Cuidando do meu Jardim
Meu medo não é medo de ir nem medo de voltar, o meu medo é saber que você tem medo, vive com medo, e tem medo de morrer, este é o meu medo vê você com medo.
Sou fugitivo do meu orgulho remanescente por ignorância por não admitir o meu fracasso, de cabeça ao chão preso no vômito do caos nem a esperança perde um tempo pra julgar o meu silêncio fracassado.
Ri efêmero que seja fugaz, não vão confrontar o meu amor na subida nem vão alcançar na descida, tua decadência não soma nada já nasceu em decomposição, como pode ter audácia tão mesquinha, quanto a mim, vou voltar para a felicidade lá está o meu regresso.
Estou perdido dentro de mim quando a vejo linda mulher, meu corpo transpira se está perto de mim querendo teus beijos quentes molhados acariciando meu rosto, degusto teu sabor teu cheiro cheirosa invadi meus pulmões em manancial delirante por você.
Amada desconhecida do meu lar, mora em minha vida habita no meu coração vou continuar não te conhecendo, a casa estranha as tuas regras meu corpo não abraça teus abraços, na minha cama é estranha desconhecida passageira nos lençóis dobrados, ontem era estranha, hoje não te conheço, amanhã não será lembrada.
Te confessei um amor verdadeiro, te dei o meu melhor, me doei de coração puro, no entanto por capricho ou vaidade, o destino barganhou com o tempo impondo situações barreiras, fez de minhas próprias palavras um vazio sussurrar num oceano profundo, viver no esquecimento para que eu não possa compartilhar a vida com você.
Escrevo dizer palavras sobre o meu regresso que não esqueci e não posso responder que vou voltar, o que não esqueci vou esquecer, a vontade de voltar passou o lugar não sei mais onde está.
Acompanha-me se tiveres audácia de caminhar ao meu lado escuro, quem sabe teus olhos possam clarear minha escuridão.
O meu amor não está escrito nem é cantado não está em peças no teatro nem é falado por ira ou discórdia, o meu amor está onde ela não procura apenas com um aceno ela vai encontrar o meu amor.
Quero te falar do meu amor: é para você o meu melhor, por ti os meus sentimentos viajam em pensamentos, feliz na sintonia do amor.
Que eu continuo aprendendo salvando-me do meu mal que me corrói todos os dias, não quero livrar do mal que habita em mim, que eu reconheça a necessidade de estar vivendo o meu mal não fazer o mal.
Estaria menos infeliz percorrendo paraísos ou meu inferno estaria mais escaldante? Não sei! Deixe-me aqui com meus desafetos. Com minhas reflexões. Dono do meu destino.
'EU, INSULAR'
Minha primeira árvore um desastre.
Caí várias vezes!
Meu primeiro emprego sinistro.
Tudo novidade!
Caminhei sobre pontes de névoas.
Descobri o meu mundo!
Subi escadas de brumas.
Escalei o improvável!
Andei por quilômetros na praia.
Queimaduras ao sol!
Admirando o voo das gaivotas.
Admirando a vida!
Eu insular.
Solitário!
Admirando as águas correntes.
Admirando esse 'Tempo' que passa!
Tentando navegar em canoas.
Redescobrindo o 'meu novo'!
A cada dia.
Sempre!
'TARDE CALMA!'
Tarde calma, exceto pelos ventos abrasivos,
abrasivo meu coração, uniforme!
O bafo instiga o fogo,
deixa um rastro vivo: incandescência!
Fito-o por alguns segundos,
brasas recantos viajam, indefinidos!
Partículas se vão, casual,
sob o vento céu: desastroso!
Partes vão se apagando,
galhos verdes, supérfluos!
Gravetos perdem vida,
algum tempo: chama perfeita!
'MEU NOME É RONALDO...'
Meu nome é Ronaldo, sem sobrenomes.
Me fizeram ilusionismo, perpetuo enganação.
Vida privada, sem reflexos, sem nexos, sem pousadas.
Sem identidade, se tivesse alguma, seria servil, oprimido, lacunas.
Desenhei meu mundo, metáforas.
Só entra os ilusionados, patéticos, sem fortunas.
Me batem na cara.
Sem biografia, sem dor.
Esculachado, deito no chão, terra batida, frio na barriga.
Dor corroída, mas de peito aberto.
Tento ser sincero, falar a verdade,
às pessoas mesquinhas, que se deixam enganar.
Tenho que trabalhar, isso desola.
Prefiro donativos e pura cachaça.
Droga de mundo! Sentimento profundo, dá um nó na garganta.
Falo o que quero, tenho pouca simpatia.
No meu mundo fechado e repulsão aparente.
Me deixa dormente com sonhos profundos.
Prefiro o meu eu, do que ser enganado.
Nesse mundo fechado, onde todos sobrevivem.
Pretensiosos e alheios, peito estufado.
Não lembram que vamos, para o mesmo buraco.
Somos todos fiascos de possibilidades.
Onde a causalidade, nos deixa oprimido.
E a alma dormente, me deixa Ronaldo.
Homem coitado, entrar no meu mundo?
Tire sobrenome, da sociedade incólume.
Apegue-se às síndromes, lesione-se aos goles.
Vamos rir dos pobres, contemporâneos doentes.
Da vida diária, presos no tempo, sem proeminentes.
Dos que não têm tempo, de ser um Ronaldo.
A vida prossegue, sem identidade.
Lhe falta coragem, abandone seu mundo.
Se dê um bofetão, pegue artilharias.
Quem sabe a vida, fica mais estimada
Quem sabe ela pare... ou fique calada!
