Como dizer pra Voce que Nunca Deixei de te Amar
ESPERA DESESPERADA
Na velha gare esperei por ti;
Na esperança anunciada
De te ter como coisa amada
Naquilo que ao ganhar perdi.
Só depois é que vi
Que as estradas
E os carris das vidas
São feitos de tudos e nadas.
Nem sempre são retas desejadas
Para alcançar o sonho final,
Se não a mim e ao mundo
Vai um logro tão profundo,
Um medonho e abismal
Desígnio infernal
Nas encruzilhadas do mal.
Dessas, eu nunca me lembrei...
Por descuido me esqueci.
Agora, eu sei
Porque peno assim por ti.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 04-06-2023)
ALMA RELUZENTE
Pensava ser eu uma alma reluzente.
Como tudo é tão diferente do pensado,
Quando num ápice repente
Recebo, vindo voando, ó gente!
Num escangalhado parapente,
Um anjo do Altíssimo Céu navegado,
Que me diz:
- Rapaz infeliz, sem alma reluzente,
Nunca te eleves, tem calma!
Para teres lustrosa alma,
Primeiro terás de ser gente
De construção hercúlea diferente,
Onde, de facto, o sonho habita.
E só depois,
Muito exigente,
É que a tua alma acende e grita!
(Carlos De Castro, in há Um Livro Por Escrever, em 15-06-2023)
OS ABUTRES
Voluptuavam e voavam em rasantes de dia,
Como morcegos errantes na noite escura...
Pareciam falos sem testículos por companhia,
A poisarem no largo da minha freguesia,
Como aviões sem asas ou abreviatura.
Tinham enfiadas roupas de boa cagança.
Aquela tentação de pelo hábito conquistar
O que o monge não conseguiu na esperança
De querer despi-lo, para um bom defecar.
Purguem-se, dejetem rijo ou de soltura, vilanagem!
Ó abutres ceguinhos, cofres podres com dinheiro,
Prefiro uma tosca foto do demónio sem imagem,
Que sentir o execrável perfume do vosso cheiro!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-07-2023)
CHORAR PELOS PECADOS DO MUNDO
Tantas lágrimas escorriam,
Como sangue fluindo, se esvaíam
Dos olhos dum puto sentado à beira de uma estrada
Na minha aldeia nordestina industrial safada.
Não, não era África, nem outro continente, nada...
Era no Portugal presente, pretérito e escuro.
Havia ali uma fronteira, sem muro.
Ah, nessa minha triste caminhada,
Vi também um velho a acariciar a estrada
Há tanto tempo por ele estudada
Para fugir a um presente sem futuro.
Cansado, sentei-me numa pedra da berma
Dessa estrada também minha de estaferma,
Para sentir as lágrimas do puto a chorar.
Quando meti o choro dele dentro de mim,
Inferi e senti com total e mística emoção,
Que quanto mais aquele puto chorava,
Mais eu, em dobro sentia enfim
Que o meu pobre e louco coração,
De ardor, de compaixão, rebentava.
(Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 21-08-2023)
OUTONO SEM CASA
Toda a vida eu sonhei
Construir uma casinha
Como só eu sei,
Numa bela arvorezinha
E fazer dela o meu trono
No agora vindo outono.
Que ilusão esta a minha,
Ó sonho louco e fugaz!
Nem árvore nem arvorezinha
Ou casa ou minha casinha,
Utopias que a vida traz.
Na montanha, tudo ardeu,
Tudo queimou e até eu
Como pássaro que fica sem asa,
Como cão que fica sem dono,
Ficarei sem aquela casa
Que quis construir neste outono.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 24-09-2023)
É impressionante como um futebolístico resultado menos positivo, consegue mudar e adulterar as relações de amizade entre alguns humanoides.
Depois, venham cá soprar-me aos ouvidos a dizer que só há um X (xis) número de drogas num espetro identificado neste mundo terrantês.
