
Uma hora o Sol se põe
Você percebe
Que perdeu a conta dos ocasos
Não se ocupou de contar os sonhos
Nem se importou com medonhos pesadelos
Talvez você tenha sido feliz
Regando ou pintando vasos
Não lamentou as coisas que não viu
Foi feliz ao final
De cada dia que partiu
Nem ligou ao perder
ou ver clarear os cabelos
Sem perceber, cumpriu todos os prazos
Sangrou às vezes, sem chorar
Suportando assim, todas as provas
Confiante, que a cada dia que nasce
Haverão de nascer
Sempre coisas novas
Novas alegrias, talvez tristezas
Não faz mal
A vida tem que ser vivida
todo dia, toda hora, todo mês
Quando a gente vive assim;
Sem preocupação, culpa
ou medo no coração
Viver amanhã aqui? Talvez
Haverá sempre de existir a confiança
De que a vida um dia
Haverá de começar de novo
Um dia a gente vai voltar
A correr e pular
Como fez em outros dias
Num tempo em que ainda era criança
Quando a gente aprende
a não deixar de ser
Esta inocência, pura e divina
Nos dá a certeza
De que vão tornar a acontecer.
Minha vida parecia um sonho
Que eu vivia acordado
Estava de acordo com tudo
Porque tudo parecia ser verdade
E agora, não sei onde eu ponho
Pois não tenho como carregar sozinho
O peso desta triste realidade
Passei minha existência
Somando e dividindo
E agora
Não quero aprender a conjugar
O verbo perder
No presente do indicativo
Pois "Não querer"
Sempre foi e continua sendo
Meu único princípio ativo
Minha história foi escrita
Conforme a luz das estrelas
chegava do Céu
Estava ficando bonita
Mas agora acabou
Elas continuam lá
Mas algo fez
Com que mesmo sem querer
Eu terminasse por perdê-las
Seus brilhos agora
Irradiam luzes de muitas pontas
E eu continuo aqui a olhá-las
Porém, minha vida se desmonta
Bem diante dos meus olhos
Que durante todo tempo
Permaneceram abertos
Pensando que estavam certos
Quando não estavam
E todas as imagens, mensagens
visões e conclusões
Não passaram de ilusões erradas
e apesar de pesada
A minha realidade
Não é nada.
Eu sonho um Mundo
Em que todos tenham direito
A rir e sorrir de qualquer jeito
Um Mundo que tenha um Deus
Mas não tenha nenhum Rei,
Senador e nem Prefeito
Resumindo: Um mundo perfeito
Onde chova suco de uva
Aos meus pés, espelhos d'agua
No peito, nenhuma mágoa
E eu possa caminhar
Entre as Florestas de Guarda-chuvas
Sem nunca espetar nenhum olho
Lá, as crianças terão piolho
Mas as mães não vão jamais
machucar as suas cabeças, ao tirá-los
Meus pés não terão mais calos
Mas eles existirão em minhas mãos
de tanto ajudar meus irmãos
a construírem as suas casas
nas quais trabalharemos
todos os domingos
E antes que eu me esqueça
Todos os dias serão domingo
e em todos os quintais
Haverá dois pés de manga
No centro da cidade
Uma Torre de Babel
Montada qual Torre Jenga
E tudo será brincadeira
E todos vão falar a mesma língua
idioma e dialeto
Ninguém vai viver à Mingua
E todos serão corretos
Todos os sonhos serão concretos
E tudo de ruim será abstraído
Todos os livros
Ali serão lidos
E todos os nossos problemas
Finalmente resolvidos.
O primeiro passo para que a Humanidade conquiste um Mundo perfeito é não esperar pela perfeição. O Mundo já é perfeito, nós é que procuramos nele imperfeições, para poder acusar o Mundo por ser imperfeito.
