Conversa
Naquele momento.. Pela primeira vez na minha vida... Senti que estava tendo uma conversa de verdade com outras pessoas.
- Blue Period
E se?!
Hoje for o último dia...
Último momento...
Último abraço...
Última conversa...
E se você não tiver mais chance de pedir perdão?
E se amanhã o futuro virar passado?!
E se?!
E se?!...
Você viveu o suficiente?
#TARDE
Secretamente, entre a sombra e a alma...
O ocaso da vida...
Uma conversa entre recordações...
E cerveja gelada...
Separando o ontem do amanhã...
Pode ser o tempo de nossa felicidade...
Vivo entre formas luminosas e vagas...
Aqui estou eu...
Minha temporaridade...
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas...
Caminhos foram ecos e passos...
Deleite meu...
Acho que tenho tudo que quero...
À sombra de coqueiros...
Sandro Paschoal Nogueira
E Mãe Brinca?
Passei uma semana em um resort e, no penúltimo dia, vivi uma conversa muito especial.
Havia um tipo curioso de pessoas que permanecia à beira da piscina, quase imóvel.
Não podiam molhar o cabelo, mantinham sempre um penteado impecável, óculos de sol e chapéu.
Reclamavam da água quando estava quente e também quando estava fria.
Reclamavam do sol e, curiosamente, da sua ausência.
Pareciam seguir um mesmo padrão social e filosófico,como se existisse uma maneira correta de aproveitar a vida.
Eu percebia muitos olhares sobre mim, mas um deles chamou minha atenção.
Aproximei-me e disse:
— Oi!
Nenhuma resposta.
Ela me observava.
Às vezes com admiração, às vezes como quem observa algo completamente fora do comum.
Perguntei seu nome, mas não obtive resposta.
Ela me seguia com os olhos, aproximava-se e se afastava, até que finalmente criou coragem e perguntou:
— Você trabalha com o quê?
— Sou professora.
Ela pareceu surpresa.
— E professora brinca?
— Brinca.
— E professora nada?
— Nada.
— Quem é esse menino?
— É meu filho.
Então vieram as perguntas que mais me marcaram:
— E mãe brinca?
— Sim.
— Mãe nada?
— Sim.
— E mãe mergulha?
— Eu mergulho.
— E mãe usa o espaguete para nadar?
— Eu uso.
Sorri e perguntei:
— A sua mãe não faz essas coisas?
Ela respondeu com toda a sinceridade:
— Não. Nem meu pai.
Eles só sentam, conversam, me olham e depois subimos.
Fiquei em silêncio por alguns segundos.
— Entendi. Mas você pode brincar com a gente.
Quantos anos você tem?
— Tenho quatro anos.
Naquele instante, percebi que, para algumas crianças, o mais extraordinário não é um brinquedo novo, uma piscina enorme ou uma viagem inesquecível.
Às vezes, o que mais desperta encantamento é descobrir que os adultos ainda sabem brincar.
Que mães mergulham.
Que professoras nadam.
Que pais podem rir sem motivo.
E que crescer não deveria significar abandonar a alegria de viver.
Última Conversa — Paulo Fernando | Menino Confuso
Você foi o amor mais intenso que eu já vivi, mas, ao mesmo tempo, aquele que mais me magoou.
Nunca pensei que a nossa história terminaria assim. Durante meses, pensei em te escrever, em tentar descobrir se ainda existia algum sentimento em você por mim, mesmo sabendo que você já estava com outra pessoa. Porque eu te amei. E nem sabia que era capaz de amar alguém dessa forma.
Hoje, não te amo como antes, mas ainda guardo com carinho as boas memórias que construímos. As ruins, eu perdoei. Não porque deixaram de doer, mas porque não quero mais revivê-las.
Nunca imaginei que conseguiria apagar as nossas conversas. Fiquei sete meses preso a elas. Foi mais fácil me desfazer de tudo o que você me deu, de tudo o que fazia lembrar você. Mas aquelas mensagens… nelas eu sempre encontrava um pedaço de nós, e era nelas que eu permanecia preso. Até hoje.
