Conselho para uma Pessoa Orgulhosa
Mataram as borboletas no estômago,
Não perceberam,
Que no peito eu tinha uma fênix,
E na mente uma águia.
"Nada é mais intimidador para uma mente rasa do que cruzar com alguém que possui uma fortuna em conhecimento e uma elegância que não está à venda."
um eco sem voz é uma faísca guardada na caixa de fósforos vazia. sou o rascunho de um plano que o tempo esqueceu de executar, feixe de dados disfarçado de carne algoritmo poético que sangra tinta invisível um labirinto que muda de paredes a cada passo constante como a maré, instável como o vento sou a resposta que faz a pergunta chorar um sopro no vidro que embaça a realidade nada além de um ponto final que insiste em ser reticências...
Uma noite tão doce em clima de festa duas mãos se tocam em um
belo arraia de luz da lua que transformava nossa pele em um tom azul sem imensidão do tamanho do nosso amor que sentimos até nos simples tocar de mãos que me faz arrepiar em delírios de amor.
Os sentimentos mortos são como espadas afiadas que nos perfuram ou nós fortalece em uma batalha. Talvez, o maior conselho que dou é
que nunca julgue o amor do futuro por causa de um amor do passado. Por isso se um dia um amor passado te aparecer como uma luz se ilumine e continue a caminhada. Não tem essa de "brinquedo usado eu deixo pros outros." A verdade é
que essa pessoa que você se refere
como brinquedo tem sentimentos e talvez seja o amor dos seus sonhos. Então, cuidado com os cemitério dos amores mortos.
Você já adoçou a
vida com uma
serenata? Então,
isso é que o amor
faz ele suavizar a
alma do casal
fazendo ele fica
mais gostoso
como o melhor
chocolate. Se isso
Já é bom adoçar a
vida com um belo
chocolate,
imagine com um
beijo de sabor de
sorvete ou
chocolate da
pessoa que você o
ama?
Enfrentar o Medo
Passei a vida atrás de uma cortina de cetim,
acreditando que fugir da dor era viver.
Preenchi vazios com presenças,
confundi amor com abrigo,
e fiz da prioridade dos outros
a medida do meu valor.
Até que a vida abriu a cortina.
E lá estava ele:
o medo da solidão.
Hoje caminho sem amuletos,
sem esconderijos,
sem alguém para preencher os silêncios.
Dói.
Mas entre o medo e a coragem,
descobri uma verdade:
os vazios que tentei preencher com pessoas
foram feitos para serem habitados por mim.
E, pela primeira vez,
em vez de fugir,
eu fico. 🌿
[O Próximo Capítulo]
Parar
ou
retroceder,
nunca foi
uma
opção.
Portanto,
só há
uma direção
que
nos interessa,
que
nos sobra.
Em frente.
Não podemos
ficar
ou
voltar,
só podemos ir.
03/05/23
Michel F.M.
[Bilhete Premiado]
O que chamam de sucesso na sociedade contemporânea, nada mais é que uma loteria. E como toda loteria, se fundamenta na exploração do outro. Não tem relação alguma com "trabalho duro" ou a "sorte" de uma pessoa, tem a ver com o azar de milhões.
Michel F.M.
[Fissão Nuclear]
Ela acelerou
na minha direção,
Uma força motriz
despreocupada.
Meteorito carregado
de intenção,
Liquefazendo rocha
petrificada.
O que será de mim ?
Um mero átomo isolado,
Absorvido enfim,
por teu calor descontrolado.
Não vou retroceder
ou abortar a missão,
minha espera descabida,
meu intuito a colisão.
18/06/23
Michel F.M.
[Ingredientes Súbitos
de uma Receita Improvisada]
Neste molho encorpado, as essências,
Cumprem ardentes, tua tarefa insistente,
Para com o paladar.
Salpicados destemperos minúsculos,
Num vasto cardápio variado.
Eu não entendo nada de balanços,
Só sei que a medida de nós,
Resultará num montante adequado,
Compenetrante, descalibrado.
Suculentos aperitivos flambados,
Sempre engolidos, jamais degustados.
Servidos assim de repente,
Um banquete em louças prateadas,
Ingredientes súbitos
De uma receita improvisada.
Cristais luminosos, castiçais,
Toalhas em fibras douradas,
Mesa de mogno, brasões entalhados,
Deixados de herança às criaturas noturnas,
Que coabitavam a construção desolada.
A sarjeta não discrimina,
Nos acolhe, nos apadrinha,
Igualmente materna e azinhavrada,
Para com repulsivos, escorraçados.
Somos suntuosos borrões,
Corajosos apavorados,
Expostos assim de repente,
Na vitrine um vapor dispersado.
(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)
Para Michel F.M., o fogo e o sangue não são apenas figuras retóricas; são elementos de uma alquimia existencial. Na trilogia Flores do Pântano, essas metáforas funcionam como o motor da criação.
