De Repente Nao mais que Derepente

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O deleite imaginado é muito maior que o gozado, embora nos verdadeiros gostos deva ser o contrário.

Telha de vidro

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que - coitados - tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
- Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

Embora possamos ser sábios do saber alheio, sensatos só poderíamos sê-lo graças à nossa própria sensatez.

Os soberbos são ordinariamente ingratos; consideram os benefícios como tributos que se lhes devem.

O trabalho é amargo, mas os seus frutos são doces e aprazíveis.

Mors Amor

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"

A imaginação é o paraíso dos afortunados, e o inferno dos desgraçados.

A razão também tiraniza algumas vezes, como as paixões.

Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer reformar.

Vive mal quem só vive para si.

Como se há-de governar um país que tem 246 variedades de queijo?

Os homens investidos no poder crêem na duração do presente.

A glória é o sol dos mortos.

Seja no que for, temos de ter em conta a finalidade.

As nossas únicas verdades, homem, são as nossas dores.

O luxo, como o fogo, devora tudo e perece de faminto.

Os oradores dão-nos em comprimento aquilo que lhes falta em profundidade.

A razão destrói nos homens as criações da sua própria imaginação.

Há homens para nada, muitos para pouco, alguns para muito, nenhum para tudo.

Pode ferir-se o amor-próprio; matá-lo, nunca.