Dedicatória para a Mãe
Felizes os que aprendem a separar o pecado do pecador, pois estes jamais odiarão o que mais importa para Deus: o Ser Humano.
Há uma diferença bastante sutil — e profundamente transformadora — entre condenar um ato e rejeitar uma pessoa.
Quando essa linha tênue se apaga, o julgamento deixa de ser sobre falhas e escolhas e passa a ser sobre existências.
E, nesse ponto, já não há justiça, há apenas soberba disfarçada de virtude.
Separar o pecado do pecador não é relativizar o erro, nem suavizar suas consequências.
É reconhecer que ninguém se resume ao pior gesto que já cometeu, aos próprios olhos ou aos alheios.
É entender que, por trás de toda falha, existe uma história, uma fragilidade, uma humanidade que nos espelha muito mais do que gostaríamos de admitir.
O ódio é sempre uma simplificação…
Ele reduz o outro a um rótulo confortável, que nos poupa do esforço de compreender.
Amar — ou ao menos não odiar — exige muito mais: exige coragem para enxergar complexidade onde preferiríamos ver certezas, exige humildade para lembrar que também erramos, ainda que em medidas diferentes ou menos visíveis.
Talvez o verdadeiro desafio não seja apontar o erro, mas fazê-lo sem desumanizar quem erra.
Porque, no momento em que passamos a odiar o outro, deixamos de perceber que o que nos conecta a ele é maior do que aquilo que nos separa.
No fim, separar o pecado do pecador é menos sobre o outro e mais sobre quem escolhemos ser diante dele.
É decidir se seremos juízes implacáveis ou consciências lúcidas.
É optar entre retroalimentar o ciclo do desprezo ou interrompê-lo com lucidez e compaixão.
E essa escolha, silenciosa e diária, diz muito mais sobre nós do que sobre qualquer erro alheio.
Às vezes é preciso aprender a abraçar a Solitude bem apertado para fugir do abraço apertado da Solidão.
Existe uma diferença muito silenciosa entre estar Só e sentir-se Sozinho.
A Solidão, muitas vezes, chega metendo o pé na porta, sem ao menos pedir licença.
Ela pesa, esvazia, faz companhia aos medos e ainda alimenta a sensação de abandono.
Já a Solitude é uma escolha consciente: é o encontro consigo mesmo, o espaço onde o silêncio deixa de ser inimigo e se torna um mestre.
Aprender a abraçar a Solitude é entender que nem toda ausência representa perda.
Há momentos em que precisamos nos afastar do barulho do mundo para ouvir a voz da nossa própria essência.
É nesse recolhimento que redescobrimos quem somos, quais são nossos valores e o que realmente merece permanecer em nossa vida.
Quem teme estar sozinho acaba, muitas vezes, aceitando companhias que ferem, ambientes que sufocam e relações que ofuscam ou apagam sua luz.
Mas quem aprende a apreciar a própria presença não busca pessoas para preencher vazios; busca para compartilhar a plenitude que construiu dentro de si.
A Solitude não elimina a necessidade de amar ou de ser amado.
Muito pelo contrário, ela ensina que o amor mais importante é aquele que nos permite permanecer inteiros, mesmo quando ninguém está por perto.
É desse amor-próprio que nascem relações mais saudáveis, livres da dependência e do medo.
Talvez o maior desafio da vida não seja encontrar alguém que nos complete, mas tornar-nos completos o suficiente para que a presença do outro seja uma escolha, e não uma necessidade.
Porque, no fim das contas, é preciso aprender a abraçar a Solitude para fugir do abraço da Solidão — e descobrir que a melhor companhia que podemos cultivar é a nossa.
Eu me digo o que ninguém ousa
porque o silêncio sempre cobrou caro demais.
Aprendi que não nomear
é permitir que o erro volte
com outro rosto
e a mesma violência.
Eu não fui feita para a paz passiva,
mas para a vigília.
Observar é um gesto ético.
Falar é uma forma de cuidado.
Quando digo o nome das coisas,
não crio conflitos
eu interrompo ciclos.
Não carrego culpa que não é minha.
Carrego palavras.
E palavras, quando ditas no tempo certo,
impedem a repetição do horror.
Eu falo
porque existir em silêncio
nunca me protegeu.
Lilian Morais
Nossa mente é cadência contínua, onde aprendemos com o tempo, nas experiências e nas veredas que escolhemos. Não podemos extrapolar nossas ilusões, decepções, com impulsos que podem gerar danos e feridas no interior das emoções, que levam corpo e alma a consequências que muitas vezes tornam caminhos sem retorno. É preciso buscar o equilíbrio das forças que regem nossas pensamentos, para não cairmos em tentações, onde mora o perigo de sucumbirmos no precipício dos males , dos pecados que frustram e jogam na loucura da depressão desenfreada.
João Batista Barbosa
Uma parte minha se entrega hoje ao vazio sem esperar absolutamente nada, pois aprendi que só posso contar com o eco dos meus próprios passos. Há uma estranha leveza na exaustão, esse ponto exato em que a dor deixa de ser um grito e se acomoda como um silêncio definitivo._Enzo Ruchell_
A gente não supera tudo com um sorriso no rosto. Às vezes, superar significa apenas aprender a conviver com a própria vulnerabilidade sem se sentir culpado por estar frágil._Enzo Ruchell_
Auto-estima, para não ser confundida com soberba, deve se traduzir na disposição do homem de aprender tudo para ser capaz. Soberba é não querer aprender nada porque pelo que sabe se acha capaz em tudo.
Buscamos muitas vezes compreender para então viver, mas há coisas que só aprendemos o real significado quando vivemos e depois compreendemos.
Quem espera apenas afagos da vida nunca estará apto a aprender em meio às vicissitudes da existência. Enxergue seu caos como oportunidade de renovação; Vislumbre sempre seus escombros como matéria-prima para reconstrução. Lembre-se: Deus, que arquitetou o universo, é o maior interessado em ajudar a reprojetar sua vida. Muitas vezes ele só aguarda um convite seu.
Fardo Leve.
Aprendi a dobrar a dor
até caber no bolso da calça.
Ela vira moeda trocada:
pago cafés, sorrio de volta,
ninguém desconfia do peso.
Carrego tempestade em copo d’água
e digo que é só sede.
Os nós na garganta viram
gravatas bonitas, bem amarradas.
Elegância é meu disfarce favorito.
De noite, tiro o fardo do varal.
Ele seca leve, quase pluma.
Mas se o vento muda,
lembro que chumbo também voa
quando a gente sopra forte.
No fundo, todo mundo nota:
tranquilidade demais
faz barulho de silêncio.
E o meu fardo, mesmo leve,
deixa pegada no chão.
(Saul Beleza)
reclamação
eu não reclamo
por não gostar de mim.
isso eu já aprendi a carregar,
já fiz as pazes com a falta.
eu reclamo
é por gostar tanto de você assim.
por esse excesso que me transborda,
que me deixa sem sobra pra mim.
se eu me gostasse um pouco mais,
ou te gostasse um pouco menos,
talvez doesse menos.
Mas eu fico aqui:
inteiro pra você, e
metade pra mim.
(Saul Beleza)
Amar os livros é saber que a maior virtude da vida é nunca parar de aprender, de pensar, de brincar e de se curar a cada página lida.
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