Para os eruditos e balofos estudiosos: acrescentem mais esta substância alucinogénia ao vosso cardápio de ilusões,
ou então, acabem de vez (...) com esta praga, antes que Alguém venha manifestar que é ela (mais uma...)
que está a criar desarmonias e muitos males reinantes no tecido da sociedade, enfim.
OLHOS D'ÁGUA
Sempre que te olhava
No pranto
Quase como quebranto
Mais que feitiço
No teu olhar em derriço,
Nessa lágrima que brotava
Dos teus olhos d'água,
É que eu compreendi
De vez e a horas,
Que quando ris, choras,
Sempre que eu choro por ti.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-01-2024)
EQUÍVOCOS
Ao terráqueo mundo vim
Como tu vieste,
Antes ou depois de mim.
Vim, numa lufada de neve
Numa noite agreste
Ali pelo luar de Janeiro,
Partido em inteiro
Sem princípio nem fim,
Mas sei quem me teve.
Foi minha mãe dolorosa
Que da vida cedo fugiu
E levou com ela o útero
Como se fosse uma rosa
Murcha que ao secar floriu.
E na corrente do nascimento
Que me traz ao pensamento
A noite que me expulsou
Do ventre de minha mãe,
Não fico aquém nem além
De saber então quem sou.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 13-03-2024)
LOGRO
Era de noite
Às três da tarde
Daquele dia
Numa manhã
Irmã,
Como eu, órfão
Da lua
Que anuncia
O sol na solidão
De uma vida vazia.
Havia, ai Deus, como havia
Logro naquele sol
Que quis passar pela lua,
Antes do dia amanhecer
No calor que arde
Como chicote açoite
Nas costas do entardecer
Das minhas costelas nuas
E das tuas,
Se estivesses comigo,
Te digo,
Naquela noite.
Só depois na modorra
De estancar o sangue
Exangue
Das feridas,
Minha alma saiu fora
E disse:
- Malditas, tais investidas!
Trôpego, então respondi:
- Vos arrenego, almas perdidas,
Do antes e do agora!
(Carlos De Castro, In Há Um Livro Triste Por Escrever, em 19-04-2024)
DEFECAÇÕES DE OUTRORA E DE AGORA
Eu era um poeta
Pateta
Sem saber
Como defecar a poesia.
Agora, que julgo saber,
Escrevo sem ser poeta
Só de ver e ler
Como escrevem a poesia,
Defecada,
Com cheiro
Por inteiro,
A nada.
Salvam-se alguns da fornada.
Quase como fúnebre elegia,
A mim, só me apetece dizer:
Ó arte da fantasia
Do pensar e escrever,
Minha irmã poesia,
Diz-me: se és tudo, ou nada!
(Carlos de Castro, in Há um Livro Triste Por Escrever, em 23-09-2024)
A vida fica mais leve e divertida quando nos deixamos agir como bobos e fica mais pesada e cansativa quando nos fazem de bobos.
Olhemos sempre para frente. Se fosse para olhar para trás, teríamos olhos na nuca.
Porém, como o pescoço gira, então sempre que necessário podemos olhar para trás e para os lados como aprendizado e precaução, mas 99% do tempo é para frente!
Os números para mim, são como as pessoas. Dos que eu gosto, eu me aproximo, fico íntimo e tenho estreita amizade. Os que não me sinto muito confortável, ou acho meio complicado, eu respeito, não me aproximo muito e sei que são perfeitos, mas não são pra mim.
São onze os mandamentos deixados por Deus, pois "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", na verdade são dois.
Liberte-me do seu peito, deixe-me escapuli pelo seus olhos, não segure-me tão forte, como se fosse me esmagar!
Preciso de ar, preciso me libertar!
Grite-me, ofenda-me, sacuda-me.
Mas, não me abrace mais Entre seu olhar egoísta. Entre seus pensamentos insensatos e insanos.
