Como a Vida Imita o Xadrez de Gary Kasparov

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⁠Como dizia "o Velho Deitado":
Quem é vivo um dia desaparece.

Lembranças do passado é como rodar disco de vinil na vitrola, às vezes a agulha arranha de rodar sempre na mesma faixa...

Nossas vidas são como carretéis de linhas numa caixa de costura, cabe a nós costurar os remendos de nossa sina, o problema é encontrar os retalhos de outrora...

Eu sou como você um simples mortal, mas entre eu e você nada é igual.

BARCO DE PAPEL


Desilusões, emoções que vêm e vão.
Como ondas?
Sim! Em pensamentos abstratos como papel.
Onde?
No mar, o coração é o barco sem comandante…
E se naufragar?
Não vai! Minh'alma é o leme nesta vida errante.


Lu Lena

MISTÉRIO EM OFFLINE

Coleciono fragmentos do que ninguém vê
— assim como você.
Sou alma antiga reconstruindo versos em novos capítulos,
onde o mistério habita em offline para dar vazão às letras.
Elas se esbarram e se confundem no infinito;
tímidas, mas ao saírem do casulo, de mãos dadas,
dão pulos de alegria ao formatarem mais uma poesia.

Lu Lena / 2026

NUVEM PASSAGEIRA
(A arte de observar sem reter)


O passado é como uma nuvem passageira: simplesmente observe e deixe passar. Não fique muito tempo retendo essa visão, pois pode desabar em temporal. Feche o guarda-chuva. Essa tempestade já passou!


Lu Lena / 2026

A CONFISSÃO DA NOITE
(O uivo das sombras internas)

Como uma loba,
às vezes libero,
num uivo híbrido,
minhas emoções
mais funestas no ar.
E na total escuridão,
numa noite intrépida
como testemunha
e cúmplice daquilo
que só eu sinto…
Resta o esplendor
do luar.

Lu Lena / 2026

LONGE DE PERTO
(O paradoxo do voo)

Impressionante como, muitas vezes, voamos tão longe e, absurdamente, não conseguimos pousar em lugares tão perto.

Lu Lena / 2026

BARCO À DERIVA
(Entre Ondas e Solidão)

Dentro de mim
navegas como um barco
incerto, à deriva...
Ondas gélidas e enfurecidas
que vêm e vão...
Nesta turbulência em que me
fecho em ostra, esboçando
um sorriso esmaecido.
Açoita em minha alma essa
solidão...
Momento insone em que lágrimas
ardem em minhas retinas...
Gotículas que ferem, agulhas
no meu coração...
Num choro compulsivo desta
lembrança de dor que ainda sinto
daquela partida...
Desmoronando em cada arrebentação.

Lu Lena / 2026

Viver o luto de entes queridos é como ser uma alma flutuante em um corpo oco
— totalmente sem direção.

Lu Lena / 2026

A CHAMA QUE NÃO SE APAGA


Quem trata a esperança como vela morre no escuro; ela tem que ser incêndio para que ninguém ouse chegar perto e tentar apagar.


Lu Lena / 2026

ALÉM DA ARMADURA
(Como o perdão e a gratidão se reconectam)

O perdão busca consertar um erro do passado, enquanto a gratidão celebra um vínculo no presente. Dessa forma, de maneira genuína, você despe sua armadura e reconhece que o outro agora faz parte da sua história.

Lu Lena / 2026

ÀS VEZES LOBA...

Como uma loba
às vezes libero
num uivo híbrido
minhas emoções
mais funestas no ar
e na total escuridão
numa noite intrépida
como testemunha
e cúmplice daquilo
que só eu sinto…
apenas o esplendor
do luar…

Nem tudo que quero pode ser bom pra mim, assim como tudo que tenho não necessariamente tenha que ser bom pra mim.

Calmaria no meio da tempestade é como ver a miragem no deserto de um oásis...

BARQUINHO DE PAPEL...

Desilusões e emoções subalternas que vem e vão.
Como ondas?
– Sim! E navegam em pensamentos loucos e oscilantes…
Onde?
- Em alto mar onde meu coração é o barquinho de papel sem comandante…
E se naufragar?
- Não vai! Minha alma é o leme dessa minha vida errante…

O VOO DO SER
(Entre o sopro e a luz)

Sou como uma nuvem passageira,
Sem forma fixa, sem peso ou chão;
Voo livre que separa o tempo
da finitude.
Nesse toque divino me desfaço,
Desprendo-me das amarras de quem julguei ser,
Deixando o ego perdido
Para um novo sentido poder florescer.
E finalmente, dentro dessa luz, me encontro,
Pois no ponto mais alto me liberto
Dessa impermanência no infinito.
Lanço um suspiro ao campo estelar que sorri para mim,
No sopro que acabo de soltar.
É nos dedos de Deus que me encontro,
Como um verso escrito em pleno ar,
No silêncio que desata esse nó da existência
E me ensina o segredo de apenas estar.

Lu Lena / 2026

​O EXÍLIO DE VIDRO
(A solidão como refúgio e o esgotamento da entrega humana na era digital) 📲


​Desde que as redes sociais estouraram, percebi o quanto nos sentimos sós, mas acho que as usamos como barreira para não sermos invadidos. É nesse silêncio que nos vemos cercados de gente que não conhecemos, mas que, muitas vezes, é quem nos acolhe.


Por isso, esse isolamento digital se torna um lugar seguro.
​Dizem que as telas nos roubaram os olhos, mas a verdade é mais complexa: há uma solidão que não nasce da falta de sinal, mas do cansaço exaustivo de ser apenas vitrine.


A gente valida o ruído e os murmúrios inaudíveis da era digital quando o barulho ensurdecedor da realidade se torna uma mente fadigada.
​Preferimos a proximidade fria da tecnologia não porque ela supere o calor de um abraço, mas porque o abraço exige uma entrega que já não temos no "estoque da alma". O mundo dos algoritmos e das curtidas é atraente, mas superficial; tornamo-nos fios invisíveis, marionetes de um tempo que parece retroceder à era Matrix.


​Nesse exílio voluntário, sentimo-nos "livres" porque não precisamos sustentar o personagem que a família espera ou o sorriso que os amigos cobram. Entramos no Exílio de Vidro: um lugar onde é mais confortável estar preso do que ter que sair dessa zona de conforto e ter que encarar o nosso lado de dentro.


​ Lu Lena /2026

​VOOS LONGOS, QUEDAS CURTAS

​Impressionante como às vezes conseguimos voar e pousar em lugares tão longe, mas, inacreditavelmente, nossas asas quebram ao chegar em lugares tão perto...

​ Lu Lena / 2026