Cronicas de Jorge Amado

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Quando as folhas caírem nos caminhos,
ao sentimentalismo do sol poente,
nós dois iremos vagarosamente,
de braços dados, como dois velhinhos…


E que dirá de nós toda essa gente,
quando passarmos mudos e juntinhos?
- "Como se amaram esses coitadinhos!
Como ela vai, como ele vai contente!"


E por onde eu passar e tu passares,
hão de seguir-nos todos os olhares
e debruçar-se as flores nos barrancos…


E por nós, na tristeza do sol posto,
hão de falar as rugas do meu rosto…
Hão de falar os teus cabelos brancos…

Uns estudam por puro amor da ciência: é uma curiosidade ignominiosa;
Outros o fazem para alardear um renome de sábios: é uma vaidade vergonhosa;
Outros, ainda, estudam e vendem seu saber em troca de dinheiro e honras: é um tráfico vergonhoso;
Mas, há também os que estudam para edificar seu próximo: é uma obra de caridade;
Outros, finalmente, para edificar a si mesmos: é uma atitude de prudência.

A Flor e a Fonte

Vicente de Carvalho



"Deixa-me, fonte!" Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.
"Deixa-me, deixa-me, fonte!
" Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte...
"Não me leves para o mar".
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!...
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.
"Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr do sol;
"Carícia das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!...
" As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...

A brusca poesia da mulher amada (III)

A Nelita

Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja sido herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a bilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância já me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas... Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!

PRECE A NOSSA SENHORA APARECIDA
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, assim como foste achada no rio, pelos pescadores, que até então nenhum peixe haviam pescado e, depois de a encontrem, os peixes chegaram em abundância, suplico-lhe que mostre sempre o melhor caminho da vida a percorrer para mim, minha família e meus amigos, para que sejamos alegres, felizes, cheios de bondade. Proteja nossos corpos e nossas almas de toda maldade. Cubra-nos com seu manto de proteção em todos momentos em que passarmos por perigos. Derrame graças sobre nós. Nossa Senhora Aparecida rogai sempre por nós. Amém.

Equação para uma vida...

Tenho tanto para aprender e o tempo passa ora muito rápido, ora lento e penoso.

Por vezes gostaria de encontrar um atalho para saber mais sobre a vida, e admito, sem egoísmo, continuo a perseguir um significado para minha própria existência e isso tem um custo elevado, às vezes me sinto já sem crédito, usando uma forma onerosa de cheque especial, já sacando a descoberto.

Essa busca não é resultado de uma crise qualquer, é bem mais antiga, remonta à minha consciência, quando comecei a perceber que havia algo além do meu quintal.

Admiro as pessoas que conseguem viver e se preocupar apenas com o dia presente, que por si só, nesse tempo onde tudo é tão rápido e complexo, já é muito.

A equação, em tese, é simples:

Viver o dia de hoje + não sofrer antecipadamente + pensar menos + não guardar mágoas + admitir os próprios limites e os dos outros + indignar-se de maneira seletiva e encarar as boas batalhas + aceitar as paixões + uma boa dose de fé sem fanatismo.

Não há um mestre da vida modulando fascículos do que é viver, as escolhas que fazemos prevalecem.

Pensei um dia que sofria a vida, é difícil aceitar que seja assim quando se admite que apreender não é necessariamente sofrer.

É difícil de viver sem ninguém ao seu lado,
e a depressão entra em meu quarto,
ela me atormentar colocando uma vontade incontrolável de me matar,
as vezes começo a concordar,
não tenho motivos pra viver,
por quê meu Deus não vem me buscar?
Só te peço apenas isso me leve,
Cansei de sorrir com falsidade,
Mas meu olhar não esconde a verdade.

O maior obstáculo à formação superior da inteligência não está em fatores de ordem econômica, social, racial ou familiar, mas de ordem moral. Está naquilo que os gregos chamavam de apeirokalia; a falta de experiência das coisas mais belas. A alma que desde tenra idade, não seja exposta à visão de exemplos concretos de beleza natural, artística, intelectual, espiritual e moral, torna-se incapaz de conceber qualquer realidade mais alta que o topo das suas percepções corriqueiras.

Esse é o mal crônico da cultura nacional, sempre devota do irrelevante e cheia de despeito por tudo o que esteja acima da sua precária capacidade de compreensão.

O amor, a cada filho, se renova.
Mesmo no inverno, brilha a primavera…
E o coração dos pais, sedento, prova
O néctar suave de quem tudo espera.

