Cuidar da Infancia

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"Se você anuncia a Palavra de Deus, sempre haverá alguém que implicará com você."
— Anderson Silva

"Não ajude toupeiras, senão você entrará no buraco junto com elas."
-Anderson Silva

"O INVENTÁRIO DA AREIA E DO VENTO..."


Ah! Alcancei a crista da onda, aquele ponto cego onde o oceano se torna abismo e as águas, memória; um ápice que não é o topo da montanha, mas o momento em que a descida se torna a única forma de abraçar a terra. Já tenho em mãos o inventário do mundo: o sangue ramificado em filhos, o suor cristalizado em ofícios e os pequenos templos de tijolo que chamo de lar, mas à mesa, o banquete é de silêncio e o tilintar do garfo no prato vazio ecoa uma fome de ser...


A água na geladeira, guardada em vidros gélidos, retém o gosto de todos os rios que não naveguei, sabores de partida, espera e esquecimento que se misturam aos meus pensamentos, cavalos selvagens chicoteados pelo cronômetro. Eles galopam para o ontem em busca de um rastro, caem mortos no solo estéril do agora e fixam o olhar vítreo num amanhã que nunca se deixa tocar, enquanto meu centro se desfaz como um catavento enferrujado tentando ler o sentido dos ventos em dispersão...


Aos quarenta e oito invernos, o corpo reclama o aluguel do tempo e a força, antes uma lança de ferro, hoje é um fio de seda segurando o peso de uma existência que parece ter durado séculos. O álcool deixou de ser celebração para tornar-se um solvente, um mergulho em águas turvas para ignorar o naufrágio das células e os pequenos motins que minha própria biologia organiza contra mim...


Sinto a falta daquela euforia bruta dos finais de ciclo da juventude, da liberdade que cheirava a asfalto quente, antes que o acúmulo de dias se tornasse uma biblioteca de angústias. O livro da [minha] vida decidiu queimar suas próprias páginas; a história quer se abreviar, quer o ponto final antes que a tinta acabe, transformando-me em um ancião que assiste à própria biografia ser devorada pelas traças da finitude, enquanto o horizonte insiste em escrever capítulos sobre minha pele cansada...


Nesse processo de liquefação, aprendi a coreografia secreta do riso para mascarar o estrondo das quedas, descobrindo o luxo de chorar por dentro, uma chuva privada que irriga jardins que ninguém visita. Distanciei-me das âncoras que me prendiam a portos de gente falsa, buscando uma ecologia do ser onde o propósito é a presença da luz e o silêncio dos pensamentos que já pararam...


Não há mais o que explicar sobre a vista que embaça ao tentar ler o que está perto; talvez a alma tenha decidido focar apenas no que é infinito, desdenhando o que é ainda palpável. Sigo agora por este desfiladeiro onde a avalanche dos dias transforma o concreto em névoa e as lembranças em espectros sombrios e distantes, aceitando que tudo morra finalmente em mim, para que eu possa, despojado de tudo, renascer, quem sabe um dia, no vazio...


--- Risomar Sírley da Silva ---

Tanta gente confundindo José Maria com Maria José que, se elas encontrarem a Paz de Espírito na rua, é capaz de pedir desculpas e dizer que estão esperando o Espírito da Paz...


--- Risomar Sírley da Silva ---

METÁFORA// _ "Sinto falta de reviver o que perdemos; e muita saudade de viver o que esquecemos." (Autor: Mestre malaquias da viola).⁠

Nihil Obstat

É preciso que a música aparente
no vaso harmonizado pelo oleiro
seja perfeitamente consistente
com o gesto interior, seu companheiro
e fazedor: o vaso encerra o cheiro
e os ritmos da terra e da semente,
porque antes de ser forma foi primeiro
humildade de barro paciente.
Deus, que concebe o cântaro e o separa
da argila lentamente, foi fazendo
do meu aprendizado o Seu compêndio
de opacidades cada vez mais claras,
e com silêncios sempre mais esplêndidos
foi limando, aguçando o que escutara.

Bruno tolentino

"Não espere que algo ruim aconteça, para começar a apreciar a vida".

Sou mãe, vou proteger os meus filhos seja do que for, eu sempre vou estar aí 😊

"O amor não elimina o vazio, mas o ilumina".

"O tempo nada mais é do que um instrumento de medida do movimento do universo!"

O que é a beleza? É tudo aquilo que nossos olhos veem e que, por alguma razão, provoca um deleite diferente — uma pausa, um suspiro, um silêncio interior. Há quem diga: “Se foi criado por IA, não vale.” Como não vale? O valor da beleza está na emoção que desperta, não apenas na mão que a executou. A beleza não perde sua essência por causa da ferramenta; ela se confirma no impacto que produz em quem a contempla.

"O universo é algo que não pode ser imaginado!"

Aos pés da jaqueira pedi perdão.
Naquele momento senti a magia; a ancestralidade ali surgia,
diante de uma lágrima que na minha face escorria.
Olhei para o céu e uma voz sombria dizia:
— Levanta a cabeça, meu filho, chegará o grande dia.
Fiz a minha saudação, três nomes na mente surgiam:
Mepere, Bokolo e Iyá Bambá.
Inocentemente, foram louvadas nesse dia.
Novamente a voz sombria surgia:
— Siga em frente e acredite, chegará o seu grande dia.

Fico impressionado com a urgência do fazer. O saber não é suficiente; devemos aplicá-lo. Ter a disposição não é suficiente; devemos fazer.

“Uma das evidências de que um homem é inteligente é quando ele tem uma resistência de chuveiro reserva em casa e sabe trocá-la.”
— Anderson Silva

É o anjo da minha vida , foi feito na minha medida (...)

Última Esperança

— "Por que tanta tristeza e tanta dor?"
Ao coração eu perguntei um dia.
E êle, em resposta: — "Já morreu o
amor."

Ao coração eu perguntei um dia:
— "Por que esperar se já morreu o amor?"
E êle: — "Sem esperança eu morreria."

- Stecchetti

Teu Nome

Teu nome foi um sonho do passado;
Foi um murmurio eterno em meus ouvidos;
Foi som de uma harpa que embalou-me a vida;
Foi um sorriso d’alma entre gemidos!

Teu nome foi um echo de soluços,
Entre as minhas canções, entre os meus prantos;
Foi tudo que eu amei, que eu resumia—
Dores—prazer—ventura—amor—encantos!

Escrevi-o nos troncos do arvoredo,
Nas alvas praias onde bate o mar;
Das estrellas fiz lettras—soletreio-o
Por noute bella ao morbido luar!

Escrevi-o nos prados verdejantes
Com as folhas da rosa ou da açucena!
Oh quantas vezes na aza perfumada
Correu das brisas em manhan serena! ?

Mas na estrella morreu, cahiu nos troncos,
Nas praias se—apagou, murchou nas flores;
Só guardado ficou-me aqui no peito
—Saudade ou maldição dos teus amores.

- José Bonifácio, o moço

UMA CANÇÃO DE AMOR

Vais me dizer, querida, se é verdade Que ontem à noite, cheia de saudade,

A sós contigo tu disseste assim:
"Como saudoso êle há de estar de mim!"

Muito te enganas, meu amor, sòmente Se tem saudades de quem anda ausente,

E por fôrça do muito imaginar
Chego a te ver, e chego a te escutar,

Tal e qual se estivesses ao meu lado, Eis por que, muito embora apaixonado,

Não tive ontem saudades, companheira:
- Estiveste comigo a noite inteira.

Friedrich Ruckert

ELEGIA 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

- Carlos Drummond de Andrade