Não quero estar mais Entre você e o mundo, desejo profundamente que não precises mais de mim. Não quero me tornar prisioneira, devido suas súplicas, não quero ser o alavancar do seu desespero. Deixe-me ressuscitar das profundezas dos seus lamentos,deixe-me espalhar pelo chão afora, anseio por liberdade. Solte-me, suplico-lhe piedade, se assim quiseres, quem sabe um dia voltarei, mas, quero que saibas, que me sinto frustada por estar dentro de você. Estou me sentindo seca, sem vida, por favor não me deixe morrer assim, se tentar lutar por minha vida...chore e deixe-me ser livre.
Apenas, sou uma lágrima, desejando imensamente seguir o curso da vida, e em paz!
Nyyh Teixeira
Era preciso que a amizade dos filhos fosse tão terna como a de seus pais. A natureza permitiu que os primeiros encontrassem nos prazeres com que se inebriam modos de se esquecer que os afastam involuntariamente dos autores de seus dias e lhes esfriam no coração os sentimentos, tão mais ardentes e sinceros na alma dos pais e mães.
Sinto medo de meus pensamentos de como eu reajo a coisas banais, de como uma reação ou a falta dela pode me abalar de uma forma estrondosa, a angústia me guia hoje para dormir com a fraqueza e o desânimo, junto da sensação de se sentir desamparado em meu pior momento, o choro vem enquanto me sento a beira deste rio, sem forças para falar, agir ou pensar, é doloroso controlar o pensamento, dói abafar o sentimento. Amar é infinitamente melhor, por vezes sinto que não tenho o direito de ser feliz, quero, desejo, sonho, mas tudo está tão distante e sei que não tenho mais forças para alcançá-los, não suporto mais essa gritaria em meio a esse silêncio absoluto, sinto que meu sentimentalismo irá queimar a corda que nos une em algum momento, eu só quero perder esse jeito de amar as pessoas até que eu sangre.
É quase como se eu pudesse viajar no tempo
Fecho os olhos e consigo estar lá
Quando ainda não era
Quando ainda não havia deixado de ser
Louco pensar no conceito de passado
No futuro que parece tão distante
E no presente que muitas vezes julgamos insignificante
A única coisa que não podemos mudar é o tempo
O ponteiro do relógio está regendo as leis do universo
E nós o contamos como fazemos com todo o resto
Quantificando sem entender
Sem perceber
O tempo está passando
E nada permanece o mesmo
A pele tende a se enrugar
Pessoas, ora ou outra, vão nos deixar
A comida vai esfriar
A bebida, esquentar
Vai restar no fim de tudo
Bem vagamente
A lembrança como resquício histórico
A saudade vai apertar no peito
Mas nada mais poderá ser feito
Não há como a tua dor não ser também a minha dor. Uma vez que Deus nos criou a todos, somos irmãos em espírito e não posso ser impassível ao sofrimento de meu semelhante.
Eu entendo a tua dor porque eu senti a mesma dor,
o frio que te congela igualmente o faz comigo,
a fome que ruge em teu estômago, sei bem quanto dói,
eu sei o significado do teu sorriso, pois já sorri pelo mesmo motivo,
a lágrima que corre em teu rosto, qualquer que seja o motivo, em nada me é estranho,
eu compartilho dos teus temores, já que eles também são os meus,
eu perdoo as tuas falhas, tais falhas já fizeram parte da minha existência,
eu respeito as tuas fraquezas, não sou mais forte do que você,
eu te estendo a minha mão, pois a mim também me fora estendida um dia,
eu aceito a tua mão, seria uma honra ter a minha aceita também por ti,
eu não te julgo... Na opressão que te abate eu sou teu companheiro,
eu me regozijo com a tua ventura, pois ela também toma conta do meu coração.
Eu sei! Em tua existência você irá vencer!
Nossa trilha é a mesma e chegaremos ao mesmo destino... Deus!
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