Coleção pessoal de VitoriafGomes
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdoo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
"Permanecerei vivo em memórias, nas palavras que disse e nas que deixei de dizer.
Permanecerei vivo em todas as vezes que rirem.
Nos sorrisos que criei, nas palhaçadas que fiz;
Permanecerei vivo em olhares discretos. e em todas as vezes que, porventura, lembrarem dos momentos, que estive de braços abertos, de abraços apertados e beijos amados.
Permanecerei vivo no começo, no meio e no fim de cada vida que toquei; nos sonhos que não realizei e nos sonhos que couberam a mim.
Estarei vivo mesmo depois que partir, mesmo depois que desisti.
E estarei, principalmente, vivo em todas as vezes que lerem em meu nome."
—Eu, Vitoria.
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.
A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.