Comecei a sentir vontade de encerrar tudo quando percebi que ver você olhando as minhas coisas já não me afetava como antes. O teu sorriso já não trazia a luz que um dia iluminou os meus dias. E, se eu já não sentia mais necessidade de olhar a sua vida, também não fazia sentido continuar deixando uma porta entreaberta para que você observasse a minha. Foi por isso que apaguei tudo.
Chorei.
Chorei porque foi a história mais bonita que eu já vivi. Cada momento ao teu lado parecia pura mágica. Mas, ao mesmo tempo, também foi o meu maior pesadelo.
Naquele dia, na praia, na nossa última conversa, foi como se cada palavra sua fosse um soco. E pensar que foi justamente no mar, no nosso primeiro encontro, que eu me apaixonei por você. Terminar tudo exatamente onde tudo começou foi um choque difícil de explicar.
Mas a dor da despedida foi ainda maior.
Naquele instante, eu olhei para você completamente ferido e disse adeus. Você sorriu. Até hoje não sei se era nervosismo, indiferença ou deboche. Só sei que doeu. Porque, mesmo naquele momento, eu ainda estava aberto para você.
Sempre foi você quem eu quis.
Eu só queria entender você um pouco melhor. Também queria que você tentasse me compreender. Mas não aconteceu. E, mais uma vez, eu me perdi dentro de um amor que não encontrou o mesmo caminho de volta.
Hoje, quando apaguei as nossas conversas, não foi porque deixei de reconhecer a importância da nossa história. Foi porque entendi que algumas lembranças precisam permanecer apenas na memória, e não mais na tela de um celular.
Você sempre fará parte de um capítulo importante da minha vida. Um capítulo que me ensinou a amar com toda a intensidade que eu tinha, mas também a entender que nem todo amor foi feito para permanecer.
A dor não desaparece de uma vez. Ela aprende, aos poucos, a morar em um lugar onde já não controla os nossos dias.
E, finalmente, hoje, esse ciclo acabou.
— Paulo Fernando | Menino Confuso
## Capítulo XXII
# A Conversa Depois
Durante vinte anos acreditara que o encontro seria o fim da espera.
Descobriu que era apenas o início de outra forma de tempo.
Saíram da cafeteria sem combinar destino algum. Heidelberg permanecia envolvida pela serenidade discreta das cidades que aprenderam a conviver com os séculos. As ruas estreitas conservavam o rumor distante do rio, e o vento da primavera movia lentamente as copas das árvores como se também ele tivesse decidido caminhar sem pressa.
Nenhum dos dois parecia disposto a romper o silêncio.
Não porque lhes faltassem palavras.
Mas porque certas presenças exigem primeiro o reconhecimento da realidade antes de aceitarem a linguagem.
Durante duas décadas haviam conversado através de livros, críticas, perguntas e ausências. Agora precisavam aprender uma tarefa infinitamente mais difícil.
Estar um diante do outro.
Foi Ariadne quem sorriu primeiro.
— Você continua caminhando como quem pensa.
Ele riu.
— E você continua observando como quem escreve.
Ela abaixou os olhos.
— Nunca deixei de escrever.
— Eu sei.
— Como sabe?
— Porque ninguém pensa dessa maneira sem escrever em algum lugar.
Ela não respondeu.
Apenas continuou andando ao lado dele.
Jantaram num pequeno restaurante às margens do Neckar. A conversa atravessou a literatura, passou pela música, alcançou a filosofia e, pouco a pouco, abandonou todos esses territórios para chegar ao único assunto realmente importante.
A vida.
Ela contou dos anos dedicados à universidade, dos alunos que lhe devolveram a esperança quando o mundo parecia definitivamente entregue à superficialidade. Falou dos pais, das perdas, das amizades interrompidas pelo tempo. Confessou que relera *O Cadafalso* muitas vezes, mas que a cada leitura encontrava um homem diferente escondido entre as páginas.
Ele ouviu mais do que falou.
Havia esperado tanto por aquele encontro que agora descobria não possuir qualquer urgência.
A realidade finalmente dispensava a imaginação.
Quando saíram, a cidade já estava quase vazia.
Caminharam sem destino.
Como duas pessoas que sabiam exatamente para onde desejavam ir e, por isso mesmo, não tinham pressa de chegar.
