Coleção pessoal de VitoriafGomes

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A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons.

As obras-primas devem ter sido geradas por acaso; a produção voluntária não vai além da mediocridade.

Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.

Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.

Necessitamos sempre de ambicionar alguma coisa que, alcançada, não nos torna sem ambição.

Como as plantas, a amizade não deve ser muito nem pouco regada.

A minha vontade é forte, porém minha disposição de obedecer-lhe é fraca.

Cada nova geração de computadores desmoraliza as antecedentes e seus criadores.

Há campeões de tudo, inclusive de perda de campeonatos.

Há homens e mulheres que fazem do casamento uma oportunidade de adultério.

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.

O homem vangloria-se de ter imitado o voo das aves com uma complicação técnica que elas dispensam.

Os homens distinguem-se pelo que fazem; as mulheres, pelo que levam os homens a fazer.

Perder tempo em aprender coisas que não interessam priva-nos de descobrir coisas interessantes.

Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.

Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.

Há certo gosto em pensar sozinho. É ato individual, como nascer e morrer.

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.