Cronicas de Marta Medeiros Felicidade
Nossa condição humana faz-nos cheios de pavor face ao inevitável evento morte. E nesse sentido, muitos procuram subterfúgios, quando não, deuses para suprir-lhes tal necessidade de subsistir quando sua vida terrena enfrenta a terrível ameaça de extinção. Muitos se apegam no deus mamom, o dinheiro, e cometem por este ídolo as maiores loucuras as quais possamos imaginar. Mas existem os que buscam o extraordinário, o indizível, o soberano e supremo ser, Eterno Criador. Aquele ao qual todas as coisas criou, e ao homem, sua imagem e semelhança enfim formou.
Em dado momento na vida cansei de tudo, e comecei a me abandonar. Morrendo estava minha vida, e amigos não vinha a me procurar. Então comecei a buscar por mim, e aos poucos conseguindo me reencontrar. A minha vida que outrora abandonada, novamente começo a reencontrar. Juntando enfim os pedaços, que espalhados estavam em ignorado lugar.
Seguimos destinos ignorados, cada qual buscando cumprir seus planos idealizados, mas nada está ao nosso controle, e vivemos acelerados. Até que chega em dado momento, e nada do que temos era o desejado. As forças segue definhando, o corpo cada vez mais cansado, inda que a mente esteja boa, já o corpo não acompanhando. E aproxima o fim dessa lida, após muita vaidade vivida.
Nascemos neste mundo é a partir do momento que compreendemos as coisas percebemos que morre um pouquinho da gente a cada despedida de um querido ente. E os que vencem as barreiras do tempo sente o pesar da partida de tantas pessoas queridas, que nos deixam boas lembranças mas carregam um pedaço de nós. Porque ficamos diminuidos, sentindo um determinado vazio existencial daqueles os quais aprendemos a amar e considerar de uma forma incondicional.
Sabem qual é a diferença entre os crentes de hoje com os do início da era cristã? Que os crentes primitivos não amavam as suas vidas, não preocupavam com as coisas deste mundo, não temiam a própria morte, pois confiavam piamente na provisão do Eterno Pai, ao passo que nós os crentes destes tempos hodiernos, estamos preocupados em conquistar, possuir e desfrutar do bom e do melhor desta terra.
Diante de um infinito existencial, está a Terra subsistindo no espaço sideral. Há quem diga ser fruto do acaso. Poderia o nada algo produzir? Certamente que não. Mas creio piamente, na existência de um criador, que de nada se esqueceu, com equilíbrio perfeito tudo criou, ao ponto de nos fazer viajantes sobre o globo terrestre, que em velicidade astronômica circula ao redor do Sol. Sem deixar para trás a diminuta esfera lunar, que para nos se apresenta na mesma proporção de grandeza de nossa estrela solar.
As muitas águas dos oceanos alçam grandes vôos, desabam ao solo e depois passeiam por entre as terras. E toda vida regada à sua semente, com o auxílio das muitas águas agregam os átomos que nas mais variadas composições se aglomeram nas infindas espécies de vida, num misterioso mover atômico a erguer as mais diversas formas corporeas de seres vivos, num milagre que atravessa gerações.
Quando a bíblia fala que somos pó, muita das vezes nem atentamos para o fato de que tudo o quanto nos alimenta vem do solo terrestre. Manifestamos neste mundo inicialmente em forma microscópica, uma verdadeira semente lançada em solo fértil, onde germinamos e iniciamos uma odisseia rumo luz do sol, onde vamos captando a todo momento os átomos que vão nos fazendo crescer, que nas muitas composições moleculares fazem nos seres humanos, aptos a cumprir um tempo determinado neste plano terreno.
Quando vires uma pessoa que faz tratamento psiquiátrico sorrindo ou postando momentos de descontração, não a julgue. Porque tudo isso não passa de um subterfúgio, um escape da sua realidade a qual não se deva desejar a ninguém. A percepção não é um espelho da realidade. E a realidade não passa de uma ilusão. Quem entenderá a dor da alma de alguém, se não tem o mínimo de amor no coração?
