Corpo e Mente Nietzsche

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Sigo, mesmo que as pernas tremam, o corpo vacila, mas o espírito ruge, erguendo-se contra o abismo.

A disciplina foi o músculo que treinei, quando nem eu acreditava, a prática falou, agora o corpo do ofício é robusto.

Conheço a fome, do corpo e da alma. Uma seca os ossos, a outra esvazia o coração. Que nunca encontrem morada em mais ninguém.

Há quedas que não ferem o corpo, mas abrem a alma para o que é eterno.

Meu coração vigia mesmo quando o corpo dorme, pois sabe que a visão da ausência é a pior das tormentas no silêncio da noite.

O corpo cansa, mas a alma só se exaure quando a fé na mudança se torna mais leve que o peso do passado.

A alma só descansa quando o corpo se rende à vontade da Fé.

Recomeçar é a prova biológica e espiritual de que a alma tem mais vida do que o corpo pode suportar.

O corpo é um instrumento, a alma é o músico que tenta encontrar a harmonia.

O corpo é a casa da alma, e a música é a reforma que a mantém viva.

O corpo guarda um manual de guerras antigas. Lá estão listadas derrotas que ninguém lê, exceto eu. Cada cicatriz é uma frase do diário que o tempo esqueceu. Volto a esses capítulos com os dedos, procurando cura no toque. E descubro que a linguagem da cura é pequena: atenção e tempo.

A coragem, às vezes, é apenas levantar o lençol. Encarar a madrugada com o corpo nu de expectativas. Reconhecer o medo como companheiro e não como carrasco. E, no degrau mais baixo, abrir a janela para o vento. Porque o vento passa e limpa o excesso de nós.

A saudade não é a ausência de um corpo, mas a presença fantasmagórica de um tempo que não se resigna, é a memória
em brasa, o passado que se recusa
a ser apenas pó.

A alma é a verdade nua que não conhece o ardil nem a mentira, o corpo é o mensageiro de carne que, através da dor e do prazer, é forçado a traduzir sua fala. É preciso aprender a escutar o corpo para compreender a linguagem da sua essência mais profunda.

Meu corpo já desistiu muitas vezes, mas minha alma nunca. Ela conhece caminhos que a dor não alcança. E quando tudo parece perdido, é ela que me puxa de volta ao fôlego. Esse fôlego é Deus, o resto é sobrevivência.

Quando chego ao limite, finjo que não sinto o frio. O corpo anestesia, a alma não, esta última é outro animal. Ela late na escuridão, pede por pão e silêncio, e eu aprendo a oferecer o pouco que tenho: o meu tempo.

O corpo fala em dialetos estranhos: tremores, ruídos, calafrios. Os médicos catalogam os sintomas, eu invento histórias para eles. Entre a ciência e o sentir, escolho o que me dá abrigo, uma xícara, um acorde, o barulho de passos que não me deixam sozinho.

Meu corpo guarda mapas que o coração não entende. Há estradas marcadas a ferro por decisões alheias. Caminho por elas com cuidado para não me perder. Algumas curvas trouxeram paisagens inesperadas. E agradeço por cada uma, por mais áspera que seja.

Há palavras que se escondem no bolso justo da memória. Aparecem só quando o corpo precisa de consolo. Algumas são duras, outras acariciam a garganta. Se pudesse, as colocaria em moldura e as olharia todas as manhãs. Seria um museu íntimo de pequenas verdades.

A Caneta, o Corpo e o Andar

Dizem que, quando a pessoa se aposenta, a caneta começa a falhar. Não quebra de uma vez, não. Primeiro falha o traço, depois a tinta rareia, até que um dia a caneta já não escreve mais ordens, assinaturas, decisões. E, curiosamente, quando a caneta para, some também a gaveta onde ela ficava guardada. Tudo perde lugar.
A aposentadoria, se não for cuidada, é isso: um esvaziamento silencioso. Não do tempo , porque tempo sobra , mas do sentido. A pessoa deixa de ser chamada, deixa de ser consultada, deixa de ser necessária. A caneta seca.
Isso é importante para a cognição, pois, quando a caneta se perde, perdem-se também os sentidos da vida vivida. É quando, junto com ela, a pessoa perde o corpo. Disso entendo um pouquinho como médico ortopedista . Perde o andar. Perde o gesto simples de se manter bípede, de ir e vir, de ocupar espaço no mundo. O movimento é o primeiro idioma da vida. Antes de falar, a gente se move. Antes de escrever, a gente anda.
A Organização Mundial da Saúde alerta: quem se aposenta e se desliga do mundo vai morrendo aos poucos. Não é uma morte súbita, é um afastamento progressivo , do convívio, do corpo, da conversa. Uma aposentadoria mal vivida não termina no trabalho; começa ali.
Por isso, quando a caneta seca, o essencial é não sentar para sempre. É manter-se bípede e funcionante. É estar junto de quem ainda tem caneta , não para depender, mas para compartilhar. A proximidade com quem escreve mantém a cognição viva. A convivência mantém o corpo em movimento. O diálogo mantém a pessoa inteira.
Talvez a sabedoria esteja em aceitar que a caneta pode mudar de mão, mas nunca desaparecer. Que escrever ordens pode virar contar histórias. Que assinar papéis pode virar assinar presenças. E que, enquanto houver passo, palavra e encontro, ninguém está realmente aposentado da vida.