Como a Vida Imita o Xadrez de Gary Kasparov

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*Louca Madrugada*

É na noite que dorme e na madrugada que é curta,
que meus pensamentos em ti são longos e tortos.
O travesseiro molha, o relógio não anda,
e o coração insiste em te chamar.

Todo mundo descansa, menos a saudade,
ela fica acordada fazendo amizade.
Com lembrança, com dor, com o que ficou pra trás,
e eu conto estrela até clarear.
(Saul Beleza)

*Loucura Sensata*

Dentro dessa minha loucura toda,
a sensatez me cobra e nada me acomoda.
Me pede uma loucura menos responsável,
de amar você mesmo sendo inviável.

O juízo diz pra ir, pra largar, pra esquecer,
mas o peito teima e quer te querer.
É amar com o freio, amar com dor,
amar sabendo que não tem futuro, a não ser o presente.
(Saul Beleza)

*Turma do último gole*

Sou da turma do último gole,
que seca o copo e divide a sede.
Da última briga, mas também do abraço,
que perdoa e refaz o laço.

Sou do último pedaço de pão,
que reparte mesmo com fome no coração.
E do primeiro beijo, trêmulo e certo,
aquele que marca e fica pra sempre aberto.

Num tenho muito, mas o que tenho é inteiro:
lealdade, palavra e amor verdadeiro.
(Saul Beleza,)

*Nossa Turma*

Sou da turma do Caicó, do Bié e do Pato,
do Bananinha que riem até no aperto e no trato.
Do Neguinho firme, do Bié Filho na prosa,
gente que divide o pão e nunca deixa à toa.

Sou da turma do último gole, da última briga,
do último pedaço de pão na mesa amiga.
E do primeiro beijo, que a gente nunca esquece,
porque quem ama de verdade, permanece.

Tem uns que já foram, mas vivem na lembrança:
Luiz César, Vanytur... eterna aliança.
In memória, mas presentes no meu peito,
porque amizade raiz não morre, faz efeito.

Essa é minha turma. Pouco luxo, muito valor.
Gente de palavra, de riso e de dor.
(Saul Beleza,)

*Passo na porta da tua casa aqui,*
*só vejos folhas pelo chão.*
O vento levou o que a gente vivia,
mas deixou perfume na calçada e no coração.


É daquelas passadas que a gente dá devagar...
Olhando a janela, lembrando do riso,
pisando nas folhas secas que ainda guardam
o eco do "fica mais um pouco.
(Saul Beleza)

*A Chave que liberta*

Tem que estudar, minha filha.
Tem que estudar.

Porque a única chave
que te liberta de verdade
é o estudo.

Não é dinheiro que abre porta.
Não é sorte que arromba grade.
É livro, é caderno, é madrugada.
É lápis gasto e cabeça erguida.

Estuda pra ninguém te calar.
Estuda pra escolher teu caminho.
Estuda pra quando o mundo apertar,
você ter a chave no bolso...
e abrir qualquer portão.

O estudo, e o saber ninguém tira de você.
(Saul Beleza)

*Até Breve, Divarde*
(Xodó da Vó Ana)

Descansa em paz, meu primo, tio, irmão *Edward*
O nosso Divarde.

Foi bom esposo,
foi pai, foi avô,
foi tio, foi primo e irmão.
Foi tudo pra gente numa vida só.

A vida segue...
mas a tua saudade fica.
Fica na mesa vazia,
fica na história contada,
fica no nome que a gente repete com carinho.

Até breve, Divarde.
Que lá no céu você continue
espiando a gente com orgulho,
cuidando da família como sempre cuidou.
(Saul Beleza)

*"O tempo do perdão"*

Algumas traições vão tão fundo
que o perdão deixa de existir como opção.
Hoje.
Mas o tempo é rio, e rio não para.
Ele leva, ele lava, ele transforma pedra em areia.

Essa dor que agora pesa e sufoca
um dia vai ficar menor.
Não porque esqueceu.
Mas porque você ficou maior que ela.

E o perdão...
o perdão pode caber a qualquer momento.
Não por ele.
Por você.
Quando o peito cansar de carregar
e quiser espaço pra respirar de novo.
(Saul Beleza)

"Cegueira"*

Teu olhar vai buscar distante
o que tens aqui,
mas você não percebe.

Se esses teus olhos
prestassem atenção no meu olhar,
saberia o quanto
meus olhos te desejam.

Eles te chamam baixinho
em cada esquina do dia.
Eles guardam teu nome
no fundo da pupila.
Mas você procura em outro lugar
o que teima em ficar bem aqui.
Mesmo que de soslaio...e calado.
(Saul Beleza

*Se um dia a gente se encontrar de novo, o meu amor vai estar igual. Só mais vivido. E se não, ele continua aqui, sem envelhecer.*
(Saul Beleza)

*"Climas Diferentes"*

Já não bastava a distância que afasta,
quilômetro virando muro entre nós.
Agora esse silêncio que machuca,
peso de palavra que não veio e ficou.

