Coleção pessoal de zmramalhete
ALMAS GÊMEAS
Um dia, no silêncio da rede,
minha alma encontrou outra,
que divagava, quem sabe
à procura da minha...
só sei que, em pouco tempo,
nossas almas se reconheceram
e descobriram que nunca mais
poderiam se separar...
Pois uma havia sido enviada
à outra como um presente
Um presente divino
Que Deus, em sua infinita
bondade, nos enviou
Posso falar com toda certeza,
que uma alma não vive sem a outra,
são almas irmãs, irmãs de alma,
irmãs de coração , irmãs de LUZ...
Almas gêmeas que tiveram
a felicidade de se encontrar
e se reconhecer...
Te amo, minha alma gêmea,
você é, com certeza o Ser Especial
que ilumina minha vida....
DEIXE-ME
Deixe-me matar sua sêde,
Te afagar na rede,
Te fazer sonhar...
Deixe te conter o medo,
Desvendar o segredo,
Que não quer contar...
Deixe-me ao menos ver,
O que tentas esconder,
Por trás desse olhar...
Deixe eu te fazer poesia,
Por uma alegria,
No seu versejar...
Deixe eu te fazer sorrir,
Te fazer seguir,
Se encontrar,ao me encontrar...
Deixe eu romper as amarras,
Te tirar das garras,
De quem não sabe amar...
Deixe eu tatear sua textura,
Até encontrar...
A essência mais pura,
Ha muito sem tocar...
Deixe-me levar a um lugar
De sonhos,onde o amor que
Lhe proponho,
Ainda,não pôde entrar...
Deixe-lhe tirar a venda
Do orgulho,
Arrancar-lhe a mordaça do égo,
Levá-la pra um lugar seguro,
Longe desse amor cego...
Deixe-me sorver seu sorriso,servido,
Em seus lábios cor-de-rosa,
Degustar suas palavras macias,
Suaves e mui saborosas...
Vê-la repousar em meus sonhos,
Toda meiga e dengosa...
Acordar com um raio solar,
Lançado de seu olhar,no outro dia...
Bater asas e voar,pra outro lugar,
Sempre em sua companhia...
Mergulhar no seu olhar,
Tão meigo e sincero...
Descobrir nesse azul de mar,
Que é você quem tanto quero...
É preciso viver muito tempo para se tornar um homem.
Entrelaça-se lentamente a rede das amizades e das ternuras.
Aprende-se lentamente. A obra compõe-se devagar.
É preciso viver muito tempo para que a pessoa se cumpra.
Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum trocado para dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Para poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum veneno anti-monotonia
E se eu achar a sua fonte escondida
Te alcance em cheio o mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca, nuca, mão, e a tua mente, não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
Canção na plenitude
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.
Do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.
A esperança é a poesia da dor, é a promessa eternamente suspensa diante dos olhos que choram e do coração que padece.
É monstruoso dizer-se que o artista não serve a humanidade. Ele foi os olhos, os ouvidos, a voz da humanidade. Sempre foi o transcendentalista que passava a raios X os nossos verdadeiros estados de alma.
O universo desaparece aos olhos da mulher enamorada. Não há no mundo senão um homem para ela; todos os outros limitam-se a acompanhá-lo.
Frieza
Os teus olhos são frios como espadas,
E claros como os trágicos punhais;
Têm brilhos cortantes de metais
E fulgores de lâminas geladas.
Vejo neles imagens retratadas
De abandonos cruéis e desleais,
Fantásticos desejos irreais,
E todo o oiro e o sol das madrugadas!
Mas não te invejo, amor, essa indiferença,
Que viver neste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!
Tu invejas a dor que vive em mim!
E quanta vez dirás a soluçar:
"Ah! Quem me dera, irmã, amar assim!"
Estávamos sentados juntos e, de repente, vi um brilho em seus olhos, que nunca havia percebido antes. Meus lábios se aproximaram dela e nos beijamos. Impossível descrever exatamente o que senti naquele momento, mas parecia que a minha vida inteira estava resumida naquele maravilhoso momento de prazer.
Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.
Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.