Sonhei que sonhava contigo
e em meu sonho eu vivia esse sonho
e eu ontem, acordei bem tristonho
sem saber onde punha
o peso da realidade
Construi meu castelo sobre as nuvens
e não percebi aquelas sombras
tão sombrias
ocultando-se nas sombras
que a nuvem projetava
enquanto eu sonhava
transferi meu castelo pra areia
insistente
não havia firmeza
e eu me iludia na certeza imaginária
admirando tua falsa e sombria
sincera verdade
que nāo existia
Mas um dia veio a Lua cheia
e a luz que a tudo permeia
clareia a penumbra
descortinando as plùmbeas sombras
E agora eu já não sonho mais
agora vou viver em paz
Não há mais lugar pra você
Este é teu poema
O poema da despedida
Você não há de adentrar nunca mais
Nos meus sonhos
Em meus poemas
Nos meus Castelos
Na minha vida.
Abrace antes o Mundo
E encare a vida face a face
Mergulhe fundo nos teus sonhos
Antes que os anjos se afastem
E o tempo leve seus melhores amigos
Não deixe que seus desejos
Se transformem em sonhos antigos
Sem que antes tenha tentado
Não existe nenhuma garantia
de que vão se realizar
Mesmo assim
Não permita que um dia
Você mesmo se cobre
Pelo arrependimento nada nobre
de ter visto a vida passando
e que você não disse
não fez, não foi e nem viveu
por medo
Não permita que enterrem
Junto a ti
Os teus segredos
Viva os teus sonhos
Grandes ou pequenos
E permita que eles permaneçam vivos
depois de você
E fez-se a primeira noite
E desde a primeira noite, o frio
E fez-se o arrepio e nascem os sonhos
Em algum momento perdido, o calor
Inventando um novo invento
E veio o rio das horas
E veio a demora
Com o tempo que passa depressa a flutuar
E a folha que cai e que vai-se à toa
Ao arrepio da hora boa
E nasceu assim a lembrança
E o medo do fim
Como receio da noite vindoura
E da dor a lição
Assim fez-se a pressa, a que cessa num momento
Que é coisa a aprender-se depressa
A vida que escoa entre os vãos
Mãos vazias que acenam
O sempre olhar pra trás antes da curva
Até o dia de não nunca mais se ver esse olhar
Assim fez-se a madrugada, a alvorada
O outono que chega
A bruxa do tempo que ri só pra si
E assim fez-se a noite e a escuridão
Tão negra quanto o coração que era
Esperar no portão pelos passos que não mais escuto
E assim se fez a última noite
O longo tempo, que afinal
No final se fez tão curto.
Edson Ricardo Paiva.
Quando a vida não dói mais.
"Às vezes vem sonhos ruins
A gente se assusta e se acorda
Mas, se não se recorda de sonhos assim
Não tem nada que nos faça
Ver a graça da chuva que te surpreende
Recordar-se da pedra, onde um dia tropeçou
Numa queda que te feriu.
Até mesmo na doença lá da infância
E de todas as distâncias que venceu
Nessa fase, onde tudo se ajusta
E você só vai vivendo a própria vida
Se não existe mais risada ou quase riso
Você deixa de ver graça em sonho bom também
Quando a gente se esquece e nem pensa
Em todo aquele medo que sentiu do escuro
Todo dia acorda
Porém, só se sente apressado...atrasado
E nem agradece à bênção da claridade
O pássaro voando é só uma ave que passa
Não enxerga mais a paz do voo, tanto faz.
Não existe mais mistério em nada
Não existe mais vontade de sorvete lá na praça
Nem mentira e nem verdade
Não há flecha que te atinja e nem te fira
Nesse duro coração vazio, fortalecido pela vida
Tanto faz ir ou ficar
Calor ou frio
Esqueceu-se da alegria
Quando, um dia era tão bom poder sair para brincar
À exceção daquilo que se enxerga
Não existe mais magia em nada...ela existia.
Mas o mundo tornou-te igual a mim."
Edson Ricardo Paiva.
