Cronicas de Jorge Amado
SOU TUA POR DIREITO
Beija minha boca, que eu aceito, desperta meu prazer!
Toque-me sou teu piano, estou muito caído e nada há que fazer,
Aperta-me deixa-me louca, sufoca meu corpo com teu calor, esquece tudo que tem calor.
Senta-se a vontade podes mergulhar na minha suavidade de pele sem fervor.
Oh, como é agradável sentir tuas palpadelas deslizando sobre as corvas do meu corpo!
Que mão macia, que prazer, ai! que vontade de voar, minha alma sente cada um do teu sopro,
Teu calor inebria meus sentidos, homem selvagem com atitude de príncipe venerável!
Gosto de sentir isto bem lá no fundo da alma, oh! Queime com óleo brilhante e prazível.
Sou toda sua em toda parte deste mundo, no céu e na terra até no abismo!
Estou com aquele espirito que sobe as pessoas no dia do batismo,
Leve este corpo no mais alto nível até ser inadmissível!
Meu amor aperta! Aperta! Que faz calor podes deixar a janela aberta.
SE O MUNDO ACABASSE AGORA
E se o mundo acabasse agora?
você está preparado?
você ri ou chora,ao ver o mundo acabar agora?
Acabar instantâneo,sem demora
sem delongas ocaso ou aurora
sem tempo para despedidas,sem arrependimentos,
sem sofrimento,você ficaria triste?
se o mundo acabasse agora?
Se arrependeria por não ter algo feito?
levaria consigo alguma mágoa no peito?
deixaria algo inacabado?não feito?
Se o mundo acabasse agora?
Com o fim,do mundo,iria a fome embora,
iria todas as guerras,fortunas,maltratos,
ignorâncias,tudo de bom,tudo de ruim,
simplesmente tudo teria um fim,
se o mundo acabasse agora.
Não levaríamos nada,além de desapontamento,
não teríamos dado um último abraço,
nem um último alento,não riríamos,nem choraríamos,
não teríamos tempo,findaria nesta hora,
Se o mundo acabasse agora.
Aguardamos agora,não demora,o ano finda
esperamos de um novo ano a vinda
não haverá rancor,somente amor
e o mundo não acabou
A amizade
Como sou antigo
Ainda prezo um amigo
Levo eles no peito
Sempre junto comigo
É neles que encontro conforto
É neles que busco abrigo
Dentre eles alguns são especiais
Nos propiciam algo mais
Algo em falta na atualidade
Sinceridade, lealdade, paz
Os verdadeiros sempre estão prontos para ajudar
Sem nada em troca solicitar
Se preocupam com o próximo
Mesmo quando este não está próximo
Abrem mão do seu sossego
Te auxiliam, te dão aconchego
Muitas vezes até um chamego
Sem maldade, sem malícia
Em prol de uma amizade vitalicia
Os mais próximos não prometem
Nem competem
Apenas conosco refletem
Que sem a amizade a vida é fria
A existência se torna vazia.
Ele não faz questão de pegar na sua mão
Eu nunca vi ele te dar beijão na frente de ninguém
Tem algo errado nessa relação e você sabe quem
Não deu carinho? Troca
Não arrepia? Troca
Diz eu te amo e não escuta nada em troca? Troca
Troca o cara, troca o beijo
Troca de vida e vem pra minha
Salve, Moleque
Salve, moleque. E aí, como anda as coisas?
Parece que tudo vai dar errado, né?
Não se preocupa, isso não acontece só com você.
Acontece com todo mundo — até com os grandões que parecem inatingíveis.
Eles também têm medo.
E te garanto: o medo deles é bem maior que o nosso.
A gente não tem muito pra perder.
E o pouco que temos, se quisermos, ninguém tira.
Por termos pouco, não precisamos de muito.
A vida rola na boa se a gente não complicar.
Muitas vezes achamos que somos injustiçados.
E somos mesmo.
Faz parte da vida.
Mas olha: passar por injustiça é a melhor vacina contra a depressão.
Dá força.
Leva pra segurança.
Se a gente encara os problemas de frente, nada pode nos atingir.
Parece que vai dar tudo errado.
Boa parte das vezes, dá mesmo.
E daí?
dane-se tudo.
Mete o pé na jaca e segue em frente.
A vida não é só coisa ruim.
Tem coisa boa pra caramba.
E você é jovem.
Tem muito pela frente.
Sabe aquela namorada?
Aquela que parecia que você nunca ia ter?
Na hora que ela aparecer, vai ser sua melhor amiga.
Daquelas fodonas.
Vai estar sempre ao seu lado.
