Coleção pessoal de welef
A Luz e o Vazio
Ela é linda.
Ela brilha tão bonito...
Será que eu poderia ser ela?
Esconder o vazio tão escuro
atrás da luz vibrante desta estrela?
Vestir a luminosidade dela como uma capa protetora,
apenas para me esconder dos meus próprios pensamentos e ações.
Mas será que o meu escuro
seria capaz de rompê-la?
Seria capaz de atravessar esta camada fina e frágil
da mentalidade que me restou
depois de tantas tentativas de fugir desse vazio?
Será que a escuridão seria capaz de me dominar completamente?
E se a luz me protegesse?
E se ela usasse toda a sua força
para tentar iluminar a escuridão do vazio?
E se a luz não fosse apenas um escudo?
E se, em vez de apenas me esconder atrás dela,
eu pudesse me tornar a própria luz?
Não...
O escuro me dominaria rapidamente,
rasgando a fina e frágil camada da minha mente.
E, junto com ela,
a luz se apagaria.
Talvez o vazio nunca tenha tido medo da luz.
Talvez ele só estivesse esperando
que eu parasse de acreditar nela.
Ganhou minha confiança, meu respeito, meus segredos. Teve minha admiração, parceria e lealdade ao extremo...
No fim, usou minhas fraquezas para me machucar, me adoecer e me fazer questionar até aquilo que eu acreditava sentir.
Fui obrigada a viver o luto de uma pessoa viva e a abrir mão de um amor que, por mais verdadeiro que tivesse sido um dia, já não fazia mais sentido para a minha vida.
Foi preciso aceitar que amar alguém não significa permanecer onde você se perde de si mesma.
Doeu. Muito.
Doeu porque eu não estava apenas perdendo alguém. Eu estava me despedindo de uma história, de expectativas, de planos que talvez nunca tivessem existido da forma como eu imaginava. Estava aprendendo a conviver com a ausência de alguém que continuava existindo no mundo, mas que já não podia ocupar o mesmo lugar dentro de mim.
E então veio a parte mais difícil: reconstruir quem eu era antes de tudo aquilo.
Aos poucos, fui recolhendo meus pedaços. Reaprendi a me ouvir, a me respeitar, a reconhecer meus limites e, principalmente, a entender que eu não precisava mais aceitar migalhas de presença em troca de uma ausência que me machucava.
Hoje eu ainda tenho lembranças. Ainda existe saudade de algumas coisas. E talvez sempre exista.
Mas saudade não é convite para voltar.
Eu não apaguei o que vivi. Apenas parei de permitir que o que vivi determine o que ainda vou viver.
Porque, no fim, perder aquele amor também me devolveu uma coisa que eu havia perdido pelo caminho:
Eu mesma.
