Como a Vida Imita o Xadrez de Gary Kasparov

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É preciso um espírito especial para se fazer fortuna, sobretudo uma grande fortuna; não se trata nem do espírito bom nem do belo, nem do grande nem do sublime, nem do forte nem do delicado; não sei precisamente de qual se trata, e espero que alguém me possa esclarecer a tal respeito.

É mais fácil perdoar os danos do nosso interesse que os agravos do nosso amor-próprio.

Na verdade, o cuidado e a despesa dos nossos pais visam apenas enriquecer as nossas cabeças com ciência; quanto ao juízo e à virtude, as novidades são poucas.

Enquanto os homens estiverem sujeitos a morrer, gostando de viver, os médicos serão metidos a ridículo e bem pagos.

Os homens poderiam parecer-nos mais justos ou menos injustos, se não exigíssemos deles mais do que podem ou devem dar-nos.

Mudai um homem de classe, condição e circunstâncias, vós o vereis mudar imediatamente de opiniões e de costumes.

É fácil avaliar o juízo ou a capacidade de qualquer homem quando se sabe o que ele mais ambiciona.

Os sábios falam pouco e dizem muito, generalizando e abstraindo resumem tudo.

Somos enganados mais vezes pelo nosso amor-próprio do que pelos homens.

Divertimo-nos com os doidos na hipótese de que o não somos.

O medo e o entusiasmo são contagiosos.

O homem que cala e ouve não dissipa o que sabe, e aprende o que ignora.

Somos muitos francos em confessar e condenar os nossos pequenos defeitos, contanto que possamos salvar e deixar passar sem reparo os mais graves e menos defensáveis.

Poucas máximas são verdadeiras sob todos os pontos de vista.

O erro é a noite dos espíritos e a armadilha da inocência.

O trabalho involuntário ou forçado é quase sempre mal concebido e pior executado.

Ambos se enganam, o velho quando louva somente o passado, o moço quando só admira o presente.

É triste a condição de um velho que só se faz recomendável pela sua longevidade.

O remorso é no moral o que a dor é no físico da nossa individualidade: advertência de desordens que se devem reparar.

O sábio que não fala nem escreve é pior que o avarento que não despende.