Foi ela quem interrompeu novamente o silêncio.
— Você imaginou este encontro?
Ele sorriu.
— Todos os dias.
Ela baixou a cabeça.
— Eu também.
— E aconteceu como imaginou?
Ela demorou a responder.
— Não.
— Melhor ou pior?
Ela voltou-se para ele.
— Melhor.
Porque a imaginação sempre exagera.
A realidade apenas existe.
Continuaram caminhando.
Chegaram ao apartamento dela já perto da meia-noite.
Havia livros por toda parte.
Partituras sobre o piano.
Uma xícara esquecida sobre a mesa.
Nada parecia preparado para receber alguém.
E exatamente por isso tudo parecia verdadeiro.
Ela abriu uma garrafa de vinho.
Serviu duas taças.
Sentaram-se diante da janela.
Conversaram durante horas.
Não sobre o amor.
Mas sobre aquilo que o amor permite compreender.
Em determinado momento, ela aproximou lentamente a mão da dele.
Não havia hesitação.
Havia reconhecimento.
Ele segurou aqueles dedos com a delicadeza de quem recebe de volta alguma coisa que acreditava definitivamente perdida.
O beijo aconteceu sem qualquer urgência.
Não pertencia ao desejo.
Pertencia ao tempo.
Naquela noite fizeram amor como duas pessoas que já haviam aprendido que o corpo não serve para vencer a solidão.
Serve apenas para lembrar que a alma também precisa de abrigo.
Depois permaneceram deitados.
Nenhum dos dois demonstrava vontade de dormir.
A chuva começava a bater contra a janela.
Foi Ariadne quem quebrou o silêncio.
— Durante vinte anos imaginei uma única pergunta.
Ele voltou o rosto.
— Qual?
Ela sorriu.
— Sobre o que conversaríamos depois?
Ele fechou os olhos por um instante.
Depois respondeu quase num sussurro.
— Descobri que passei vinte anos procurando essa resposta.
Ela esperou.
— E encontrou?
Ele olhou para o teto.
Depois para ela.
— Sim.
— Qual é?
Ele sorriu com uma serenidade que nunca conhecera.
— Descobri que, quando duas pessoas finalmente deixam de pertencer à memória e passam a pertencer à realidade, qualquer assunto se torna extraordinário.
Ela apoiou a cabeça sobre seu peito.
Durante muito tempo permaneceram ouvindo apenas a chuva.
Lá fora, o mundo continuava exatamente o mesmo.
As guerras continuavam.
Os jornais continuavam mentindo e dizendo a verdade ao mesmo tempo.
Os homens continuavam perseguindo poder.
Nada havia mudado.
Exceto uma pequena vitória invisível.
Depois de vinte anos, o pensamento finalmente encontrara a realidade.
E, pela primeira vez desde a tarde distante na Baviera, nenhum dos dois precisou imaginar o futuro.
Bastava viver a noite.
Conversa simples e humilde é fácil e muito objetiva, porque tem a qualidade de uma comunicação compreensível.
INCERTA
Queria tanto um dia sentar numa mesa com você, jogar conversa fora, tomar uma cerveja ou o que você gostar, sem hora, nem compromissos, sorrir, falar... de amor, de tudo ou do quê for... Olhar profundamente em seus olhos, enxegar a tua alma, a tua beleza, ver o teu sorriso e a tua calma... Será isso uma coisa incerta? Sim! Eu bem sei! Isso não passa das vontades de um Poeta, que só queria, isso, não passa de poesia...
Relacionamento não sobrevive só de beleza nem só de conversa.
É atração + clareza — sem isso, não dura.
Quão terrível e paralisante é toda conversa de predestinação, de um decreto de Deus, pelo qual tudo o que vai acontecer já foi estabelecido desde toda a eternidade. Existe algo mais devastador para a liberdade e a realidade de decisão do que essa ideia de que tudo foi predeterminado?
Era muito comum encontrar cristãos, sempre que se encontravam em qualquer lugar, em vez de conversar, caiam de joelhos em oração.
O esforço de prestar atenção na conversa enquanto o pensamento é o desejo viajavam nas infinitas possibilidades no banco do carro.