Vai-se a lua, e vem outra lua nova…
Ai! os filhos… (e quem os não quisera?)
São frutos que criamos para a cova.
Melhor fora que Deus no-los não dera.

Frutos de beijos e de abraços, frutos
Dos instantes fugazes, voluptuosos,
Rosário interminável de noivados…

Filhos… São flores para velhos lutos.
Por que Jesus nos fez tão venturosos,
Para sermos depois tão desgraçados?

Ninguém é de ninguém...

A decepção está sempre se alojando em alguém
Que não sabe ver o sofrimento como fato inevitável
Quer prender tudo e todos, feito objetos num armazém,
E sem se dar conta adoece o que poderia ser saudável

Nessa maneira cega e insana de ir além,
Transforma qualquer relacionamento insuportável,
Pois ninguém é de ninguém
Somos livres e não controláveis

Para que isso não aconteça, existe um grande segredo,
Edifique-se sobre o rochedo,
Confiando em si, sem fazer do outro brinquedo

Mude, olhe para si, com generosidade,
Veja que tudo é passageiro, só fica a saudade
Dos momentos felizes que vivemos sem medo.

Talvez fosse melhor não falar dos teólogos, tão delicada é essa matéria e tão grande é o perigo de tocar em semelhante corda. Esses intérpretes das coisas divinas estão sempre prontos a acender-se como a pólvora, têm um olhar terrivelmente severo e, numa palavra, são inimigos muito perigosos. Se acasos incorreis na sua indignação, lançam-se contra vós como ursos furibundos, mordem-vos e não vos largam senão depois de vos terem obrigado a fazer a vossa palinódia com uma série infinita de conclusões; mas, se recusais retratar-vos, condenam-vos logo como hereges. E, mostrando essa cólera, chamando de herege, de ateu, conseguem fazer tremer os que não concordam com eles. Embora não haja ninguém que, tanto como eles, dissimule os meus favores, não é menos verdadeiro que me devem muito. Eis porque impus ao meu amor-próprio favorecê-los mais do que a todos os outros mortais, e de fato são eles os meus maiores prediletos.”
(Elogio da Loucura)

'Se eu encontrasse com Deus perguntaria
: Por que é que sofremos tanto quando viemos pra cá ? Que dívida é essa que a gente tem que morrer para pagar ? Perguntaria também como ele foi feito, que não dorme não come e assim vive satisfeito. Por que foi que ele não fez a gente do mesmo jeito ? Por que existem uns felizes e outros que sofrem tanto ? Quem foi temperar o choro e acabou salgando o pranto ?'

"Marxistas não ligam a mínima para a verdade porque acreditam que a única verdade é a do processo histórico, do qual eles próprios pretendem ser os condutores. É o pretexto mais elegante que alguém já encontrou para inventar a verdade a seu belprazer. Nunca a expressão 'donos da verdade' se aplicou tão perfeitamente. Fazem com a dita cuja o que bem entendem.
É difícil deixar de ser marxista porque o marxismo é um prazer narcisístico indescritível."

Balada do Esplanada

Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes de ir
Pro meu hotel.

É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada.

Eu qu'ria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel

No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
Do menestrel

Pra m'inspirar
Abro a janela
Como um jornal
Vou fazer
A balada
Do Esplanada
E ficar sendo
O menestrel
De meu hotel

Mas não há poesia
Num hotel
Mesmo sendo
'Splanada
Ou Grand-Hotel

Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Obras completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.

Confia sempre na ajuda divina.
Quando te sentires sitiado, sem qualquer
possibilidade de liberação, o socorro te chegará
de Deus.
Nunca duvides da paternidade celeste.
Deus vela por ti e te ajuda, nem sempre como
queres, porém, da melhor forma para a tua
real felicidade.
Às vezes, tens a impressão de que o auxílio
superior não virá ou chegará tarde demais.
Passado o momento grave, constatarás que o
recebeste alguns minutos antes, caso tenhas
perseverado à sua espera.

Para Melisso o ser deveria ser infinito - Parmênides dizia que o ser devia ser finito. Melisso defende o ser infinito porque ele não pode ter limites nem no tempo nem no espaço. Se o ser fosse finito ele teria que fazer limite com o vazio, o vazio é um não ser e é impossível que o ser seja limitado pelo não ser. O ser além de ser infinito é uno porque se fossem dois um deveria fazer limite com o outro e fazer limite significa limitar e o ser não pode ser limitado por outra coisa, mesmo outro ser. O ser não pode ter sido gerado pois se tivesse sido gerado ou se pudesse ter fim o ser seria finito no tempo, o ser seria limitado pelo tempo. O ser não pode ter vindo do nada nem pode acabar no nada, não pode ter início nem fim, ele vai além do tempo, nele o presente o passado e o futuro coincidem. O ser sempre foi é e sempre será.

