Cuidando do meu Jardim
Às vezes, meu mundo é tão pequeno e vazio que mal há espaço para mim e meus pensamentos. No entanto, minhas lembranças sempre conseguem se infiltrar.
Quando eu digo que você apagou minha vida, destruiu meu coração e matou minha alma, é porque seu amor era minha luz. Você era meu alicerce. E com certeza, você não é um assassino de almas, até porque a alma não se destrói; o corpo morre, e a alma retorna intacta ao Pai Supremo.
Meu olfato identifica o pior cheiro que conheço, e sem dúvida é o cheiro da pele. Algumas pessoas têm aromas reconfortantes, outras contagiantes, enquanto algumas peles exalam um odor indescritível. Independentemente da condição financeira, status social ou vestimentas, o cheiro da pele persiste, permeando as roupas e emanando dos poros de dentro para fora. Acredito que sentimentos como estresse, tranquilidade, ódio e amor influenciem nessa transformação de odores. Embora tenha sentido meu próprio cheiro uma única vez, não me sinto à vontade para discuti-lo agora. Para mim, o cheiro da pele permanece como um dos piores que já experimentei.
Não aprecio dormir com barulho, pois interfere no meu sono. Contudo, quando adormecia envolvida nos braços da minha mãe, a experiência era única. Suas palavras, choros e até seus gritos e murmúrios se transformavam em suaves canções de ninar para os meus ouvidos. Até hoje, questiono-me sobre a magia que acontecia, pois ao despertar no dia seguinte, sentia-me maravilhosamente revigorada. Acredito que o abraço apertado e a voz materna possuem propriedades curativas naturais, algo verdadeiramente mágico!
Às vezes, uma intensa vibração irrompe de dentro para fora do meu corpo, seguida por um espasmo, inundando-me de uma alegria avassaladora. Sinto o impulso de rir, de gargalhar, ou simplesmente de sorrir, tudo de forma exuberante e exagerada. No entanto, contenho essa emoção dentro de mim. E então, tudo se desencadeia: o suor frio emerge no rosto, no pescoço, na cabeça. Meus cabelos tornam-se impregnados de umidade, o suor escorre! Permaneço assim por um período indeterminado. O coração acelera, batendo descompassadamente por alguns instantes, que para mim parecem uma eternidade. Em seguida, uma onda de calor surge diante de mim. Tenho a sensação de poder tocar nessa entidade invisível, algo tangível, mas que não me toca, apenas sinto. E então, tudo retorna ao normal. É uma sensação peculiar, algo que foge ao comum. Considero-a uma anomalia. Bem, prosseguindo… É por essa razão que oculto tudo isso dentro de mim, em um receptáculo interno. Não desejo que os outros me vejam assim, não quero que os meus sintam vergonha por minha causa. Embora siga esse procedimento há anos, meu corpo ainda protesta. Após essa tormenta, uma sensação de exaustão me envolve, mas logo se dissipa. Às vezes, a preocupação de que tudo se repita é tão avassaladora que me leva ao desespero. Mas é apenas um desespero passageiro, algo que julgo normal. E aqui está uma revelação: apenas eu, Deus e esta folha de papel conhecem este segredo e alguns outros mais.
"Meu sentimento tornou-se como o vento, um impulso encarcerado em gestos imperfeitos. É um sentimento que se desfaz em pó... Havia tanto para ser vivido, mas em um faz-de-conta persistente que não encontra sobrevivência; que começa, mas nunca alcança o fim! Como podemos viver algo que se desfaz a cada palavra impensada, a cada silêncio profundo, a cada fuga de si mesmo? E como se pode extinguir o que é tão vivo por dentro e se transforma em apenas poeira por fora? Nessa busca incessante e inerte, continuo ensaiando sonhos para não te recordar, treinando fantasias para te esquecer... Saudades!"
Houve um tempo em que minhas lágrimas congelaram meu coração, e meus monstros tornaram-se meus amigos, talvez por dó ou por castigo.
Quero salvar meu destino, mas o que leva alguém a preferir o silêncio profundo, onde a paz prevalece, ao ruído caótico da vida moderna?
