Coleção pessoal de SabrinaNiehues

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Pessoas entram e saem da nossa vida, mas a gente sempre se pergunta: Por que ela foi embora? E a gente nunca diz: Que bom que você surgiu em minha vida. E é o que eu tenho feito. Tenho sido grata por cada pessoa que entrou em minha vida e por cada lembrança boa que essa pessoa me deixou.

Eu era feliz quando era criança. Qual a criança que não é feliz? E elas são felizes simplesmente por viverem em um mundo irreal. E quando você cresce e acorda para a vida real, tudo muda. Você descobre que a felicidade não é algo permanente. É apenas um estado de espírito que nasce, morre e renasce. Ela nunca vai ficar. Isso quer dizer que nós nunca seremos felizes para sempre.

A idade de uma pessoa não é importante. Ela não vai definir o caráter da pessoa, ela não vai definir nada além de sua aparência física e de seu tempo de vida. Existem crianças que passam por momentos difíceis desde pequenos e assim amadurecem mais cedo. Existem adolescentes que logo que aprendem a viver se tornam mais consciente das coisas e também amadurecem na idade certa. Mas também existem adultos, e existem pessoas que morrem velhas e morrem ignorantes. Pessoas ignorantes que apontam um casal homossexual na rua, ou um casal com idades diferentes e dizem que isso não está certo. Sabe o que não está certo? Pessoas assim pensar desse modo. Pessoas que sem importam com o que a sociedade impõem sobre felicidade, e não com o que realmente faz uma pessoa feliz. Se todas as pessoas vivessem para fazer felizes a si próprios, todos então seriam felizes. Agora, se uma pessoa procurar viver para agradar aos outros, essa pessoa não vai conseguir. Pelo menos não todo mundo. Então no fim de tudo, o que realmente importa? Importa é ser feliz, é a pessoa ser feliz. A pessoa deve viver para ser feliz, e não para fazer os outros felizes. Se puder fazer os dois, ótimo. Mas o que vem em primeiro lugar somos nós

Temos a nostalgia lírica por alguma coisa que pode voltar atrás. Não volta. Nada volta atrás.

Felicidade é uma lista de negações. Não ter câncer, não ler jornal, não sofrer pelas desgraças, não olhar os meninos malabaristas no sinal, não ter coração. O mundo está tão sujo e terrível que a proposta que se esconde sob a ideia de felicidade é ser um clone de si mesmo, um androide sem sentimentos.

Temos de parar de sofrer por uma plenitude que nunca alcançamos.

O amor, para ser eterno hoje em dia, paga o preço de ficar irrealizado. A droga não pode parar de fazer efeito e, para isso, a “prise” não pode passar. Aí, a dor vem como prazer, a saudade como excitação, a parte como o todo, o instante como o eterno.

Não há mais “todo”; só partes. O verdadeiro amor total está ficando impossível, como as narrativas romanescas. Não se chega a lugar nenhum porque não há onde chegar[…] Usamos uma máscara sorridente, um disfarce para no proteger desse abismo. Mas esse abismo é também nossa salvação. A aceitação do incompleto é um chamado à vida.

Nós estávamos na quadra conversando com uns amigos, quando ele me perguntou:
- Por que tanta tristeza, Sabrina?
- Um dia eu te conto.
Eu havia demorado alguns segundos para responder àquela pergunta. "Você sabe", pensei comigo mesma.

Ultimamente eu não tenho conseguido fazer mais nada. Não tenho mais estudado para as provas escolares, não tenho feito minhas tarefas, não tenho mais lido meus livros, não tenho mais escutado minhas músicas, não tenho mais escrito, nem tenho mais pensando em nós. Ultimamente tenho estado mais vazia que pacote de bolacha inútil.

Então eu era jovem. Então eu estudava numa escola qualquer de uma pequena cidade. Então eu tinha um professor. Então eu me apaixonei por ele. Então não contei nada há ele. Então alguns anos se seguiram e eu continuei amando-o. Então ele arranjou uma namorada e ela engravidou dele. Então ele próprio me disse que seria papai. Então eu disfarcei meu horror, dei-lhe os parabéns e vim embora. Então, ao chegar em casa, desabei no meu quarto. Então eu morri por dentro, e naquele instante eu soube que eu estava morta pelo resto de minha vida e que nada nem ninguém me faria reviver. Então eu vivo morta por dentro. Então essa é a porcaria de vida que eu levo.

Eu ando pensando
Pensando em falar-lhe
De meus sofrimentos

Eu vivo sonhando
Sonhando em contar-lhe
Os meus sentimentos.

Eu sou como uma depressiva e sua depressão. Você seria meu motivo. Você me faz querer viver e morrer ao mesmo tempo. Mas eu prossigo, levando a vida como um pesado fardo. Quando a morte vier, que alívio eu hei de sentir. Mas por enquanto minha alegria é poder te ver sorrir.

Ela deslizava o cigarro nos lábios, inquietos. Não sabia se deixava o cigarro aqui ou lá. Não sabia se seus pés deveriam ficar aqui ou lá. Não sabia aonde ir, nem que rumo tomar.

Todo sentimento, quando é verdadeiro e intenso demais, não se consegue expressar por palavras faladas.

Não quero que ele seja meu primeiro amor. Quero que ele seja o único.

Eu gostava tanto de ouvir o silêncio, mas naquela casa nunca se ouvia. Quando ligavam a televisão, ficava eu irritada. Só se via e ouvia notícia ruim. Eu preferia o barulho de meus livros e minhas músicas que me embalavam a alma. Eu preferia meu mundo de paz. Talvez um dia eu vá sentir falta do barulho daquela casa. Talvez quando eu ficar velha e só.

Vivo sem sentir, sem viver
Apenas existo por aí
Como um sopro de vento
Quando bate por bater.

Vida sem sentido
Caminho por todos os lados
Não encontro nenhum abrigo
Nenhuma rua, nenhum amigo
Vivo sem sentir, sem viver
Apenas existo por aí
Como um sopro de vento
Quando bate por bater
Me arrasto por obrigação
Existo porque é minha opção
Não parto por medo
Mesmo que eu negue
Nem sequer tento, pois não quero
Magoar os parentes e uns poucos amigos
Eu gostaria de tentar, sim
Queria receber um beijo da morte
Queria vê-la perto
Sem vê-la à me velar
Queria engolir umas cápsulas
Junto com uns goles de uísque
Mas eu queria ficar ali para sempre
Eu não queria morrer
Mas eu também não queria voltar à vida
E ainda ter que me explicar
E ouvir: Por quê?

Queria que me amasse como eu sou, do mesmo modo que eu o amo como é.