Da Solidao Cecilia Meirele
É preciso equilíbrio.
Sem ele, a realidade, dura e crua,
nos afoga em suas correntes
e nos devolve à superfície
endurecidos, cínicos,
friamente calculados,
distantes do que pulsa.
Toda imersão exige cuidado.
Até o mergulho na verdade
precisa de ar.
A arte é esse respiro.
A poesia, a música,
o gesto silencioso de ler e escrever,
o encontro mudo com a natureza,
o respeito na convivência
com os outros animais
nos lembram
que viver não é apenas suportar,
mas também sentir.
✍©️@MiriamDaCosta
A minha promessa para o Ano Novo (2026)
Odeio promessas!
Promessas são pactos frágeis
assinados com o medo do futuro.
Não prometo nada
a mim mesma,
eu me conheço.
Não prometo nada
aos outros,
eu os conheço também.
A única coisa que não negocio,
depois da liberdade,
é a escrita.
Enquanto houver pulso
me bombardeando,
eu escrevo.
Enquanto houver ferida
me cutucando por dentro,
eu escrevo.
Enquanto houver silêncio
me gritando nos ossos,
eu escrevo.
Enquanto houver sangue,
suor e lágrimas
me derramando,
eu escrevo.
Não faço promessas!
Eu cumpro.
Escrever não é escolha.
É instinto.
É reflexo.
É sobrevivência.
Eu escrevo
quando falta ar.
Eu escrevo
quando sobra silêncio.
Eu escrevo
para não morrer por dentro.
Promessas nascem fracas,
já pedindo desculpa
por não sobreviverem ao tempo.
Eu não prometo!
Eu persisto.
Escrevo
como quem se mantém viva
num mundo
que golpeia para matar.
Escrevo nas entrelinhas
dos pontos onde sangro
e não coagulo.
✍ ©️ Miriam Da Costa
Mistério e Loucura
Ignoro minha origem,
me escapa o meu destino,
sabe-se lá, qual...
Caminho entre mistérios,
habitante do enigma,
tentando compreender,
com mãos trêmulas de sentido,
de versos e de interrogações
este mundo estranho
e muito louco
em que respiro, escrevo e
sou vida.
✍©️ @MiriamDaCosta
O agente secreto , Golden Globes 2026, Globo de Ouro...
Wagner Moura, como outros representantes da arte em geral no Brasil, superou ele mesmo!
Superou a política anti cultura que imperou na nossa Nação.
Superou a cultura do viralatismo.
✍©️@MiriamDaCosta
Critica-se a Lei Rouanet em nome de uma suposta “indignação ética”, sem sequer compreender que ela não é esmola,
não é “dinheiro dado a artistas”,
mas um mecanismo de renúncia fiscal , dinheiro que já sairia do bolso público e que passa a ser direcionado, com regras, para cultura, educação simbólica, memória e pensamento crítico.
Os mesmos que se arvoram como “cidadãos do bem”:
receberam auxílio emergencial indevidamente,
vivem de benefícios estatais históricos,
defendem privilégios corporativos (militares e suas viúvas e filhas eternamente pensionistas),
e jamais questionam isenções fiscais bilionárias concedidas a bancos, igrejas e grandes empresas.
A indignação, portanto, não é moral , é seletiva.
Ela escolhe alvos simbólicos fáceis: artistas, intelectuais, escritores e produtores culturais vários.
Porque cultura incomoda, questiona, expõe contradições, desorganiza certezas e encenam a história que tentam apagar.
Não se trata de repúdio ao uso do dinheiro público.
Trata-se de repúdio àquilo que pensa, cria e revela.
Em resumo:
Não odeiam o Estado beneficiador,
odeiam o Estado quando ele não os beneficia diretamente; e odeiam ainda mais quando ele financia ideias, sensibilidade e pensamento crítico que são contrários às próprias ideologias politicas, religiosas e culturais.
✍©️@MiriamDaCosta
20 de Janeiro📆Dia dos Caboclos na Umbanda
Ode ao Caboclo Arranca Toco 🌱🪓
Óh, Meu Amado Caboclo!
Seu Arranca Toco,
força que nasce do chão,
braço de mata fechada,
olho atento de quem conhece
o silêncio das raízes antigas.
Caboclo de pés firmes,
que não pede licença ao medo
e não negocia com a injustiça.
Onde o tronco resiste,
tua mão conhece o ponto exato,
nem excesso, nem hesitação.
Arrancas o que apodrece escondido,
o toco que impede a passagem,
a raiz do engano que insiste
em se disfarçar de sombra boa.
Tua justiça é direta
como o golpe do machado
e limpa como água de nascente.
Guardião dos que caminham
com o corpo cansado
e a alma pedindo clareira.
Ensinas que não há floresta viva
sem poda,
nem caminho aberto
sem coragem de remover o que pesa.
