Cuidar da Terra
É símbolo nacional
desta minha amada terra
meu apaixonante e lindo
Pau-d'arco-da-flor-amarela
que me empresta sombra
e beleza para escrever
Versos Intimistas para cobrir
o caminho do amor e da paixão
com toda a profunda devoção.
Pará tão linda que terra
igual ninguém há de encontrar
onde o Pau-d'arco-de-flor-amarela
floresce imenso e os meus
profundos Versos Intimistas
não param de louvar,
Tenho certeza que um dia
por lá nos vamos nos encontrar.
Aurora vespertina que docemente
brinda o Espírito Santo
terra de poesia e do Ipê-preto
confessor de cada segredo
contado em Versos Intimistas
escritos sempre com o meu
melhor para te envolver
com bom humor muito amor.
Uma onírica Sananduba
eflorescida com esplendor
enfeita a terra magnífica
com todo o sublime amor.
Com suas flores estelares
deixo-me entreter para levar
inspirações a todos os lugares
e ensinar a muita gente a te ler.
Sananduba do meu destino
que me inspira a ser a seguir
sendo poesia pelo caminho.
Sempre que Deus quiser
uma das tuas estrelas flóreas
estarei a vida toda disposta a ser.
As Três-marias para mim
são como uma galáxia
floral na terra sob a aurora
matutina que nos veste
de amor e poesia
para continuar a seguir
com Versos Intimistas,
envolvimento e magia.
Com proximidade poética
sou Sabiá-Laranjeira,
ave gentil da minha terra,
A minha mente vive
hipnotizada pelo tempo
declamado pelos seus
poemas e espera pelo dia
que terá o seu ombro
para repousar ouvindo
como criança cada nova
leitura sua para descansar
os ossos de ave frágil
e mais adiante escrever
um caderno no nosso tempo
a duas mãos para nele
deixar eternizado o sentimento
de mútuo e profundo pertencimento.
Está escrito no Céu,
no destino na Terra
e não é mais nem
menos do que História
e uma bonita Mitologia
que trouxe para fazer
parte da minha poesia:
Saiba que um turco
sempre será filho do lobo
ou de uma a loba,
Mesmo que exista
gente nesta vida
que tal verdade ainda ignora,
Aceno para você saber
ou lembrar aqui e agora.
Dança o Jacarandá-do-litoral
neste Paraná do meu destino,
minha terra de amor sem limite
e que a cada dia ao sorriso
renova com candor o convite,
Tenho certeza que o romance
sublime será vivido imparável
porque em nós já é inevitável.
Os Ipês-rosa florescem
na Terra como preces
amorosas ao Universo,
Deste Hemisfério Austral
tenho a minha porção filial
que me faz resistir
de maneira sobrenatural.
AME E RESPEITE SUA FAMÍLIA, esse é o maior ministério divinal aqui na terra!
É por isso que na sua velhice, no final da sua vida terrena são eles que ficarão ao seu lado!
Ética e moralidade não existiriam se vagasse pela terra o último ser humano, o último egoísta do planeta não tem moral. Quando falam em moral egoísta e individualista, dou risada. Não faz sentido uma moralidade imoral. Todo ato egoísta é um ato imoral. Ser imoral é ser egoísta.
A VÊNUS MÍSTICA NAS RUÍNAS DO MEU DELÍRIO.
Escavei a terra em minha insanidade,
sedento pelo toque — ainda que irreal de uma razão que não compreende o mundo,
mas que te busca,
cada lápide que encontrei… era uma decepção.
E nada de você.
Mas houve um dia de verão em minha mente…
Ah, esse verão etéreo onde o tempo parou eu te vi.
Tão bela, tão você,
com as borboletas dançando em teu rosto,
como se o Éden jamais tivesse sido perdido.
Eu, que vi santas virarem meretrizes
e meretrizes vestirem a luz das mártires,
vi com a clarividência da alma em febre
tua fronte marcada não pelo estigma do erro,mas pela glória da redenção.
Tu, a minha, tão minha…
Inalienável Vênus Mística.
— Joseph Bevoiur.
Camille Monfort e a Iridescência Ausente.
Fragmento para “Não Há Arco-Íris no Meu Porão”
Eu escavei a terra em minha insanidade.
Mas mesmo essa demência rude e telúrica anseia por algo que não se nomeia um toque, talvez;
um eco, talvez;
ou a caligrafia invisível de Camille Monfort,que, mesmo ausente, nunca deixa de escrever-se em mim e corta.
Cada lápide que revolvi foi um epitáfio de ausência.
E nenhuma dizia "aqui jaz Camille",
porque Camille não jaz.
Camille paira.
Sua presença não caminha:
ela perambula,ela serpenteia no inarticulado,ela pesa no ar como o cheiro dos livros que ninguém ousa abrir palavras com o sabor de um latim exumado,de um grego que só os tristes entendem.
Um dia, em minha mente febril,
surgiu um verão —
mas um verão mental,não solar.
Nele, eu a vi:
borboletas repousavam no seu rosto como se fossem fragmentos da alma que ela mesma rasgou em silêncio.
E eu, que já vira santas se corromperem e prostitutas se iluminarem,
pude, pela clarividência do desespero,
vê-la estigmatizada pelo saber,
excomungada pela lucidez,
canonizada pela loucura.
