Conselho para uma Pessoa Orgulhosa

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Poema do solito.


Sou assim, tenho muy pouco,
por sinal, quase nada;
me basta uma payada
num galpão ao anoitecer,
vendo uma estrela se perder,
quase se apagar na coxilha.
Eu, deitado na encilha,
com cheiro do colorado,
o candeeiro enfumaçado,
pendurado no travessão,
que sustenta a velha quincha,
apertada como sincha
na coberta do galpão.


Minha cama é um catre,
pelego é o meu colchão;
e nas noites de invernada
tenho a alma abrigada
e amadrinhada no xergão.
Por vezes, no imaginário,
nessa coisa de solidão,
penso em outros tempos
enquanto sopra o vento,
assoviando no oitão.


Nesse silêncio velado
de campo e alambrado,
quase no fim da pampa,
donde o gaúcho é estampa
que mantém a tradição.
Quis assim o destino:
que eu, paisano e fronteiriço,
índio, guasca mestiço,
fosse guardião destas terras.
A tropilha, o gado que berra,
o tarrã no banhado,
o quero-quero entonado
no ofício de posteiro,
desconfiado do orneiro
que segue barreando o ninho,
pra não terminar sozinho
igual este rude peão.


Não quis china nem cria,
mas me contento solito:
companheiro, o mate, o pito
e o colorado que fiz pra mim.
Enfrenei, domei e, por fim,
vivo nele enfurquilhado.
Às vezes vou ao povoado
ou no bolicho da ramada,
onde se junta a indiada
pra carpeta, algum bichinho…
E o meu pingo, ao relincho,
me espera na madrugada.


Renato Jaguarão

Se o seu "VALOR" for uma conta bancária recheada de $$$$, você não tem "VALOR", você tem "DINHEIRO"! $$$$$

Abro o livro como quem abre uma cela
e a gramática entra com chaves de prata.
"Existo", diz o guarda. Eu assinto e, sem notar,
já aceitei que existir é estado.


Pergunta primeira, feita em voz de ponte:
quem fala quando digo "eu"?
Ato que cintila ou coisa que permanece?
Nomear é pôr moldura onde só há clarão.


Repito: penso.
E o verbo, inquieto, não se deita em camas de mármore.
Ele passa. Ele acontece.
O sujeito que o monta é aparição, não peça de museu.


No jogo de linguagem, a regra é simples e feroz:
"existir" cobra documentos de continuidade,
pedem-se sinais de reidentificação,
pedem-se cicatrizes que atravessem anos.


Mas o pensar não traz carteira;
traz pulso.
A cada batida ele inaugura um quem,
um rosto-em-ato que se desarma com o próprio eco.


Olha a armadilha:
quando digo "existo" após "penso",
troco o brilho pelo bloco,
confundo faísca com minério.


Se existir é ser algo, dize que algo és sem congelar o rio.
Dize quem retorna intacto do atravessamento.
A palavra "eu" acena, mas não garante o passageiro;
é índice, não monumento.


Releio e o leitor que sou me contradiz com elegância:
cada leitura me inventa um autor anterior.
Logo, o eu que decide entender é posterior ao entendimento,
e o entendimento, anterior ao eu que o celebra.


A gramática faz truques.
Transforma atos em estados, eventos em essências.
É ventríloqua do ser:
põe voz de mármore no que é água.


Heráclito entra, enxuto:
o nome é margem, o ser é curso.
Quem bebe duas vezes no mesmo "eu"?
Quem devolve a gota ao desenho antigo?


Então aperfeiçoo o silogismo como quem desarma um dispositivo:
se penso, há presença sem propriedade,
há comparecimento do sujeito-em-ato,
há luz que não promete estátua.


Daqui não se segue substância,
segue cena.
Não se prova o dono, prova-se o surgimento.
O cogito é bilhete de entrada, não escritura do terreno.


E se me pedem definibilidade, aponto o necrotério das narrativas:
o corpo já cessou, logo o relato pode fixá-lo.
No arquivo, sim, há estados;
na vida, há verbos.


Portanto, conduzo-te pelo corredor das palavras
até a célula onde "existo" queria trancar o ato.
Abro a porta pelo lado do uso e deixo o ar entrar:
o que havia ali era só o brilho do acontecimento.