Outro dia, em sonho, entrei na mata
E à beira de uma cascata eu vi sentado
Sem qualquer possibilidade de fuga
Não sei se era tartaruga
Não sei se era Jabuti
Não sei se era Cágado
A única certeza que eu tenho
É que foi numa tarde de sábado
Num galho pertinho dele
Me olhava manso, o Sabiá
Não me canso de lembrar
Que cansado que eu estava
Disse quase resfolegando
Fica tranqüilo meu amigo
Em minha presença não há perigo
Hoje ando quase tão lento
Quanto a Preguiça e quanto a ti
Minha passagem por aqui
é coisa que invento
Pra espantar a solidão
Nem trago no coração
A antiga maldade de outrora
E somente o que peço agora
É um pouco de companhia
E então o bicho respondeu
Pois eu há muito espero este dia
Pois já te vi correr como o vento
E percebi
quando começaste a ficar lento
No meu íntimo,
também conheço os teus intentos
Apesar da aparência de bicho
Sou alguém que há muito conhece
e nunca andei depressa
Apesar das tuas preces:
Meu nome é tempo
Aquele, que mesmo quando você me esquece
Te encontra nas ruas
e ainda te reconhece
Quando do tempo eu tentei fugir
O Pássaro encantado
Que até então, se encontrava calado
Olhou pra mim como que rí
e simplesmente falou:
Bem-te-ví
As coisas que faço
E as coisas que eu digo
Não pretendem conquistar nenhum espaço
Nem ligo
Não pretendo ser quem não sou
Sou aquele que Deus fez
A minha vez já chegou
é hoje, foi ontem e amanhã será
Meu tempo é este
E eu sou apenas eu
Apesar de todos os meus defeitos
Vivo apenas do jeito que posso
E te ajudo, se precisar
Às vezes me iludo
Pois sou gente igual você
Mas não quero o que não me pertence
Nem penso ser mais que ninguém
Estou na vida pra aprender
dividir e amar a vida
Por ser assim
e não saber mentir
Vivo sozinho
Quase que isolado
Não haverás de ver ao meu lado
Muita gente
Desejo que sejam felizes
Longe de mim
Não existe nenhuma garantia
Que eu não vá terminar meus dias
Embaixo de algum viaduto
Um desconhecido morto
Que viveu no anonimato
Não teve nada
e nem foi ninguém para este Mundo
Mesmo assim, se procurar
Não há de encontrar
A quem eu tenha feito o mal
O mal que me fizeram
Morreu em mim
Eu afoguei o mal, não o perpetuei
Portanto
Se terminar os meus dias
Sem ninguém ao meu lado
Eu mesmo me julgarei
Um bem aventurado.
Quando eu era jovem
Prometi que um dia eu ia
Realizar um sonho que eu tinha
E buscar a Lua pra ela
A Lua seria dela
E ela seria minha
De mão dadas nós iríamos
caminhar até aquela linha
Onde o Sol encosta na Terra
Hoje
Eu olho pro Céu e não vejo mais
As mesmas coisas que eu via
Agora as nuvens são verticais
Os olhos dela também
Não exibem aquele brilho
Que pareciam dizer
"Se eu estiver com você
então, tá tudo bem, meu filho"
Olho pro espelho e percebo
Que não foram apenas o Céu
E o brilho nos olhos dela que mudaram
Meus traços também se alteraram
e muito
Porém aquele espaço
Que eu tenho no coração
pra guardar um amor
E a vontade de dar um abraço
toda vez que eu a vejo
São ainda muito grandes
E muito
Muda a maneira de vêr e olhar
Hoje
Até mesmo as ondas do Mar
Parecem quebrar diferente
Mas tem coisas
Que por mais que o tempo passe
Não passam
Portanto
Basta querer que eu te abrace
Que meus braços, felizes
te abraçam
Eu sonho em um dia
Ser e poder ser quem eu sou
E não apenas este
Que o Mundo me obriga a ser
Por menos que eu queira
Me obrigam a interpretar
e não me permitem viver
Eu tenho hora pra sorrir
e não posso conversar com qualquer um
Eu tenho hora pra dormir
Eu tenho hora pra falar
Eu não posso
Não me permitem amar a quem me odeia
E eu sou obrigado a amar
Quem me despreza
Eu tenho hora pra passar fome
Mesmo que eu nunca reclame da comida
Eu sou obrigado a viver esta vida
todo dia
Eu tenho que vestir o que eles mandam
Eu tenho que gostar do que eles gostam
Eu tenho que sonhar o que eles querem
Se eu gostar
Preciso gostar em segredo
Não posso apontar nenhum dedo
e dizer
Que era esta que eu queria
E não há nada que eu possa fazer
Além de sonhar escondido
Com um dia, que eu sei
Não vai haver.