Vai sofrer todas as injustiças que essa longa estrada da vida vai te impor — junto contigo.
Levanta essa cabeça.
Engole o choro.
E vamos.
Você é forte demais pra ficar sentado aí com essa ramela no nariz.
Te garanto: vai ser foda.
Mas no final, tudo vai dar certo.
E se não der?
DANE-SE.
SOMOS CARROÇAS VAZIAS?
Existe uma música chamada “The First Cut Is the Deepest” (algo como “o primeiro corte é o mais profundo”). Assim também são as primeiras chuvas depois da estiagem: a eletrostática, a poluição e as diferenças gritantes de temperatura fazem com que essas primeiras águas sejam, na maioria das vezes, assustadoras.
Ventos fortes, raios, às vezes granizo — dependendo da região em que vivemos. Não faz muito tempo, tempestades eram situações raras. Embora sempre tenhamos sido palco de descargas elétricas, já há bastante tempo somos o país mais atingido por raios no mundo.
O clima perdeu o controle. A princípio, eu não acreditava em mudanças climáticas. Achava que era apenas mais uma forma de alguém enriquecer espalhando pânico entre a população. Aliás, espalhar medo parece já fazer parte da rotina humana.
As notícias hoje são instantâneas, viajam na velocidade da luz. Cai um avião no Japão e, em questão de segundos, os noticiários do mundo inteiro já exibem imagens do acidente: as últimas palavras do piloto, vídeos dos passageiros... É o preço que pagamos por vivermos conectados.
Mas, falando nisso: até onde somos realmente independentes? Gostamos de estufar o peito e afirmar “não dependo de ninguém”. Até onde isso é verdade? Alguém fabricou este caderno, esta caneta, esta mesa, esta cadeira. Dependo dessas coisas para me sentar, escrever, dormir, escovar os dentes — e em tantas outras situações banais e repetidas da vida cotidiana.
O que seria de nós sem os lixeiros ou sem os coveiros? Claro, poderíamos voltar à moda antiga: cada um cuidando do seu morto, abrindo sua própria cova. E o lixo acumulado? Como descartaríamos? Cada um se viraria com o seu? Uso exemplos extremos apenas para mostrar que somos todos dependentes, mesmo propagando aos quatro ventos que somos livres e independentes.
O livre-arbítrio volta e meia vira assunto de mesa de bar, onde todos sabem quase nada e acham que o pouco que sabem basta para sustentar uma tese acadêmica. Falam bobagens sem parar, misturam assuntos, distorcem impressões e acreditam que, no fim, o bolo — mesmo bizarro — é apetitoso.
Santo Agostinho frequentemente aparece nessas conversas. Para ele, o mal não foi criado por Deus, mas é consequência do mau uso do livre-arbítrio: um dom que pode levar à busca de bens inferiores e ao afastamento da verdade e da salvação divinas. Mas até onde somos realmente livres para escolher?
Ou melhor: até onde nossas escolhas não nos criam problemas?
Acreditamos que podemos fazer o que quisermos, mas poucas verdades existem nessa máxima. Somos todos atrelados uns aos outros. Tudo o que fazemos gera uma reação em algo ou alguém. Vestimo-nos em função da relação com os outros — mesmo quando nossas roupas são um protesto. Tudo o que falamos busca uma reação, seja em momentos bons ou ruins.
Dizem que o silêncio é a melhor forma de protesto. Faz sentido: uma provocação sem resposta se perde, fica sem conclusão.
Então, por que, quando provocados, não conseguimos permanecer em silêncio?
Arrogância: orgulho desmedido, atitude excessiva, senso inflado de importância, sentimento de superioridade, desprezo pelos outros, falta de humildade e visão distorcida das próprias competências. Nunca pensei que encontraria tão facilmente uma definição tão completa do comportamento humano.
Por sermos arrogantes, sentimos que precisamos nos impor, mostrar que somos mais sábios ou mais importantes que aqueles que nos ofendem. Mas o silêncio, em certos casos, pode parecer submissão. Lembro-me de uma discussão com alguém tão teimoso quanto eu (ou até mais, o que é raro, mas existe). Nela, concluí com a frase:
— Vou ficar em silêncio. Isso não significa que concordo com você, apenas que qualquer palavra dita só prolongará um assunto que não me interessa.
Duro? Seco? Mal-educado? Talvez. Mas a ocasião exigia firmeza: a discussão já se estendia, os ânimos estavam exaltados, e nenhum dos dois tinha argumentos consistentes para prosseguir.