Conclusão, escrita na água com letra firme:
penso, logo apareço.
Sou em ato, não como estado.
Cogito, ergo fluo.


– Daniel A. K. Müller

Que o seu dia seja lindo como esse lindo buquê!
Apesar de ser virtual eu dedico a você!
Pra uma mulher linda e poderosa, + cheia de espinhos,
Charmosa como uma rosa merece todos os meus Carinhos!⁠

Um dia você vai descobrir que só se aprende perdendo, não uma vez, mas várias vezes.

Siga a todos e depois filtre o que for necessário, assim você terá feito uma seleção harmoniosa.

Coisas boas vem para pessoas que tiveram uma grande idéia de mudança.

Tu que transmutas o veneno em cura,
O ódio em paz, o peso em leveza,
Faz de mim uma torre tão pura
Que a maldade desista, por fraqueza.
Rodeia-me, chama sagrada,
Com tua dança silenciosa e viva,
Queima o rancor, a palavra lançada,
Purifica cada alma que me cativa.
Purifica o que chega de fora,
Antes que fira, que brilhe, que mude.
Faz de nós a chama que ora
E não esquece da própria virtude.

Você me ensinou o amor de uma forma tão profunda, que agora sou grato por tudo o que eu aprendi sobre amar.

Aqui e Agora

Uma melodia antiga, suave,
traz de volta a infância:
o tênis da moda,
a mochila que brilhava no recreio.

Dizem que já vivemos
o melhor da vida—
e hoje, por um instante,
isso quase faz sentido.

Mas talvez seja só o olhar
que mudou de lugar,
o mundo continua,
nós é que crescemos.

Resta o presente,
esse instante que pulsa.
Futuro, passado?
Deixo ao vento.

Só importa este agora,
e o que os outros pensam
eu jogo fora.

O fracasso é uma forma de vitória.

Ele potencializa o progresso.

Fracassando, um caminho fracassado a menos a ser seguido.

É uma honra servir e proteger a sociedade com o privilégio de ostentar na alma o orgulho de ser policial militar.

⁠Uma espada fere a todos, mas só fere mortalmente os mais fracos.

Vencer no xadrez de forma convencional é uma conquista, mas triunfar com criatividade e movimentos brilhantes é transformar a partida em uma obra de arte.

Pensamentos do Barão


A diferença entre crentes e ateus é uma só: ateus não acreditam em nada, crentes acreditam.

Quando a sua bondade se torna uma arma contra si,
Não deixe de ser bom,
Apenas mude o destinatário da sua bondade

O maior valor de uma mulher não está nas suas curvas, e na sua beleza exterior,
Mas sim ao caráter que vem de dentro do seu interior!
Uma mulher linda e uma mulher inteligente,
Isso e que te torna uma pessoa atraente!

Achava que era uma forma de amor!

Porém, o amor verdadeiro não desaparece, não se finda.

Crença era de que era real, até que me deparei com muitas falsidades.

Nunca considerei que fosse uma ilusão, dado que parecia tão clara diante de mim.

Não era amor, já que o amor é compreensivo e não prioriza a si mesmo.

Não era, pois o amor envolve colaboração e troca.

Não era, pois quando é amor, sempre encontramos maneiras de resolver quase tudo, já que o amor é capaz de enfrentar qualquer desafio.

Acreditei que fosse, mas estava errado, porque quando é amor

Não se apaga

A ilusão se desfez e revelou a verdade.

O que pensei ser amor não era mais do que um reflexo de meus próprios desejos.

Mas aprendi que o verdadeiro amor é paciente, não busca interesses próprios e tudo suporta.

É parceria e reciprocidade, um equilíbrio que fortalece e não destrói. Agora, com essa experiência, posso reconhecer o amor verdadeiro quando ele aparecer. Já apareceu, você!

Honrar a saúde é honrar a vida e cuidar uma ciência sagrada.

Sou uma criança que envelheceu


Eu sempre quis meus brinquedos
mesmo que velhos e quebrados fossem.
Sou apenas uma criança
num corpo exausto de velho
que não resiste a uma boa gargalhada
sou assim mesmo...
(uma criança cheia de sonhos)


OLIVEIRA, Marcos de. Sou uma criança que envelheceu. In: OLIVEIRA,
Marcos de. Tristeza por Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 16.