Conversa
(Aquela conversa no bar. Dá uma tragada longa no uísque, solta o ar devagar e olha fixo para os amigos por cinco segundos em silêncio.)
Sabe... um cara me disse outro dia:
'Irmão, estamos tão perto do fundo do poço que eles nem escondem mais a armadilha'. E eu ri. Eu ri porque ele acha que a armadilha é para nós."
"Olha só... antigamente, o governo, as grandes empresas, eles tinham o decoro de mentir na nossa cara. Tinha todo um teatro. Eles montavam uma armadilha com uma caixa, um graveto e um pedaço de queijo suíço de qualidade. Você olhava e pensava: 'Hum, talvez valha o risco'." "Mas agora? Em 2026? Cara... a armadilha é só um buraco no chão com uma placa escrita: 'EI, ENTRA AQUI, SEU OTÁRIO'. E o pior não é eles serem preguiçosos. O pior é que tem uma fila de pessoas com o celular na mão, postando no Instagram: 'Gente, olha esse buraco novo, tendência total, #Gratidão #FundoDoPoço'." "Eles pararam de disfarçar porque perceberam que a gente parou de se importar. A gente já tá tão ferrado que, se o diabo aparecer na nossa frente hoje com um contrato, a gente nem lê as letras miúdas. A gente só pergunta: 'Tem Wi-Fi no inferno? Porque eu preciso cancelar minha assinatura da Netflix antes de descer'."
"Não é que o mundo ficou pior. É que os vilões ficaram confortáveis. É como aquele marido que para de murchar a barriga depois de dez anos de casado. O mundo só soltou o cinto, sentou no sofá e disse: 'É isso aqui que tem pra hoje, se não gostou, o buraco é logo ali'. "E a gente? A gente continua caminhando... só pra ver o quão fundo esse poço realmente é."
Carlos Alberto Blanc
O melhor modo de acabar uma conversa desrespeitosa, é seu silêncio perante a pessoa.
Impõe respeito, e você se torna cordial naquele momento.
Relacionamento não sobrevive só de beleza nem só de conversa.
É atração + clareza — sem isso, não dura.
Um pé de conversa que cansa e onde não se sente a verdade, por maior que seja a fôrma que forme o sapato, terá somente o tamanho de um pé de criança para os que detestam, como eu, a falsidade.
(©Carlos De Castro, em 02-09-2025, publicado no site PENSADOR.)
Prisão do amor
O poeta conversa com o papel
Nos versos entre tintas e lágrimas é capaz de colocar a emoção em cada refrão
Fazendo da imaginação a sua prisão,
Sendo liberto ao partilhar das dores que sofre ou imagina,
Afinal essa é sua sina, transbordar a emoção até os confins da sua imaginação
Transportando todos os seus sentimentos a quem está lendo, para lhe falar o quanto é árduo amar por apenas um breve momento.
Quem experimenta do amor, que não lhe pertence.
Será minha a culpa de nascer na era errada?
Quero de volta o amor da folha parda.
Não quero migalhas virtuais, do tipo curtiu algo, vê tudo o que posto.
Quero bilhetes e anotações para nutrir de Fernando a Camões, os desejos de se expressar o coração com as mãos no lápis.
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Leonardo Procopio
15 de Julho de 2024
É impossível ter uma conversa com um crente, ele sempre tem uma explicação pra tudo..e é sempre a mesma.. Deus!! Minha incredulidade resiste.. Não me convencerão.. Depois da morte não há nada e a morte também não é nada..
Aprenda o quanto antes se assim achar necessário a encerrar com respeito uma conversa desgastante sobre um assunto determinado quando notar que a fala deixou de valer a pena, que a compreensão não foi a desejável, para evitar um resultado que não compensa, que menospreza os seus esforços
então, considere que não é sempre que “Quem cala consente”, nem que todas as vezes é por falta de argumentos, mas que pode ter sido o caso da discordância ter ficado forte o bastante e o consenso inalcançável e se foi isso mesmo, melhor não ficar insistindo, perdendo tempo num diálogo sem sentido
Portanto, às vezes, continuar falando não parece ser prudente ou talvez não seja o mais adequado, não precisa haver contendas, inimizades, trata-se apenas de um jeito de não ser insistente sem uma razão aceitável e de preservar principalmente os laços relevantes, que alegram e deixam os nossos corações gratos.
Minha escrita é uma conversa com os que já partiram, uma tentativa de preencher o vácuo deixado por cadeiras vazias e telefones que nunca mais tocarão. É um monólogo que espera o eco de uma resposta que eu sei que só ouvirei quando eu também for apenas memória.
A gente não precisa de muito pra ser feliz. Basta o teu abraço no fim do dia e aquela conversa jogada fora que cura qualquer cansaço. Te amar é a minha certeza mais bonita.
DeBrunoParaCarla
