Concreto
Aqui
No pé da serra eu construí o meu barraco
Fugi da correria,
Da selva
De concreto e cimento armado,
De valores forjados,
Onde animais indomados se corroem,
Se autodestroem
E morrem aos poucos.
No pé da serra eu vou viver em harmonia
Vou ver brotar a luz do dia,
Sem cortina de fumaça,
Sem medo de arruaça,
Sem essa de internacionalizar.
Aqui o viver é bem melhor,
Os animais se respeitam,
Não respeitam horários
Nem têm regras para seguir.
Aqui tem cheiro de mato,
Flor no regato,
Tem lírio e colibri.
Aqui tem vida, sim.
A língua falada é o viver,
Viver melhor,
Viver melhor.
Aqui não tem televisão,
Nem globalização,
Morte no asfalto,
Mãos para o alto,
“Isso é um assalto”,
Dá-me o teu dinheiro e a tua roupa,
És um prisioneiro nessa vida louca,
Na selva,
De concreto e cimento armado,
De valores forjados,
Vive condenado a vegetar.
Marcos Decliê
Algumas pessoas não entendem que por mais que o concreto e o asfalto arda no sol eles não são quentes, e que por mais que a sombra de uma árvore seja fresca ela não é fria.
No solismo, a ideia não é somente indicar o que é concreto e o que é abstracto, mas sim compreender a filosofia do ser como humano e como divino.
O amor concreto
endureceu minhas artérias
entupiu meus capilares
um fluxo parado mapeando veias tortuosas
– Fibrilação amor
(a gente vive pq sangra)
Eu rezo todo dia por uma falha sistêmica
mas você incentiva contrações involuntárias
O AMOR QUE SE REFAZ
Amor é coerente e concreto.
Hoje, me acompanha a plenitude
e a certeza nova:
esse sentimento presente
cura a alma
e acalma o peito,
carícia a carícia,
quando permanece e se fortalece.
Florescem promessas vivas
na boca de quem diz “eu te amo”:
bálsamo nítido, perceptível.
O amor é verdade disfarçada de ternura,
cheia de uma bondade clara
que fortalece a alma atenta
de quem acredita no possível.
É o sentido do afeto,
o toque que transforma amargo em âmago,
o calor que aconchega por dentro
na elevação serena do sentir.
Esse bendito existe
e restaura.
E quando chega,
firma-se no vento
como teia sólida de criação.
A quem confia no real,
brota o descanso da paz,
a esperança que revigora,
o horizonte que acolhe cada palavra doce
em nome de um amor-luz,
que pulsa existência.
É caminho gentil,
promessa que se cumpre ao nascer.
Eu acredito no amor
pois sempre sobra
quando o desejo se transforma
e revela a beleza da verdade.
O constante amor,
simples e edificante,
é o que mais fortalece a alma,
convertendo ruínas em sonho.
É a verdade que se sustenta entre nós
quando vivem a lealdade e a confiança.
Primeiro concreto,
depois eterno,
depois cura.
Problema e solução;
Naquilo que é CONCRETO, é CIÊNCIA.
Problema e solução;
Naquilo que é ABSTRATO, é CRENÇA.
Na nossa história, algumas páginas são pesadas como concreto. Algumas são escritas com sangue em vez de tinta; às vezes, enquanto estamos escrevendo alguém bate na nossa mão, pois escrevemos essa história com outras pessoas. A nossa história é longa, certamente não está no começo e não sabemos como nem quando ela acaba; não sabemos o que é vírgula e o que é ponto final. Continuamos um caminho que já nos precede, já que não começamos nossa história pelo primeiro capítulo. Nesse trajeto — muitas vezes caótico e sem direção — temos algumas pistas que nos fazem repensar. Nessa história, há muitos apócrifos, fragmentos e rascunhos aos quais provavelmente nunca teremos acesso.
O meu Cerrado!
Não tinha concreto,
não tinha aço,
era só caminho,
era só espaço.
Corria livre
pelo cerrado,
buscando o céu,
o sonho alado.
Não tinha o aço,
não tinha a grade,
só céu infinito,
só liberdade.
Tudo era lindo,
era encantado,
o mundo inteiro
me foi dado.
Corria feliz,
sem ter direção,
seguia a trilha
do coração.
Não tinha preço,
não precisava,
porque a vida
era de graça.
Derby Paulista
O estádio é um coração cercado de concreto, bate em verde e em preto, em branco e em fé.
Cada canto é uma veia pulsando promessa, a cidade inteira prende o fôlego no apito inicial.
No gramado, a bola é um sol inquieto, ora foge, ora queima nos pés apressados.
As chuteiras escrevem versos na grama curta, poesia suada, rasgada, impossível de ensaiar.
As arquibancadas viram mar revolto,
ondas de gritos quebrando no mesmo cais.
Bandeiras são pássaros em guerra no vento, e cada gol é um trovão rasgando o céu paulista.
Quando o jogo acaba, a noite cai em silêncio estranho, como depois de uma briga entre irmãos.
Mas o derby fica — cicatriz e lenda —
gravado no peito da cidade que nunca dorme.