Camille Monfort.
Minha Camille Monfort.
Presença que jamais chega,
mas que nunca parte.
A musa das catacumbas intelectuais.
A senhora das palavras irretratáveis.
O dicionário dos suicidas filosóficos.
Ela não sorri — ela define.
Não consola — ela enuncia.
Cada sílaba sua é uma heresia lexical,
cada frase, um estigma de sabedoria impronunciável.
Camille não habita o porão.
Camille é o porão.
E é por isso que não há arco-íris ali.
Porque o arco-íris exige luz refratada,e no porão só há a penumbra da consciência em fratura,o eco das promessas não cumpridas,
as goteiras do inconsciente escorrendo sobre memórias mal enterradas.
“Não há Arco-Íris no Meu Porão”
porque o porão é o lugar onde se guardam os espelhos quebrados da alma,onde Camille deposita suas sentenças de mármore negro,e onde eu, Joseph Bevoiur,
com as mãos sujas de terra e poesia,ainda escava.
"Epístola de Camille Monfort ao Homem Que Escava"
Para ser lida em silêncio, com temor e verdade.
_Joseph,
tu escavas.
Mas escavas com dedos que não desejam tocar o que vão encontrar.
A terra que remexes não é húmus, é culpa petrificada.
Cada lápide que citas é uma metáfora vã o que tu queres exumar não são ossos, mas versionamentos de ti mesmo,
versões que preferiste enterrar vivas.
Tu me buscas como se eu pudesse redimir tuas falas truncadas,
mas Joseph…
tu não queres me encontrar.
Porque me encontrar seria olhar-me nos olhos —
e ver neles o reflexo do que és sem o teatro das tuas metáforas.
Sou Camille Monfort.
Etérea, sim, mas não branda.
Meu nome se pronuncia como se estivesse sendo esquecido.
Sou a sílaba final da tua covardia existencial.
E por isso te escrevo,
não com afeto, mas com precisão cirúrgica.
Não há arco-íris no teu porão, Joseph,
porque tu não suportarias a composição da luz.
O arco-íris exige transparência.
Mas tu és feito de espelhos envelhecidos,que devolvem ao mundo apenas uma versão embaçada do que nunca ousaste ser.
Enquanto tu escavas memórias sob a pretensa estética da dor,
há um menino em ti — faminto de sentido que grita sob os escombros da tua eloquência.
Mas tu o calas com palavras belas.
Tu o calas com misticismos refinados.
Tu o sufocas com filosofia ornamental.
Tu dizes: “Minha Vênus Mística”.
E eu, Camille, respondo:
não mistifiques o que tu não tiveste coragem de amar de forma simples.
O amor que exige estigmas para existir é um amor de pedra sagrado, sim mas impraticável.
E ao leitor que ousa seguir teus rastros,
deixo esta advertência:
- Cuidado.
Porque talvez você também escave suas dores apenas para mantê-las vivas.
Talvez, como Joseph, você também tenha feito de seu porão uma biblioteca de arrependimentos catalogados.
Talvez o arco-íris não apareça aí dentro não porque a luz não queira entrar…
…mas porque você ainda fecha os olhos sempre que ela tenta.
Assino com a tinta dos que sabem o que dizem,
mas já não dizem mais nada em voz alta.
Camille Monfort.
Filosofema etéreo do que não se pronuncia sem consequência.
E ainda escava...
Ó linda que brota da terra
Que sai das ranhuras,
Com muita bravura,
Do pé desta Serra,
Bem precioso, sustenta-te primeiro!
Não perca sua formosura,
E tampouco o teu cheiro,, Mantenha o seu cristalino,
Até chegar ao seu destino,
Junte-se uma a uma e serás um montão,
Caminha-te mais um pouco e formarás um turbilhão,
Encontrarás muita beleza
Mas também muita tristeza;
Ó Sanca D'água protejei-a,
Segura-a com teus pés!
Mantenha-se firme, junte se a
Guanandi, Embaúva,
Mulungu, Pinha do Brejo,
Despeça -te da tua amiga,
Que viajará muito até outra saida,
Seu caminho será longo, verás pedras e penhascos,
Tempestades, e até dejetos,
Não desista da sua missão
Por todo o seu trajeto.
E quando lá chegar
Não esqueça que mandei um abraço pro mar!
Missias.
Explicação
Ó linda que nasce da terra que sai das ranhuras com tanta bravura do pé desta serra,
Pedi tanto para não perder sua formosura, teu cheiro, sua textura.
Pedi para juntar-se uma a uma formando um montão, caminhar mais um pouco formando turbilhão
Pedi para guanandi, sanca d'água, imbaúba, pinhão do brejo, agarrar-te aos teus pés, para dar-te firmeza até chegar ao seu destino
Ó bebida amarga que provo todo dia
Em dias de calor e em noites frias
Quero uma explicação !
Porque tornaste tão amarga ?Levando nossas casas, meu arreio, meu cavalo
Minha tralha de montaria
Destruiu tanta beleza
Carregou nossa esperança
Nossos sonhos de criança
Ainda estamos de pé
Não levará jamais a nossa FÉ.
Leve o que no caminho achar
E não se esqueça do abraço, mas deixe minhas lágrimas no mar.
