Covardes
"A provocação gratuita é o refúgio dos covardes que não suportam o silêncio da própria insignificância."
Niilismo é a ideologia dos covardes que preferem adorar o nada a ter coragem de construir algo do nada.
O cinismo é a armadura dos covardes; é muito fácil fingir que nada importa para nunca ter que arriscar nada pela verdade.
Não há interesses mais confusos e covardes quanto aos que confundem amor com carência, e acabam após saciados.
Porque o Amor Verdadeiro não se esgota quando a fome é saciada — ele nasce justamente quando o outro deixa de ser remédio para a solidão e se torna companhia na inteireza.
A carência só quer preencher um vazio; o amor, transbordar!
Quem ama pela falta, consome, desgasta e até usa o outro.
Quem ama por plenitude, compartilha o que tem de mais inteiro.
Por isso, é tão fácil ver relações que começam com tanta intensidade e terminam em silêncios tão ensurdecedores — eram tão somente gritos de necessidade disfarçados de afeto.
O amor não almeja saciedade, mas sim, permanência.
Os Covardes e Arrogantes são especialistas em guerra palavrosa: lutam nas Narrativas e Bravatas, sempre na esperança de convencer os tolos a se lascar por eles.
É um tipo de combate extremamente curioso, porque dispensa coragem e, muitas vezes, até coerência.
Basta uma “boa” retórica, um punhado de frases inflamadas e a habilidade de transformar conflitos complexos em slogans simplificados.
Nessa arena, não se exige a presença de quem convoca a luta — exige-se apenas a adesão de quem está disposto a acreditar.
A covardia se protege atrás da multidão; a arrogância se alimenta dela.
Enquanto uns inflam discursos, outros são empurrados para as trincheiras — simbólicas ou reais.
E assim se constrói uma dinâmica perversa: quem menos arrisca é, quase sempre, quem mais exige sacrifícios.
Os arquitetos dessas guerras raramente aparecem quando chega a conta.
Preferem permanecer na confortável distância de suas convicções barulhentas, observando de longe o estrago que suas palavras ajudaram a provocar.
Porque, para eles, o campo de batalha nunca foi o lugar onde se paga o preço — é apenas o palco onde se convence alguém a pagá-lo.
Talvez por isso a prudência seja uma virtude tão subestimada em tempos de tantos gritos.
Pensar antes de aderir, duvidar antes de marchar, desconfiar antes de se indignar — tudo isso parece pouco heroico para quem foi seduzido pela estética da guerra.
Mas quase sempre é assim que se evita morrer, ou viver quebrado, por batalhas que nunca foram realmente suas.
Se os Covardes lutassem as guerras que planejam, certamente o mundo já teria encontrado a Paz.
Há uma distância muito confortável entre desejar o conflito e encarar suas consequências.
É nesse intervalo que muitos se escondem — inflamam discursos, alimentam rivalidades e espalham certezas, mas jamais se colocam na linha de frente daquilo que defendem com tanta convicção.
A guerra, para esses, é sempre uma ideia… nunca uma vivência.
O problema é que palavras também ferem, inflamam e mobilizam.
Quem planta o ódio, mesmo à distância, terceiriza a dor para outros corpos, outras famílias, outras realidades.
A covardia não está apenas em fugir do confronto físico, mas em instigar batalhas sem assumir qualquer responsabilidade pelo rastro medonho que deixam.
Talvez a paz não seja tão inalcançável quanto parece — talvez ela seja apenas sabotada por aqueles que preferem o conforto da retórica ao peso da realidade.
Porque quem conhece de perto o custo de uma guerra dificilmente a romantiza.
Quem sente na pele o impacto da destruição não a trata como solução.
No fim, verdadeira coragem não está em lutar, mas em evitar a luta quando ela pode ser evitada.
Está em conter o impulso, em desarmar o discurso, em recusar o papel de incendiário em um mundo que já arde demais.
Se todos fossem obrigados a sustentar, com o sacrifício da própria vida, as guerras que desejam — ou escolhem —, talvez descobríssemos algo essencial: a maioria dos conflitos nunca teria começado.
Como podemos ser covardes conosco mesmos
e nos ater a uma subserviente ignorância
onde há uma obrigatoriedade que acorrenta,
que machuca e só oprime nossa capacidade,
como se fosse os enganos uma prioridade,
que o universo divino sempre conspira afavor,
porque um "deus" irreal e alucinante inferiu,
em palavras escritas no códice de um tempo,
que devemos nos afundar e depois nos afogar,
como um sérvido e pacato pescador de ilusões,
no fosso negro de uma fé legada em absurdos,
que nos cega e nos conduz em vias dolorosas,
rumo a um surreal e sutil "paraíso eterno"!
Almany Sol - 28/09/2012
Corvos covardes se corromperam se unindo aos abutres.
Invadiram no romper da aurora, minhas terras onde moro.
Ataques violentos incessantemente devastavam as esperanças semeadas
O espantalho não os intimidava, pois os aliados lhe garantiam impunidade.
Nas terras vizinhas o mesmo mal se abatia.
Em terras distantes com perdas enormes foi possível os afugentar.
Tal exemplo foi seguido por poucos que não suportaram a humilhação.
Mas não tiveram a mesma sorte, pois aqui sequer havia munição apenas coragem.
Nossos irmãos foram aniquilados sem piedade.
Alguns nem mesmo podem ser velados por ocultação de cadáveres.
Coube o tempo adubar o solo para as gerações futuras.
Ainda hoje somos obrigados a acatar uma determinação do Ministério da Agricultura...
É terminantemente proibido caçar corvos.
E na televisão os abutres ostentam seu poderio
Ausentei-me de mim!
Assim fazem...
Aqueles que não sabem sentir dor...
Os covardes alheiam-se e mascaram-se nas frestas da indiferença...
Assim, eu ausentei-me de mim!
Sem coragem de fitar nos olhos da minha fraqueza...
Fiz-me imortal...