O que faz uma pessoa se sentir em casa no vazio, em vez de encontrar conforto nas vozes daqueles que compartilham sua humanidade?
O que nos faz amar mais nossos pets, seres irracionais, do que aqueles que se dizem racionais?
O que nos leva a duvidar da humanidade visível e, ao mesmo tempo, a buscar fé no invisível?
E o que, afinal, ainda me faz acreditar em você?
Quero salvar meu destino, mesmo sabendo que em sonhos te vi roubando o meu. Tenho minhas dúvidas. Será que estou me tornando um eremita da era moderna? Ou será que estou apenas à beira da loucura humana?
Sempre fui diferente, nunca me encaixei. Sempre quis ser a louca da vez, mas nem nisso consegui me encontrar.
Deus é vida e transformação. Meu maior milagre, ocorre baixinho e devagarzinho todos os dias, dentro de mim mesmo, toda vez que por fé, me perdôo e supero as contradições.
A magia de meu nome como um todo, está circunscrito no Livro da Vida, como Reverberar. Verbo transitivo direto, em comunhão com a Luz, fazer com que algum saber aparente seja refletido; ocasionar reflexão assim como os espelhos cristalinos reverberam imagens claras. O verbo reverberar deriva do latim "reverberare"; com o sentido de refletir ou repelir tudo que aparentemente parece mas na verdade, não é.
Para meu conceito não existe o novo na arte. Existem sim novas maneiras de ver o que em submersão, submissão, coexistia, fazia parte mas não era notado como valor e referencia, que de repente por uma nova leitura emerge.
Desde muito cedo na minha vida, luto em batalhas imaginarias em meu universo interior. O melhor disto é que muitas delas com o passar dos anos se tornam realidade no futuro, e acabo me sinto mais ou menos preparado.
o artista Moacir Andrade foi o meu maior mestre sobre as cores da Amazônia. Tudo de um jeito simples, como é típico de quem sabe, entre os igarapés, igapós e balneários da Grande Floresta. Suas palavras embebidas de magia do dia a dia, das que se encontra por esperança nas populações ribeirinhas ecoam no meu imaginário nas noites de lua cheia.
Moacyr Andrade, meu grande mestre sobre a arte e a cultura amazônica sempre foi forte e gordo, tinha muita fome em comer generosamente as cores, os sons e os mitos da Grande Floresta. Uma fome gratuita e bela, onde o coração de quem ama é bem maior que a barriga, o comer de conhecimentos para generosamente passar para quem aprendeu a amar também por respeito e liberdade. Hoje sei que quem sabe verdadeiramente distribui o que sabe. O mundo ainda não reconheceu o valor da extensa cultura amazônica deste grande pesquisador e artista. Moacyr Andrade e Manoel Santiago foram meus mestres por graça divina e devem ser considerados os maiores expoentes desta rica cultura regional brasileira.
Parafraseando Olavo Martins Bilac, o príncipe dos poetas brasileiros e meu grande patrono sobre amor cívico das estrelas da cultura do Brasil, exercido ininterrupto pela Liga da Defesa Nacional, desde 1918, o poeta diz em seu soneto - Ora (direis) ouvir estrelas, o soneto de número XIII da coletânea de sonetos Via Láctea. " E eu vos direi: Amai para entendê-las!Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas." Assim também vos digo " Amai para entendê-la. Pois só quem ama pode ter ouvido e olhos, capazes de ouvir e de entender a Amazônia. Ela existirá para sempre, bem mais que um grande punhado de verde, distante de tudo que dizem os teóricos da grande floresta.
Meu conhecimento sobre a Amazônia está intimamente ligado ao saber, ver e pensar de meu grande mestre e amigo o artista amazonense Moacir Andrade.
Sou um fervoroso adepto e cristão, sigo os passos de amor do meu mestre Jesus e de alguns santos gurus. Sendo assim, espelho minha vida a exemplo da vida dos grandes mestres, nunca casei pois se fosse o mais acertado tanto Jesus e os Gurus, teriam feito.
