Como a Vida Imita o Xadrez de Gary Kasparov

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Uma inteligência vulgar é como um mau cão de caça, que depressa encontra a pista de um pensamento e depressa a volta a perder; uma inteligência invulgar é como um cão de fila, que segue firme e resolutamente a pista até atingir o que é vida.

Como ao bem ocupado não há virtude que lhe falte, ao ocioso não há vício que não o acompanhe.

A felicidade é tão exigente como a esposa legítima.

Nenhuma nação gosta de considerar os seus infortúnios como seus filhos legítimos.

A fé na razão está sujeita a parecer racionalmente tão insustentável como qualquer outra fé.

Considero tão difícil combater uma obra que o público aprova como defender outra que ele condena.

Não há gênero algum de preguiça pela qual sejamos tão facilmente seduzidos como aquela que é dignificada pela aparência de ser um negócio.

Porque não considero o mundo como uma hospedaria, mas como um hospital; não como um lugar para se viver, mas para morrer.

A filosofia não é assim tão ruim. Infelizmente, é como a Rússia: cheia de pântanos e frequentemente invadida pelos alemães.

Nenhum cão é tão esperto como aquele que já apanhou tareia.

Não vivemos como queremos, mas como sabemos.

Vivemos com os nossos defeitos como com os odores do nosso corpo; não os percebemos, e só incomodam aqueles que vivem connosco.

Os espíritos pequenos são domados e subjugados pelo infortúnio; os grandes, porém, sabem como fugir à desgraça.

Usem as palavras como o dinheiro.

Amas ou não uma mulher, mas não sabes porquê. Como hás-de poder saber a razão do bem e do mal?

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Escrever, Bertrand, 2001

Não há professor como o exercício.

Só é possível corrigir os homens fazendo-os ver-se tais como são.

Não damos nada tão generosamente como os conselhos.

Como saber que se falhou, se não sabendo como não falhar? Mas então porque se falha? E se saber que se falha é realmente ignorar como se não falharia? Sabemos de outros que não falharam, porque sabemos então neles o que é não falhar.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Escrever, Bertrand, 2001

Nunca se é tão vencedor nem tão vencido como o imaginamos.