Crença
A ciência pode explicar como uma crença se forma sem precisar decidir se aquilo em que se acredita é metafisicamente verdadeiro.
O Direito protege a liberdade de crença justamente porque não possui competência para decidir, por todos, as questões últimas da existência.
Quando o absurdo conquista a consciência como verdade, a violência encontra na crença uma autorização para agir.
Quando o absurdo deixa de ser questionado, a crença pode transformar o impossível em ordem e a violência em dever.
A ciência não humilha a fé; humilha apenas a pretensão de transformar uma crença em evidência e uma evidência em dogma.
Entre a fé que admite sua natureza de crença e o dogma que exige ser tratado como evidência existe toda a distância entre humildade e poder.
A neutralidade do Estado não é ausência de valores; é a recusa de transformar uma crença particular em obrigação universal.
Uma crença pode parecer verdadeira; o conhecimento começa quando somos capazes de explicar por que acreditamos nela.
O desejo de acreditar em algo pode explicar uma crença, mas jamais constitui, por si só, prova de sua verdade.
A religião pode oferecer sentido, consolo e orientação moral; o problema começa quando a crença pretende transformar sua verdade particular em medida obrigatória da consciência alheia.
Quando o Estado transforma uma crença em verdade oficial, a liberdade deixa de ser princípio e torna-se concessão.
Fé que não é questionada, não é fé. É manutenção da mentira. Da crença que sabe ser incerta, e pela incerteza o questionamento apavora. Quem tem certeza, não tem medo de ir mais fundo, nem de mudar, afinal, se for real, ainda que mude em algum aspecto, o estudo, o questionamento não fará nada além de confirmar a sua tese. Se tivesse certeza, isso não seria um problema.
- Marcela Lobato
A crença que ultrapassa a evidência pode alcançar o céu da esperança, mas não deve chamar de conhecimento o caminho percorrido.
A crença religiosa de uma pessoa é fortemente influenciada pelo ambiente em que ela nasce.
E essa constatação é filosoficamente desconfortável.
Porque, se alguém acredita que recebeu a única verdade absoluta simplesmente porque nasceu dentro daquela tradição, deveria fazer uma pergunta bastante incômoda:
“Se eu tivesse nascido do outro lado do planeta, dentro de outra família, eu estaria igualmente convencida de que a religião que considero verdadeira hoje é verdadeira?”
Talvez sim.
Talvez não.
E nós simplesmente não temos como fazer esse experimento com a própria vida.
Guias de uma crença de desgraças temporárias, e as mentalidades se tornam trevas de verdadeiras amarguras constatadas. Ilusões nos passes espirituais, e a realidade se torna distorcida. Mesas que revelam tais doutrinas, mas as constelações não parecem perdidas. Falsidades em uma encenação teatral, onde as falas não demonstram o lado pessoal.
Dúvidas relativistas, mas as escolhas são de uma crença separatista. Informações desnecessárias, e mais uma árvore foi derrubada. Análises de todo um contexto, mas a hereditariedade não tem apresso. Críticas que se sobressaem sobre uma vida, onde a coletividade não foi descrita. Mas esperamos os(as) escriturários(as), na esperança de uma assistência socialista. Porém confundem alfaiataria com moralidade expressiva, e assim perdemos uma história de vida.
