Corpo e Mente Nietzsche
Acredito que nunca estarei completamente satisfeita com a política, nem me passa na mente isso!
As mudanças em si, necessitam do descontentamento para os feitos progressivos.
O contentamento, como a fé cega em algo qualquer, só é um caminho viável, para nunca se ir adiante.
Sou prisioneiro dos meus pensamentos.
Dentro da minha mente, a dor se repete em ciclos infinitos, como se cada lembrança fosse uma cela reforçada, sem grade visível, mas impossível de escapar. Tento lutar contra
a voz interna que insiste em rotular cada segundo como tortura, mas percebo que só reconhecendo e acolhendo esses pensamentos posso começar a libertar-me.
Talvez eu seja transgressor da minha mente, sendo infesto com minha existência. Sinto-me invadido por pensamentos que me repelem, como se minha própria consciência fosse inimiga, uma traidora que me enche de dúvidas sobre o direito de continuar existindo. Essa sensação de infecção mental corrói meu senso de identidade, questionando se ainda há algo de puro em mim para resgatar.
Quando minha mente se perde, ainda que por breves instantes, os pensamentos se tornam lâminas que cortam por dentro. No silêncio que a noite veste, o tribunal interno desperta, cada lembrança de derrota, uma acusação sussurrada, condenando meu valor, pedindo que me renda à sombra. É um ciclo que me aprisiona, uma dança de espectros onde a vigilância torna-se escudo e lança, uma vigília eterna para deter o veneno antes que ele corrompa o último lampejo de luz.
Nos dias cinzas, a chuva é meu eco frio, um sussurro da cachoeira que conheci, onde mente e céu choram juntos, e a tristeza vira um abraço silencioso.
As noites me desfazem devagar.
A mente, inquieta, tropeça em pensamentos longes.
No escuro, o piano sussurra e cada nota, pesada e só, parece chorar comigo. Na ausência do sono,
a música me embala como quem
cuida de uma dor antiga.
Quando a mente falha… sinto-me naufragar em um mar espesso, sem bússola, sem voz, sem ar. A depressão… um inimigo invisível, feito neblina que invade os pulmões, correntes que enlaçam a língua, um eclipse que apaga toda clareza. Não é o mundo que enfrento… é um labirinto dentro de mim, onde cada passo afunda, cada pensamento vira eco distorcido, e a esperança… se esfarela como poeira em mãos trêmulas.
Tomar remédios é andar sobre um fio. Cada comprimido é um pacto, uma promessa de silêncio na mente, mas também o risco de naufragar mais fundo. É um mar instável, uma química que tenta domar os monstros, mas às vezes os alimenta. Vivo entre marolas e calmarias artificiais, tentando não me perder no balanço frágil do que chamam equilíbrio.
Se alguém visse o que pulsa na minha mente, me acolheria em silêncio e guardaria minhas lágrimas como a promessa de dias melhores.
Minha mente é uma máquina que não perdoa, funciona em silêncio, mas nunca repousa. Arquiva dores com precisão cirúrgica, como se cada ferida fosse sagrada. Não esquece, não apaga, apenas acumula. Faz da mágoa um mapa, do trauma, um relicário. E cada lembrança mal curada vira engrenagem, girando sem fim no escuro.
O único remédio que faço uso é laxante vez ou outra. E olha que interessante: quem mente sobre a minha vida evacua até pela boca.
A mente trancada
Com um cadeado de aço maciço
Onde a chave é de papel
Como a leveza da liberdade
Não entendida.