Clássico paulista
Palmeiras
O Palmeiras é floresta antiga que aprendeu a vencer o concreto.
Raiz profunda, tronco firme, folhas que não caem nem quando o tempo castiga.
Quando o vento sopra contra, ele range — mas não quebra.
É verde que cresce em silêncio e, de repente, toma tudo.
São Paulo
O São Paulo é torre erguida no meio da cidade, olhando o jogo de cima.
Tem a calma de quem conhece a própria história e a frieza do mármore.
Não corre atrás do caos: espera, calcula, decide.
Quando vence, parece simples — como se sempre soubesse o final.
Corinthians
O Corinthians é rua cheia, grito rouco e punho fechado.
Não entra em campo sozinho: carrega um povo nas costas.
Joga como quem apanha e responde com o coração antes da razão.
É fé que não explica, só empurra.
Santos
O Santos é mar aberto, menino descalço e bola leve.
Joga sorrindo, como quem aprendeu cedo a conversar com o impossível.
Revela talentos como ondas revelam conchas.
Quando toca a bola, o futebol parece lembrar de onde veio.
Se quiser, faço mais cifrado, mais épico, ou puxo pro lado romântico-nostálgico — do jeito que você gosta de lapidar poesia.
Se o teu coração há tempos
entrou no modo concreto,
sou como Pau ferro - não temo,
Na muralha escrevo poesia,
e por nenhum segundo tremo.
Sei o que o meu amor é capaz
de fazer inteiro por dentro,
no momento que beijo os olhos,
E ensino a olhar para o céu
neste tempo que furta sonhos.
Se não está preparado para ouvir,
e tampouco para sentir - irei seduzir,
e colocarei no ponto para sentir,
onde os meridianos estão a nos unir.
Ainda que você esteja desatento,
estarei entrando nos teus poros
com o meu manso e ribeiro cortejo,
e se renderá com fina gala e festejo.
Quando o mundo parece ruína, lanço sementes de promessa nas fendas do concreto. Não me contento com o “menos-mal” trabalho para que o bem floresça realmente.
Minhas palavras são pontes, não muros, para que o outro encontre abrigo e seja visto. A cada gesto, reivindico a grandeza que habita no simples, um olhar, um toque, uma ponte. No silêncio que resiste, descubro a força de quem escolhe erguer, em vez de apenas sobreviver.
Há flores que só florescem no concreto da dor e a beleza delas é a prova de que a vida sempre encontra um caminho.
meu amor é de pedra
tem cheiro de concreto
e olhos de moça virgem
é branca, é negra
deixa a vizinhança toda ouriçada
quem nela entra, nela deseja ficar
meu amor tem nome e sobrenome
aí que saudades de Montes Claros
Sim! Sim! Sim! 1000x Sim!
Dizem que o amor só é concreto quando existe o perdão, mas perdoar é esquecer?
Não! Não!, Não! 1000x Não!
Depois que você se esbarra nas imperfeições do outro, depois que você conhece o seu pior lado, o lado grosseiro, mal educado, genioso, intolerante, egoísta, bagunceiro, traidor, cafajeste, ou qualquer outro defeitinho de fábrica você diz a si mesma com todos os defeitos dele ou dela eu aposto neste relacionamento, esse defeito dá para conviver, o amor faz a gente aceitar o outro como ele é, faz a gente parar de tentar em vão mudar o outro, aliás eu já aprendi que não consigo mudar ninguém. A convivência faz com que você conheça o outro sem máscaras, sem cores, sem beleza e também te faz conhecer a si mesmo com as duas faces da moeda.
A confiança nunca deve ser perdida, acho que se a confiança se perder, o relacionamento Mórreu. As pessoas são mais seguras e interessantes se confiam no parceiro, se se sentirem livres para confiar e estabelecer vínculos sem fragilidades, sem insegurança, sem posse. A insegurança nos deixa com imaginação fértil, nos faz andar em terrenos movediços, a desconfiança nos deixa "certos" sem critérios.
Vejo muitos casais numa relação 80x20, numa relação 100x0 ou 90x10, essas relações não são eficazes, porque numa relação tão desigual um é superior ao outro, um é impositor e quando eu sou maior, melhor sou intolerante, sou mandão, sou machista ou feminista, quero tudo do meu jeito no dia, na hora e no lugar, não sei ser contrariada, quebro barreiras, crio pontes, um do lado de cá e o outro do lado de lá. A falta de tolerância me faz não suportar os defeitos do outro, faço do meu sentimento a minha verdade, quero o outro do meu jeito, com zero defeitos, com 100% de qualidade.
Eu já me envolvi inúmeras vezes em desonestidades afetivas, aquela que eu fechei os olhos e me deixei conduzir, seduzir e ser guiada, sem saber muito bem o que queria da relação. Prometer amor e realizar desprezo, prometer fidelidade e realizar deslealdade não é crime nas leis brasileiras e de tantos outros países, mas é crime moral, ético. Eu perdoo muitos defeitos, mas alguns quero bem longes de mim. Aprendi que relacionamentos afetivos é reciprocidade, relacionamentos sem este ingrediente é eu usufruo de você a troco de nada.