Talvez às vezes você pense
Ser um nada, que não tem nada
Um nada que não conquistou nada
Talvez você pense de vez em quando
Que a sua vida não vale nada
Eu conheci algumas pessoas
Que trocaram tudo por nada
Por pensar que não tinham nada
E querem desfazer a troca
Pois descobriram
Ter entrado num buraco de minhoca
Mas o tempo
Toca o barco sempre em frente
Cada decisão errada
Será sempre anotada
No livro da sua vida
Que tem espaços demarcados
Pra escreverem
A entrada e a saida
E cada decisão equivocada
Ali
cada letra é lida
Pode acontecer
De algum nada
Valer muito mais que nada
E o seu arrependimento
Não valer nada
Suas palavras ditas ao vento
serão levadas
E a vida não vai responder
Nada.
A noite não passou
de um pensamento
Flutuou
qual aos sonhos sonhados
Ponho então
o concreto e o abstrato
Lado a lado
Eu vivi assim devido aos sonhos
ou sonhei assim devido à vida ?
E meu dia já começa
Repleto de perguntas
Não posso mais deixá-las
Todas juntas
Não há calma e nem há pressa
Não há em minh'alma
Nem mesmo a promessa
de que haverá,
em alguma manhã dessas
resposta convincente
Saio à rua e vou viver meu dia
Se não há como saber
Não hei de viver somente
dessa vontade inquietante
de querer saber
Hei apenas de viver como quem gosta
de ler e escrever poesia.
O primeiro passo para o Homem
Chegar à Lua
Uma palavra
Conquistar um amor
Uma palavra
Iniciar uma Guerra
Uma palavra
Sobrepor-se aos outros seres
Uma palavra
Ficar rico
Uma palavra
Construir o Canal do Panamá
Uma palavra
Chegar à Presidência
Uma palavra
Casar
Uma palavra
Tocar um instrumento
Uma palavra
Chegar a um novo invento
Uma palavra
Escrever um poema
Uma palavra
Arrumar um problema
Uma palavra
Perder tudo
Uma palavra
Outras palavras vem depois
Mas tudo se inicia com uma palavra
Pense nisso
Antes de proferir a sua próxima frase
Uma palavra inicia tudo
As que vem depois são decisivas
Sempre
Existe alguma coisa
da qual ninguém se recorda
É como um sonho
Que rapidamente se dissipa
Assim que a gente acorda
E isso permanece latente
Independente do que a gente viva
E enquanto a gente vai vivendo
Coloca tantos outros interesses
Acima daquilo que interessa realmente
Principalmente a pressa
Que não nos permite
Enxergar os raios coloridos
Que a Terra também emite
Todo dia, quando o Sol se põe
O quão bonito que é
Olhar os pássaros a se recolher
Eles pousam em algum lugar
Sempre em bando
E um deles fica distante
Piando de vez em quando
Procurando algum recalcitrante
Que ainda não veio
Eu gosto de olhar as folhas que caem
e a maneira que se comportam
Cumprindo a sua missão
encerrando seu ciclo, humildemente
às vezes, elas tem ao seu lado as pedras
E está tudo interligado
Intrinsecamente unido
de modo que a única coisa que falta
é aquilo que eu disse
que a gente não recorda
Se a gente descobrisse isso
Talvez a gente se integrasse a esse todo
E deixasse de ser somente
Um Ser à parte
Perdido e esquecido
Tenho a impressão de que somos
Em meio à criação
O pássaro que não veio
E tudo isso está esperando por nós
Pra não nos deixarem sós
Abaixo do Sol
depois de outra noite
sem sonhos
Tanta gente acorda
E se propõe a sonhar
Portanto se lavantam
E se põe a correr devagar
Por uma estrada acidentada
Que a bem da verdade
Ninguém sabe onde ela conduz
Talvez não leve a nada
Inconscientemente acordados
Fazem um acordo consigo
Abaixo do Sol
Muitos sonhos amansam
Tristonhos
Se lançam à vida
Numa dúvida doída
A única certeza
é que as folhas caem
após o outono
Mas os sonhos não descansam
Talvez seja por isso
Que em certas noites
Eles não vem durante o sono.
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