O ser é também incorpóreo, mas esse incorpóreo não quer dizer que ele seja imaterial, ele tem que ser incorpóreo porque não pode ter uma forma e os corpos têm forma. Se o ser tivesse uma forma ele teria que ser limitado pois a forma tem limites e o ser não pode ter limites. Aqui Melisso novamente modifica a teoria de Parmênides, pois este acreditava que o ser era como uma esfera. O ser de Melisso não pode ter a aparência corpórea de uma esfera porque mesmo a esfera põe limite no ser e o ser é ilimitado. O ser é pleno e qualquer forma de vazio e nada não existem.

Melisso além de defender a unidade do ser defende também a imobilidade do ser contra a ilusão do mundo sensível que se apresenta como múltiplo e em constante movimento. O conhecimento sensível é falso e a prova disso é que ele demonstra ao mesmo tempo a coisa e a sua modificação mas se as coisas fossem verdadeiras elas não modificariam.
(de A Filosofia de Melisso de Samos)

Parmênides via as mudanças físicas que ocorrem no mundo como uma mistura onde participam o ser e o não ser, resultando num vir a ser. A mistura é feita pelo desejo e quando o desejo é satisfeito o ser e o não ser novamente se separam. O filósofo conclui assim que a mudança é uma ilusão. Somente existem o ser e o não ser, o vir a ser é portanto uma ilusão dos nossos sentidos.
(de A filosofia de Parmênides)

⁠Não se apaixone por saturno.

Ele vai te levar para asteroides, estrelas e infinitos, ele vai te beijar em cada lugar de beleza, para que nunca consiga passar por lá sem que lembre de seu sabor. Como um corte no lábio e o inconfundível gosto de ferro que tem o sangue.

Eu me apaixonei por saturno e fui destruida da maneira mais linda possível. Saturno te faz entrar no olho do furacão e finalmente entender porque os romanos deram seu nome ao mais poderoso e perigoso titã de sua mitologia, Saturno te faz entender porque tempestades tem nome de pessoas.

Me tornei Saturno, te levarei para conhecer ceus e universos distantes, te mostrarei as estrelas cadentes mais brilhantes e quando eu partir estarei tão marcado em ti que será impossível me esquecer.

Me obriguei a virar Saturno, por que conheci o destrutivo poder que o amor tem e sou inteligente, digo, medrosa o bastante para evita-lo

Nunca se apaixone por Saturno, porque assim como o titã ele é viciado em poder.

Nunca se apaixone por mim, porque sou Saturno e assim como o planeta estou muito distante do sol e da terra. Assim como o planeta não vivo com apenas uma lua.

Me aguarde, estarei aí em pensamento. Deixa eu tocar sua alma com a superfície da palma da minha mão. Sou mulher, sou livramento, sou doce, sou lua, sou do mundo e sou tua. Sou anjo, sou guerreira, sou princesa, domo dragões, sou fada, sou bruxa, sou adulta e sou criança.
Sou entre flor e nuvem. Sou a calmaria duma tarde silenciosa, num tempo tão distante. Sou sorriso e sou lágrimas, sou amor e esperança. ( Eliani Oliveira )

Espera

Sou fraco quando não vejo quem sou
E entrego os pontos antes de lutar
Mas sou forte quando vejo nos que amo
E que me amam
Que não deixam a batalha ser entregue
Se ainda tenho forças pra lutar

Sou fraco quando escondo a minha dor
E desisto, antes mesmo de tentar
Mas sou forte quando ergo a minha cruz
E sigo a luz
De mil olhares me dizendo com seu brilho
Estamos prontos pra ajudar

Quando o meu coração
Rendido a dor desacredita que pode lutar
Que o tempo da coragem
No passado se escondeu
E o fracasso agora é certo
E não há nada que se possa
Mais fazer

Vem outro coração
Olha em meus olhos,
Me convence que não é o fim
Se a vida fechou portas, outras novas vão se abrir
E até mesmo o soldado de coragem
Tem direito de ter medo
E de chorar

Chora meu coração
Quem foi que disse que chorar te tornará menor
A dor que agora choras cedo ou tarde florirá
Pois a dor é uma semente de alegria
Que não tardará brotar!