O frio que te aquece aí,
coberto, seguro, sem saudade.
E o calor que me congela aqui,
suando por dentro, tremendo de verdade.

É ironia da vida, né?
Você quentinha no teu inverno,
e eu gelando no meu verão
só porque você não tá.
(Saul Beleza)

*"Minha Canção Entalada"*

Você é a minha canção preferida
que sempre está entalada em minha garganta
nas noites de total solidão.

A canção que embarga minha voz
que soluça nas rimas que são tuas...
cada verso um gole seco,
cada refrão um nó no peito.

Ninguém ouve.
Só eu, a madrugada,
e essa música que não sai
mas também não me deixa em paz.
(Saul Beleza)

*"Minha Sesta"*

Na minha sesta do almoço,
olho pra cesta de frutas
e vejo você a me espiar.

Cajamanga aqui da horta, maçã vermelha,
uva em cacho fazendo fofoca...
e no meio delas você.
Com essa cara de "tô te olhando".

E ainda nem é sexta.
Nem tem desculpa pra beber.
Nem tem motivo pra sonhar com você.

Mas aí tá você,
na fruteira da minha cozinha,
me tirando do sério às 12h02
de uma segunda-feira qualquer.
(Saul Beleza)

*"SAUDADE"*
(Saul Beleza)

Gente, hoje me bateu uma saudade...
Mas não é aquela saudadezinha romântica de filme, sabe?
Não. Me bateu uma saudade VIOLENTA.

Aquela que chega igual boleto vencido.
Sem avisar. 22h numa terça-feira.
Você tá de boa, comendo arroz, e do nada: PÁ!

Porque a pessoa esteve na sua vida por MUITOS e MUITOS anos.
Quando é pouco tempo, ok. Você esquece.
"Ah, foi só um verão".
Mas quando é muito tempo... meu irmão, o corpo vira HD externo.

Eu vou no mercado e meu cérebro:
"Compra aquele iogurte que ela gostava".
Mano, ela nem mora mais aqui!
Eu tô comprando iogurte pra fantasma.

E o pior é a playlist.
Toca uma música e na hora meu corpo já sabe a coreografia da saudade.
O peito faz "tum".
O olho faz "brilha".
E a dignidade faz "some".

Aí você tenta explicar pra alguém:
"Ah é que eu sinto falta..."
Falta do quê, Saul?
Falta de tudo! Falta do café que ela fazia ruim.
Falta da briga por causa de toalha molhada na cama.
Falta até do silêncio que era confortável.

Porque quando a pessoa fica MUITOS anos,
ela vira móvel da sua casa.
Você não repara até mudar de casa e perceber:
"Caramba, aqui tá vazio. Cadê o sofá?"

E o Google ainda ajuda, né?
Você digita só a primeira letra do nome e ele já completa.
Obrigado Google. Queria esquecer, mas você tá aí lembrando.

Saudade violenta é isso.
Não é que você quer voltar.
É que você queria que ela tivesse visto você hoje.
Só pra contar uma besteira.
Só pra dizer: "olha que idiota que eu sou".

E no fim... a gente ri.
Porque chorar todo dia dá espinha.
E porque se foi tanto tempo,
foi porque em algum momento valeu MUITO a pena.

Obrigado, gente. Boa noite. E se bater saudade aí, bebe água. Ajuda em nada, mas hidrata.

*Se ela vai e volta...*
O problema não tá só nela. Nem só em você.
Tá na dança que os dois criaram.

Ela volta porque sabe que tem porta aberta.
Você aceita porque a saudade violenta grita mais alto que o orgulho.

É igual tomada e fio desencapado.
Um dá o choque, o outro encosta de novo.

*Quem tá errado?*
Ela, por brincar de vai e vem com sentimento que não é brinquedo.
Você, por confundir "voltar" com "ficar".
E os dois, por achar que tempo junto apaga padrão repetido.

O pior não é ela ir.
O pior é ela voltar e você fingir que dessa vez vai ser diferente.
E o pior do pior é você já saber que não vai.

Amor não é teste de resistência, meu irmão.
Se virou vai-e-volta, virou elástico.
E elástico estica, estica... até arrebentar na cara de alguém.

A real é: o problema tá em quem não escolhe de vez.
Ficar ou ir. Amar ou soltar.
Esse meio-termo mata os dois devagar.

E eu te pergunto de verdade:
Quando ela volta, ela volta pra somar... ou volta só pra você não esquecer ela?
(Saul Beleza)

*O VAI-E-VOLTA"
*(Saul Beleza)*


Gente, vocês já ficaram com alguém que é igual ônibus?
Ela vai... ela volta... ela vai... ela volta...
E você lá no ponto. De guarda-chuva. Na chuva. Há 3 anos.


Aí um dia você se pergunta:
"Quem é o problema aqui? Ela que volta... ou eu que deixo?"


Mano, é os dois.
Ela é o problema que volta.
E eu sou o problema que abre a porta.


Ela vai e volta igual controle de TV com pilha fraca.
Some 2 semanas, do nada: "Oi sumido"
Mano, sumido nada. Eu tava aqui. Você que tava na Disney.


