Condolências de Falecimento

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O show já terminou
atrasado você chegou
o vento já ventou
o sol já brilhou.

Agora é realidade
passaram vilas e cidades...
arrumei a mala e parti
de esperar você desisti....

O show já terminou
o que era pra ser...
nem começou
agora já estou de partida
e agradeço
pelo que você não fez na minha vida.

Inserida por RosangelaCalza

Despeço-me agora...
vou embora.

Em boa hora dirão alguns
não vá embora dirão outros.

Degradada, desamparada
aniquilada... não sou mais nada.

Entristecida com o que me presenteou a vida
magoada com quem me tirou a vida.

Despedida...

é de lágrimas e dores
que são feitas as partidas.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Dor

Não importa o quanto eu grite
O quanto eu implore por socorro
Ninguém vai me salvar
Não importa o quanto dói
Não há remédio que
faça a dor parar
Estou em um beco sem saída
Apenas rastejando
pelo caminho
Tentando sobreviver

Inserida por Sheilatinfel

Pandemia
⁠Tempo de tristes partidas
doídas
sem despedidas
vidas
virando
histórias
escritas
na nossa memória...

⁠Cada vez, tenho mais certeza de que tudo na vida é relativo...
Hoje, por exemplo, senti que somente a tristeza da partida, pode proporcionar a alegria que sentirei no retorno.

Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.

William Shakespeare

Nota: Trecho da peça "Muito Barulho Por Nada", de William Shakespeare.

Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te.

A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande.

Roger Bussy-Rabutin
Histoire amoureuse des Gaules. Paris: Garnier, 1868

DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mario Quintana
Espelho mágico. Porto Alegre: Ed. Globo. 2005

Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão. Poderá morrer de saudades, mas não estará só.

Amyr Klink
Livro: Cem dias entre céu e mar

O amor calcula as horas por meses, e os dias por anos; e cada pequena ausência é uma eternidade.

John Dryden
Amphitryon: a Comedy. London: J. Bell, British Library, Strand, 1792.

METADE

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro
libreto da peça “João sem Nome”. 1975

Nota: Música "Metade". A autoria do texto tem vindo a ser erroneamente atribuída a Ferreira Gullar.

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O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente...

Mario Quintana
Poesia Completa

Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.

Mario Quintana
Mário Quintana: poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005.

O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.

Fernando Pessoa

Nota: Trecho de poema do "Livro do Desassossego", de Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa).

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Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

A ausência apaga as pequenas paixões e fortalece as grandes.

Para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças?

Trocaria a memória de todos os beijos que me deste por um único beijo teu. E trocaria até esse beijo pela suspeita de uma saudade tua, de um único beijo que te dei.

Um único ser nos falta, e fica tudo deserto.