Existem assuntos — geralmente os mais debatidos — que talvez nem devessem ser abordados. Somos como técnicos de natação que mal sabem nadar “cachorrinho”, mas querem competir nas Olimpíadas sem aceitar que jamais chegarão ao pódio.
Conta-se que um pai e um filho caminhavam por uma estrada. O pai parou, encostou o ouvido no chão e disse:
— Vamos sair do caminho, está vindo uma carroça vazia.
O filho, curioso, perguntou:
— Como o senhor sabe que está vazia?
E o pai respondeu:
— Carroça vazia faz muito barulho.
Será que nós também somos carroças vazias?
Transparente
Como água escorro pelos dedos, sou "impegável", impagável, duro e ao mesmo tempo amável, respeito quem me respeita, os que não administro , não me aproximo, estou sempre á espreita.
sou como o cheiro do mato, da cachoeira, me irrito fácil, choro por qualquer besteira,
falo e faço muita asneira vejo o mundo nas entrelinhas, na vida que nunca se alinha, do amor que no colo se aninha, vivo a vida como se estivesse no fim da linha
ouço e analiso, se percebo falsidades me inviabilizo, fujo, procuro abrigo, talvez nunca tenha tido um amigo; daqueles de verdade, sem maldade, que mais doasse que pedisse, daqueles de verdade
saboreio a vida buscando paz, me doando ate demais, sou complicado, e ao mesmo tempo simples,
sou espelho, reflexo, se preciso anexo, quero que a vida seja percebida, pra você e pra mim.
E quando se da aquela vontade chorar?
Penso se é necessário por tudo isso passar,
São tantas coisas nas quais queremos conquistar,
Que esquecemos que a vida é o único propósito, na qual deveríamos pensar.
São tantos sentimentos que foram esquecidos,
Que acredito que deveriam ser restabelecidos.
Paulo Freire acreditava na importância de humanizar,
Mas observo que as pessoas tendem mesmo a se coisificar,
Reduzem-se ao valor de um simples objeto,
E não enxergam que isto está incorreto.
Quando percebemos que viver é diferente de existir,
Libertamos-nos de muitas amarras que nos leva a refletir.
Muitas vezes me pergunto em que mundo estou vivendo,
Onde as pessoas estão se perdendo,
Vidas tiradas em todos os lugares,
De crianças, jovens, adultos e milhares.
Mas o que venho aqui dizer,
Que não são as vidas que estão tendendo a morrer,
São “almas” de muitos infelizmente amaldiçoados,
Que se não for revertido perdermos o compasso,
E que se aqui e agora não for mudado,
Infelizmente, o contexto de existência humana será arruinado.
Na dança da vida, a morte é traiçoeira,
Surge sem aviso, sombria companheira.
Em dois velórios, dois diferentes cenários,
A dor, um elo entre tempos adversários.
Uma senhora de idade, 85 anos serenos,
Viveu sua jornada, partiu desse terreno.
Mas a dor entre os familiares é lógico que ainda persiste,
O vazio, a despedida, ninguém resiste.
No segundo cenário, a mãe da jovem, com 25 primaveras,
Grita alto, e, sua voz enche as esferas.
"Minha companheira", ecoa a aflição,
Um lamento que corta o coração.
Ao consolar, damos força e calor,
Abraços que acalmam a dor, o temor.
Mas no ir e vir, entre o consolar e o vencer,
Vejo o ciclo da vida se perder.
Pessoas focadas em metas diárias,
Enquanto a empatia se perde em rotinas diárias.
No caminho para consolar, a solidariedade se esquiva,
Entre a dor real e a busca incessante de uma vida ativa.
Escrevo, pois a alma chora em versos,
A dor,
o luto,
entre risos dispersos.
O Sol
Sol que em seu fulgor aquece!
Muita alma entristecida!
Seu brilho que lhe dá vida!
E a tristeza desvanece!
O dia nasce eclíptico!
Mãe natureza se sorri!
Nuvens brancas choram por ti!
Lua! que amor crítico!
Àh Sol lindo! quanto empenho!
Em tua feliz Lua sofrer!
Que chora e ri por te querer!
Por seu eclipse ferrenho!
Assim sofrem bem juntinhos!
Um do outro bem distantes!
Sonhando os dois amantes!
Chorando por seus carinhos!
Pérfido amor que descontas!
Tua raiva em quem te adora!
Como vão juntar agora!
Os sonhos que tu desmontas!
Sem resposta
Alma minha se existisse!
Ao nascer me foi levada!
Por Ele me foi tirada!
Sem me deixar consentisse!
Lerdos se são e senhores dão!
Por quem nos ousa comandar!
Se esfuma no sonho assombrar!