Quão profundas essas palavras, estremecem e nos enche de emoções, lembrar do verdadeiro amor de nossos pais, para sempre em nossos corações. Aos que não possuem essas dádivas hoje aqui, quero externar minhas considerações, por reconhecer no aconchego, lar de vossos pais, o porto seguro das diversas emoções. Cuidem bem os que ainda desfrutam, retribuam todo esse amor que eles vos deram, Pai e Mãe são riquezas que um dia acaba, triste quem nada por eles fizeram.
Todos os que estão vivos vão morrer, mesmo não querendo, e não sabendo o dia e a hora, vamos partir dessa dimensão. O que precisamos fazer? Viver intensamente com as pessoas que amamos, porque na maioria das vezes não temos tempo para a despedida, e a todo instante, pelas mais variadas causas, se extingue a vida.
Tenho me esforçado para superar a mim mesmo, pensado muito nesta vida, em sua efemeridade, no quão volátil é a nossa situação humana. Enfim, cada vez mais consciente de que tudo é vaidade. O tempo passa cadenciado, sem se deter, seguindo ele todos os seres viventes, e não temos poder sobre nada, a não ser nos entregar ao acaso de cada instante. Vaidade em vaidade, lá se vai a nossa idade. Os nossos planos, em tristezas e alegrias, todos desejando uma intensa felicidade. Entretanto, dura é a nossa realidade.
Não sei explicar, muito menos compreender, mas fomos criados em dado momento para uma existência eterna. Enquanto não deixarmos este plano material, nada seremos capazes de compreender, mas quando findar esse experimento material, as cortinas do entendimento hão de se abrir, e os mistérios por hora a nós cerrados, haverão enfim se serem alcançados.
Enfermagem por amor sem abrir mão do seu devido valor. Vamos respeitar e valorizar os profissionais que são verdadeiras colunas de sustentação da saúde, o que seria a medicina sem os que executam a boa missão, desde os cuidados mais simples, até o indispensável ofício de aplicar a respectiva medicação.
Não mais vive o ser meu, a cada instante que passa não sou mais eu. Revestido da mutabilidade, lá se foi quem eu era, e a dinâmica do lapso temporal, trás à tona um novo ser, até então, quando encerrar o ciclo vital, extinguindo enfim, as manifestações das transformações de minha individualidade, caráter intrínseco do ser eu.
A vida é uma explosão de fenômenos diversos, moléculas bombardeando umas sobre as outras, uma verdadeira batalha existencial de imensuráveis, incontáveis fragmentos atômicos, transformando e recriando matérias diversas, sejam em formas vivas ou matérias inertes. É o milagre do universo sempre em constantes transformações.
Começamos a vida numa aparente letargia, e aos poucos seguimos o embalo da vida, e desejamos acelerar o ritmo do viver, de tal maneira que ambicionamos o imediatismo das realizações, entretanto, logo percebemos que precisamos desacelerar, e então vem a decepção maior, lá se foi o precioso tempo que jamais voltará. Alcançamos sabedoria, mas não resta fartura cronológica para unir o útil ao agradável.
A vida é um mistério que se revela vivendo intensamente cada instante do tempo que se chama hoje. O amanhã pode não vir, o ontem é apenas uma vaga lembrança, poucas coisas ficarão registradas em nossos assentamentos memorial, o amanhã sempre será a incógnita a ser revelada no tempo que chamamos presente. Assim sendo, curta esta dádiva divinal, cada instante seu vital. Viva intensamente a vida.
Eu não tenho tempo a perder. Partindo do pressuposto que não sou dono do tempo, vivo cada momento que me resta, porque é o que tenho para o momento, não posso mudar o acaso, muito menos estabelecer o que se sucederá no desenrolar da minha odisseia terrestre, quero dizer, a vida é um milagre e o viver imprevisível. Portanto, vamos vivendo, seguindo o estabelecido de cada fração do tempo que se chama hoje. O amanhã? Iremos, faremos ou seremos, se assim Deus nos permitir.
O amor humano é sagaz, hoje ama, amanhã não mais. Declaração intensa de amor é uma retórica de ocasião, em primeiro momento ama, posteriormente, todo amor se transforma em ódio e ilusão. O verdadeiro amor não deixa espaço para ódio e rancor. Possa ser que venha mágoa, tristeza e desilusão, porém nunca o ódio a ocupar o espaço do amor no humano coração. Se a pessoa disser que já amou e não mais ama, enganado foi pelo sentimento avassalador da paixão, que tanto ilude e engana o coração.