E eu aceito.
Por quê? Porque saudade é igual cachaça ruim.
Você sabe que vai dar dor de cabeça amanhã,
mas na hora você bebe e grita: "VEM MAIS UMA!"


Aí ela volta, a gente finge que é recomeço.
É recomeço nada. É Ctrl+C, Ctrl+V.
Mesma briga, mesma maquiagem, mesma promessa de "agora vai".


Sabe qual é a diferença entre vai-e-volta e relacionamento?
No relacionamento tem futuro.
No vai-e-volta só tem retorno.


E o pior é que a gente vira especialista.
"Ah, ela vai voltar na terça"
"Não, volta depois do feriado, que ela sempre volta depois do feriado"
Irmão, você virou meteorologista de ex.


Se ela se vai e logo volta...
O problema tá nela que não sabe ficar.
E tá em mim que não sei soltar.
E tá nos dois que transformaram amor em elástico.


E elástico, gente... uma hora estoura.
E quando estoura, bate na cara.
E dói. Mas pelo menos para de esticar.


Obrigado, gente! Se seu ex te mandou "oi" hoje,
responde com "tô ocupado".
Ocupado nada, estou aqui, oi sumido!

*PORTA ENCOSTADA*

O endereço é o mesmo,
só que o tempo apagou o número.
A vaga na garagem é sua,
mas o carro já não estaciona.

A porta está apenas encostada, por convite, e
por faltar coragem de trancar.

Na cama,
teu travesseiro ainda tem teu cheiro,
eu ainda não lavei,
não foi por preguiça,
foi pra não esquecer que você existiu aqui.

Você disse que eu não tenho saudade,
que a vida me fez ser assim,
tanto faz.

Tanto faz?
Tanto faz não deixa travesseiro com cheiro.
Tanto faz não deixa porta encostada.
Tanto faz tranca, vende a casa e vai embora.

Eu não corri pros teus braços,
mas deixei teus braços morando em mim.

Se não acredita,
venha conferir.
Mas se vier,
vem pra ficar.
Porque eu já não tenho mais força
pra te ver indo embora
mais uma vez
pela mesma porta
que eu nunca fechei.
(Saul Beleza)

*PRESENTE*

O passado vai estar sempre presente,
ele não pede licença,
ele senta na cama,
ele deixa cheiro no travesseiro,
ele deixa a vaga vazia,
ele deixa a porta encostada.

Ele vai estar presente no teu riso,
quando você ri e lembra que já riu assim com alguém.
Vai estar presente no teu choro,
quando você chora e lembra que já chorou por alguém.

Mas não deixa ele dirigir.
Deixa ele no banco de trás.
Ele pode olhar a paisagem,
mas não pode tocar no volante.

Jamais deixe que ele interfira em nada,
não deixa ele escolher quem você beija hoje
com medo de quem te beijou ontem.
Não deixa ele trancar a porta
que alguém deixou encostada pra você.

Porque só assim,
só quando você para de brigar com o ontem,
o futuro te presenteia.

E ele te presenteia simples:
com um endereço novo,
uma vaga nova,
uma cama que ainda não tem cheiro,
mas tem espaço.

O passado fica,
mas o futuro...
o futuro te abraça.
(Saul Beleza)

*Estou em fuga*

Preciso fugir desse teu olhar que me prende,
desse olhar que me vê bagunçado
e mesmo assim fica.

Preciso me afrouxar desse teu abraço que me prende,
desse abraço que é cadeia,
mas é a única casa que eu tenho.

Preciso desviar desse teu caminho que me acompanha,
porque pra onde eu vou,
você já foi primeiro dentro de mim.

Preciso arrumar um jeito,
ou um pretexto,
qualquer mentira bonita,
pra não depender desse teu corpo
que não me deixa ir.

Mas como é que foge
de quem mora na fechadura?
Como é que afrouxa
o abraço que virou pele?

Como é que desvia
do caminho que virou destino?

Eu quero ir, eu juro que quero.
Mas meu corpo já decorou o teu.

E quem decora,
não esquece.
Só finge que vai.
(Saul Beleza)

*Estafeta*

Você quer algo sério?
Porque se não quer,
é melhor a gente seguir um rumo.
Não um rumo juntos.
Um rumo cada um pro seu lado.
Eu me apego fácil.
Eu já tô me apegando agora
só de escrever isso.
E isso vai me fazer mal.
Vai me fazer virar boneco de novo,
coleção, diversão.
Eu não quero ser teu quase.
Eu não quero ser teu depois a gente vê.
Então me diz agora, sem soslaio, sem arapuca:
Você quer algo sério?
Se não,
segue tua vida
que eu juro que tento seguir a minha.
Mesmo com a porta encostada.
Mesmo com teu cheiro no travesseiro.
Mesmo sendo nada pra ti.
Eu sigo.
Mas se for pra ficar,
fica direito.
Porque meu coração não sabe ficar pela metade.
Ou ele fica inteiro,
ou ele se quebra inteiro.
(Saul Beleza)