Pudor sem raíz seu condão!
Levita alvo o coração!
De véstia pura e capital!
Se liberta de todo o mal!
Prodigiosa a separação!
Na alvorada da vida!
A esperança me foi roubada!
Se não acredito em nada!
Só Ele conhece a medida!
Sou incrédulo? sim eu sei!
Mas tenho visão para ser!
Por tanto me vi já sofrer!
Do meu pensamento sou rei!
Se sou giro? sei bem que sou!
Não como eu gostaria!
Mais formoso fui um dia!
Até nisso me aldrabou!
E agora que faço ou digo?
Da minha alma desgarrada?
Se não me acredito em nada!
Alma penada é castigo?
O Sol e a Lua
Pairando se vai a Lua!
Docemente! sossegada!
Em seu trajecto constante!
Intrépido o Sol amua!
Deixando-a desconcertada!
Cala o brilho deslumbrante!
Lua de enredo! que apogeu!
Suavemente enlevada!
De apolo dueto amante!
Plena de “amor dor” estremeceu!
Perdida! de luz e achada!
Está tão perto e tão distante!
Àh meu Sol! meu astro belo!
Furacão adormecido!
Sonho lindo! radiante!
Me foras o meu degelo!
Sinto-me meio perdido!
Estranho amor meu dominante!
De seu amado ser sua!
Triste sonho apocalipse!
Anseia pela bonança!
Que vai ser da tua lua!
Esperando o eclipse!
Simbolo da sua esperança!
Sol amor puro sereno!
Teu calor minha energia!
Minha alma me suprimiste!
Quero beber teu veneno!
Finar-me só de alegria!
Pra sentir o que sentiste!
Insônia
Por que sempre na madrugada?
fria, vazia, gelada
alma tiatina desamparada
fraca, suja, surrada
e por um corpo de maus hábitos, dominada
Um café logo de vereda
esgote-se, entregue-se, ceda!!!
mas ela não se vai, sem que um remédio interceda
tranca, pára, veda
destruo meu corpo, e ele cobra na mesma moeda
Por que atrapalhas minha vida
insônia, ingrata, bandida
depois deixa aberta ferida
gordura, cigarro, bebida
sem sono como , fumo e bebo essa vida sofrida
É foda
anseia, chateia, incomoda
a morte agora seria uma mão na roda
cotrim, chumbinho, soda
mas acho melhor deprimir, afinal está na moda
Sou eu contra eu mesmo não preciso que ninguém me acuda
água benta, espada de são jorge, arruda
mas tenha fé em quem quiser Deus, Alá, Buda
não espere, não aguarde, não se iluda
pois nesse tipo de vida muito pouca coisa muda.
Exílios
Fechei-me em ti.Desfiz-me do segredo e da chave.Joguei-os no infinito.Não há um só registro.Nada escrito.De que possam revelar,não tenho medo.Fechei-te em mim.Segui o mesmo enredo,segredo,chave,registro,igual o rito,fiz sumir de vez.E,muito cedo,de ninguém encontrar,fiquei invicto!Eu em ti.Tu em mim.Acorrentados pelas algemas do amor.Perenizados.Eu escravo.Tu senhora e escrava,eu senhor.Eu em ti,tu em mim.Exilados na alma um do outro.Eternizados!Pois não é desse mundo o nosso amor...
Su...n.ê.to d.e.y...
Cara de Anjo, sofrido, mui doído;
Olhar cândido, meigo, triste e doce;
Buscando a sua luz, como se fosse;
À procura de um sonho, prometido;
A alvura lhe denota, a perfeição;
Ilusão do surreal, a procura;
Teimosa, de audácia e de candura;
Do seu risonho, tristonho coração;
Aventura, lhe acena com senão;
Lhe põe dia após dia a mesma mesa;
Sonhos seus, devastados pitorescos;
Do ar livre que lhe invade o pulmão;
Descarta a crueldade da incerteza;
Seus sonhos de criança principescos.
Perdão!
Razão se me perde, se a ti o devo;
Pla intenção esta, se te mal não desejo;
Com que razão nego, todo meu ensejo;
De ti, do teu fel e do teu desapego;
Extravasas de mim, o meu sangue a razão!
De tanto te amar, odiar-te me atrevo;
Bebido, esquecido, do teu travo azedo;
Desse bloco gelado, o teu coração;
Tal incongruência que me nega perdão;
Que de amor me disse, também me soava;
Em mim gravado a fogo, a doce magia;
Sem discernimento, me arremessa no chão;
Seu amor ardente, que me desejava;
Que não soa já, como dantes soía.
Covardia!
Amor meu!