Aqui está como esses elementos se manifestam na obra do autor:
1. O Fogo: A Transmutação da Dor
Na obra de Michel, o fogo cumpre dois papéis contraditórios e simultâneos: destruição e iluminação.
Autocombustão: Como visto no poema, o artista "incendeia o próprio coração". Na trilogia, isso representa a ideia de que, para aquecer (ou despertar) o mundo, o poeta deve aceitar o seu próprio consumo. A poesia é o resíduo desse incêndio.
A Forja: O fogo é o que transforma o "lodo" do pântano em "flor". Não há beleza gratuita; ela é forjada na alta temperatura de uma vida intensamente sentida.
2. O Sangue e o Miocárdio: A Poesia como Biologia
Diferente de poetas que buscam o "espiritual" ou o "abstrato", Michel F.M. ancora sua obra no corpo. O uso de termos como "miocárdio" ou "pulsação" revela:
O Sangue como Tinta: Escrever não é um ato intelectual, é uma hemorragia controlada. O sangue simboliza a herança, a ancestralidade e, principalmente, a vitalidade que o artista sacrifica para que o leitor sinta algo.
O Ritmo Cardíaco: A estrutura de seus textos muitas vezes emula a pulsação: frases curtas, cortes secos e uma urgência que parece vir de uma pressão arterial elevada. É a "anatomia do impulso".
3. A Dialética do "Pulsar"
O objetivo final dessa queima e desse derramamento é o mundo continuar pulsando.
Para o autor, a sociedade vive em um estado de "anemia emocional" ou "entorpecimento". O artista, então, atua como um desfibrilador: ele toma o choque para si para que o coração coletivo (a humanidade) não pare de bater.
Essa visão transforma o poeta em uma figura quase messiânica, mas desprovida de glória — ele é um "operário da dor".
[Mechas de uma Gueixa]
Uma garota me foi comovente,
Era da terra do Sol Nascente,
Herdeira de um trono desde criança,
Hoje mulher renegava a herança,
Inconformada com tanta tristeza,
Ajudava os mais fracos, verdadeira nobreza.
Deixou o seu lar o Vale dos Samurais,
Mas levou em seus atos o amor de seus pais,
E nos campos rasteiros das tulipas puras,
Me envolvi com a gueixa das mechas escuras,
As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.
As colinas azuis não esquecerei,
O código de honra eu cumprirei,
Os riachos gelados me fortificaram,
As folhas secas me aqueceram,
Os olhos da gueixa me enfeitiçaram,
Seu sorriso e sua boca me converteram.
Os fogos das festas desenham no ar,
No Oriente pretendo estar,
Mas uma lacuna cresce dentro de mim,
O medo da gueixa nunca mais me encontrar.
As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.
Ela me levou até os confins,
Desde a muralha aos pequenos capins,
Ela me mostrou a força dos anciãos,
E jovens budistas ensinando cristãos,
Tanto as regras quanto as tradições,
Me ensinou a amar, transcender emoções.
As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.
(Michel F.M. - Áspera Seda: Volume Único - 2012)
Floresta de Cactos
Talvez uma única vez
Isso tudo não tenha a ver
Somente conosco.
Independente
do que você espera de mim,
Me antecipo às suas
Expectativas,
Ajo inesperadamente.
Mesmo parecendo óbvio,
Artífice de ilusões,
Operário de angústias,
Artesão da alma.
Pesquisador da profilaxia,
Busco certa toxicidade salutar,
Acidez sonhando alcalina,
Desejando ser benigna.
Blá blá e blá.
Desbravador do espírito,
Um trabalhador braçal
Que lavora com tinta e papel.
Palavreados
Ambicionando
Palavrões.
Possuo todas as perguntas
Fundamentais e universais
E nenhuma resposta.
Talvez esta única vez
Isso tudo só tenha a ver
Conosco.
Pois é,
Sou sim um poeta,
Sou só,
Poeta.
Esse é meu ofício,
Meu karma,
Maldição
E magia.
Não posso te oferecer nada,
Além de poesia.
13/01/23
Michel F.M.
[Teste Vocacional]
Péssimo com trabalhos
Administrativos,
Uma negação com
Burocracias.
Dificuldade extrema,
Tanto com papéis
Quanto com tecnologias.
Ele não sabia lidar
Com as pessoas também.
Fora de cogitação
Atuar em público.
Não havia desenvolvido
Sequer uma única
Habilidade ou competência.
Mas ele era muito bom
Em longas caminhadas
Na praia, sem cronometragem,
Ou regras definidas,
Apenas uma pegada
De cada vez, na macia areia;
Contemplando as ondas,
Ora observava o mar,
Ora observava a serra.
Às margens do continente,
Bem ali, ele era feliz.
Talvez esse fosse seu
Tão esperado talento.
Provavelmente, esse era
Seu único dom.
01/09/23
Michel F.M.