Caboclo Arranca Toco,
teu canto ecoa
no coração da terra
e no peito de quem aprende
a dizer não ao que paralisa,
sim ao que liberta.
Salve a mata!
Salve a força que sustenta,
arranca, limpa
e faz brotar de novo.
Okê, Caboclo Arranca Toco!
✍©️@MiriamDaCosta
Meus olhos cevam-se
enquanto devoro palavras.
Ler é nutrir a alma
faminta de sentido
num mundo que a esquece
à míngua.
✍©️@MiriamDaCosta
A visão e a indignação seletivas dizem muito menos sobre o mundo
e muito mais sobre quem olha para ele.
Pensar isso é reconhecer que, muitas vezes,
a indignação não nasce da injustiça em si,
mas da conveniência.
Indigna-se quando dói no próprio território,
silencia-se quando o dano beneficia, protege ou confirma crenças.
A visão seletiva é uma forma sofisticada
de cegueira:
olha, mas não vê;
vê, mas escolhe esquecer.
E o que dizer?
Que a indignação seletiva não é ética,
é estratégia.
Não é consciência,
é cálculo moral.
Não é empatia,
é espelho.
Ela grita contra certos absurdos
enquanto cochicha cumplicidades
diante de outros.
Aponta o dedo com uma mão
e tapa os próprios olhos com a outra.
Talvez a frase mais honesta seja esta:
Quem escolhe quando se indignar
já escolheu de que lado não está.
✍©️@MiriamDaCosta
A indignação seletiva
não nasce da justiça,
mas do interesse
bem vestido de virtude.
Quem se indigna por conveniência
não defende valores,
defende posições.
✍©️@MiriamDaCosta
Minha amada Tessa,
Como em nossas histórias preferidas, há finais felizes e infelizes. Achei que poderíamos ter um final feliz, mas, infelizmente não era pra ser. Eu te amo com todo o meu coração e é por isso que tive que me afastar de você o máximo possível. Nós somos como um vício um para o outro, com partes iguais de prazer e de dor. E sobre aquela noite, aquela garota era uma das minhas conquistas antigas. Eu tive que me desculpar pelo meu passado para poder ter um futuro com você, mas o destino acabou entrando no nosso caminho. Chega de papo-furado. Você é boa demais para mim e eu sei. E, em algum lugar, bem lá no fundo, sempre soube que não ia durar e acho que você também sabia. Sei que será dolorido no começo e que pode levar dias, ou até mais, mas, finalmente, um dia você vai acordar e a tristeza começará a se dissolver e se tornará apenas uma lembranças distante. Adeus, Tessa.
"Somos resultados das escolhas que fazemos na vida, sendo assim, responsáveis diretos das nossas ações do dia dia"
"Quero fazer e não consigo fazer; Quero gritar e não consigo gritar; Quero correr e não consigo correr; Então porque fazer, gritar ou correr?"
Você é pra mim o que o amarelo era pro Van Gogh
Uma explosão de luz em minha tela escura,
Com pinceladas de amor, no coração, algo novo,
Nossas cores se misturam, numa paleta de ternura.
Você é pra mim o que a Mona Lisa foi pro Da Vinci
Um enigma encantador, um sorriso profundo em seus olhos, descubro meu mundo e princípios,
Cada traço de sua alma é meu tesouro no mundo.
Você é pra mim o que a melodia foi pro Mozart,
Notas que tocam meu ser, uma sinfonia de paixão,
Seu amor é a canção que enche meu mundo de arte,
Em sua harmonia, encontro a completa gratidão.
Assim como o amarelo inspirou Van Gogh a criar
E a Mona Lisa intrigou Da Vinci a contemplar
E como Mozart deu vida à música e ao som,
Você, meu amor, é minha inspiração, é o meu dom.
Como cores, sorrisos e canções, eternamente raro,
Para eles, cores, harmonia e sorrisos é muito mais do que podemos enxergar
Este poema é só para nós, um segredo compartilhado.
Sou fascinada pela palavra
em estado bruto,
antes da forma,
antes do adorno,
nua, crua e cortante
quando ela ainda sabe golpear.
A palavra que toca fundo,
que atravessa,
que deixa marcas.
Escuto-a ao contrário,
como quem busca
o eco secreto do sentido,
e nesse movimento
me deixo avassalar
avassalando.
Quando preciso vesti-la,
faço-o com deleite,
como quem escolhe
um tecido tênue
para a própria alma.
Mas meu amor maior
é pelo seu avesso silencioso,
aquele que só responde
quando tocado no escuro,
onde os significados sangram
em sentimentos vivos.
Sou excessiva
e visceral na linguagem
e delicada no gesto,
habito o extremo
e me encanto com a ternura.
Vai entender…
sou palavra em contradição viva.
E nessa contradição linguística,
entre visceral e tênue,
os meus versos harmonizam-se
na minha essência.
✍©️@MiriamDaCosta