Vem!
Vem consolar-me!
Como a um pisco, no aconchego da asa.
Necessito disso pra sobreviver!
Sem o qual morrerei de frio.
Do gélido frio da decepção que,
por mais que me tente livrar, não abandona a minha mão!
Meu pé! Minha razão!
A covardia me repugna e por vezes,
sou obrigado a sê-lo!
Às vezes sou temeroso de mim,
de perder as estribeiras e ultrapassar barreiras!
Coisa que faço frequentemente!
Tira de mim, da minha ementa!
O cinismo!
Que com mestria e
meias verdades, me não enfrenta!
São duras as palavras! Mas mais duro! É o que fica por dizer...
Se eu pudesse voar!
Se eu tivesse asas!
Batia!
Com mão pesada! Até que “ela” me doesse!
Nas casacas da justiça!
Se eu tivesse asas!
Batia!
Com mão pesada! Até que “ela” me doesse!
Na corrupção! Na boca enorme, dos políticos!
Se eu tivesse asas!
Batia!
Com mão pesada! Até que "ela" me doesse!
Na segurança social! Nas religiões!
Em prol dos pobres "Hebreus"! Seres simples! Explorados!
E ainda creem em Deus!
Se eu tivesse asas!
Batia!
Com mão pesada! Até que "ela" me doesse!
No dinheiro do mundo!
Que de tanto poder! Me amordaça e leva ao fundo!
Se eu pudesse voar!
Áh! se eu pudesse voar!!!
Subia à torre mais alta e
rebatia! O sino!
Com mão bem leve! Que cresce, que mina!
Para que o mundo
batesse!
Com mão bem pesada! Até que "ela" lhes doesse!
Nos direitos humanos! Inexistentes!
Supressor do mesmo mundo!
A CHINA!!!
Que as vozes se levantem! contra a falta de direitos humanos e a escravidão do século XXI.
Que por consequência, arruinará o resto do mundo!
Perdidos!
Chorava
copiosamente,
sua perda irreparável,
tudo o que mais desejava
naquele momento, era apenas esquecer
mas, não conseguia.
Quando uma mão suavemente, delicadamente,
pousou no seu ombro.
Choravam as mesmas dores, invertidas, sofridas, ele por seu perdido amor,
ela por amor dele. Ali ficaram,
juntinhos, afagando-se ternamente,
confortando-se mutuamente,
sem se aperceberem do passar do tempo.
De alma seca, olhos irritados, cansados das lágrimas
e da posição encolhida em que ficaram, sentados no chão de madeira,
já meio comida do tempo e do bicho, da velha casa em que viveram durante décadas.
Deu por si pensando, entorpecido, consumido de dor, de frustração,
refletindo, perguntando-se repetidamente, o porquê.
De ter perdido o grande amor da sua vida.
Olhou-a espantado! como se a visse pela primeira vez!
Aquela mulher doce, cheia de amor pra dar,
aquela que o deixara e o estava a amparar,
não a reconheceu, não! não podia ser a mesma!
A mesma que um dia lhe dissera, - Vai! sai desta casa! Não te quero mais aqui!
Ali estava ela, arrependida, carinhosa a pedir,
- Fica connosco, por favor, não sei viver sem ti, nós precisamos de ti!
Foi um bálsamo numa ferida aberta.
Beijaram-se, amaram-se ali mesmo no chão, não se ouvia qualquer palavra
só sussurros de prazer de calor.
A dor e o sofrer, deram lugar ao amor reprimido, esquecido, que regressou como um vulcão enfurecido.
Assim se perderam, sem ontem, sem hoje e sem amanhã,
só o agora conta, porque ontem já passou, hoje como acabará? e o amanhã, não se sabe se virá!
Então! e aquele grande, grande amor?
Que quase o fizera perder a vontade de viver?
Deixou de ter sentido!
O verdadeiro amor estava ali a seu lado,
a sua companheira de tantos anos, a mãe do seu filho.
Doravante tudo seria diferente.
Que estrada sinuosa esta, sem nexo,
sem medida,
quando se pensa que está perdida!
um atalho te faz tropeçar
e te devolve de novo à vida!
Só se dá valor ao que se tem! depois de se perder!
O impossível!
Escrevi teu nome,
no mar;
Com o ondular,
não se lia;
Escrevi-o, ao pé das estrelas;
Com elas!
Se confundia!
Escrevi-o na minha mão!
De minha mão,
me fugia;
Escrevi no meu coração!
Ainda sangra,
a gravação!
Perpetua-se o apogeu!
no triângulo, da:
Solidão!
Teu nome!
E eu...
