Como dizer pra Voce que Nunca Deixei de te Amar

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Os moços de juízo honram-se em parecer velhos, mas os velhos sem juízo procuram figurar como moços.

O luxo, assim como o fogo, tanto brilha quanto consome.

Ninguém é tão prudente em despender o seu dinheiro, como aquele que melhor conhece as dificuldades de o ganhar honradamente.

Podemos estrangular os clamores, mas como vingarmo-nos do silêncio?.

A longo prazo uma profissão é como o matrimônio; apenas se sentem os inconvenientes.

É tão fácil sentir a felicidade como é difícil defini-la.

Uns homens sobem por leves como os vapores e gases, outros como os projécteis pela força do engenho e dos talentos.

A democracia é como a tesoura do jardineiro, que decota para igualar; a mediocridade é o seu elemento.

O silêncio é o melhor salvo-conduto da mais crassa ignorância como da sabedoria mais profunda.

Para os homens, ter um guia é tão fundamental como comer, beber e dormir.

Os governos tendem à monarquia, como os corpos gravitam para o centro da terra.

O louvor não merecido embriaga como o vinho.

Os vícios, como os cancros, têm a qualidade de corrosivos.

Os bens que a ambição promete são como os do amor, melhores imaginados que conseguidos.

Dói tanto a injúria publicada como a ferida exposta ao ar.

Os anarquistas são como os jogadores infelizes ou inábeis, que, baralhando muito as cartas, ou mudando de baralhos, esperam melhorar de fortuna e condição.

Os maldizentes, como os mentirosos, acabam por não merecer crédito ainda que digam verdades.

Folgamos com os erros alheios como se eles justificassem os nossos.

Muito pouco se padece na vida, em comparação do que se goza; aliás, não sendo assim, como se viveria?

A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.

(Trecho de A Máquina do Mundo).