Coleção pessoal de RodrigoHorta
Soirée d'Anniversaire de Monsieur Ricardo
Domingo passado, tive o prazer de desfrutar do aniversário de Monsieur Ricardo Soares: senhor de berço africano, porém de vivência europeia e, atualmente, dono de terras da província de São Vicente — mais exatamente na região de Leripe ou Baía Formosa, como desejar —, mas, mais importante e sem possibilidade de omissão, meu grande amigo.
Lá pelas quatorze horas, ordenei ao cocheiro que se preparasse, pois gostaria de partir rumo ao evento. Após as escolhas de vestes aptas a tamanha honraria, partimos rapidamente pelas estradas de terra da Fazenda Marilea rumo ao litoral, algo que atualmente, pelas carruagens de quatro cavalos, pode ser rapidamente percorrido no período de 45 minutos. Porém, não convém entrar em detalhes das modernidades de nossa época.
Depois de muitos solavancos, chegamos ao Palácio The King — nome, acredito eu, que venha de alguma homenagem ao amigo durante sua passagem pela Inglaterra. O local, externamente, era composto de vidro e pedras negras, dando um ar bucólico, porém destoante de todas as outras grandes residências locais, já que, na região litorânea, ficavam os grandes barões da região de Leripe.
Ao adentrar o Palácio, pude perceber que era muito belo e que possuía uma arquitetura extremamente moderna para os padrões da época. Luminárias de velas se alinhavam a espelhos, criando efeitos de cores superinteressantes e nunca vistos por mim. Havia também inúmeros violinos sequenciados que subiam enfileirados pelas paredes, indo até o teto, como se fossem uma onda de instrumentos vindo em minha direção. Lembro que Monsieur Ricardo é um grande apreciador da arte e grande musicista; por isso, não haveria como ser diferente: tal decoração tinha de ser harmonizada pela música e por seus instrumentos.
Além disto, temos de admirar a criatividade de Monsieur Ricardo em tentar nos proporcionar novas experiências, eis que ele criou um balcão de taberna para a aquisição de bebidas — algo totalmente contrário aos padrões de um palácio desta época. Por fim, um ato superelogiado perante os convidados.
A alta sociedade da Baía Formosa se encontrava em peso pelo salão, sendo muitos locais e outros vindos do povoado vizinho de Sacra Família de Ipuca, local de onde saíam as embarcações que atravessavam o Rio Peruíbe — única forma de se chegar à distante Capitania de Cabo Frio —, fora os vizinhos mais próximos que vinham do norte, diretamente da Capitania de São Tomé.
Pessoas extremamente bem-arrumadas, em trajes de gala, causavam tamanho estrondo na localidade, que não estava acostumada com tais vestimentas. Logo na entrada, vi muitos conhecidos, como a Madame Helen, grande confeiteira, das mais requisitadas por nossas terras e também na Europa por seus quitutes diferenciados em capricho; Madame Gláucia, possuidora de terras locais; Madame Sarah, amiga da área da saúde; Monsieur Lelecô, amigo de longa data, grande boêmio, alma dotada de tamanha alegria a ponto de contagiar todos ao seu redor nos eventos e que, utilizando um termo popular, é um dos grandes bastiões dos bailes imperiais atuais; Madame Qel, grande conselheira em tempos de crise; e muitos que há tempos eu não via, como Madame Fernanda e seu esposo, e Madame Faby e seu futuro esposo. Isso sem contar as celebridades, como o Monsieur Gertz, maior mestre vidente de nossa época; os Maestros Blue e Groove, conhecidos internacionalmente por conduzirem as mais importantes orquestras nos bailes do Império; e a esposa oriental do grande tenor Monsieur Luz, que não pôde estar presente por compromissos profissionais e, por isso, enviou sua esposa para representá-lo. Isso sem falar da ilustríssima presença da belíssima Mata Hari, que se fez presente ao fim do evento. Por fim, simplesmente um grande evento, na proporção que se deve esperar do dia do natalício de Monsieur Ricardo.
Após esse turbilhão de emoções entre um convidado e outro, encontrei Madame Paula com uma beleza estonteante, vestindo uma grande crinolina de armação antiga e um belo corpete preto na parte de cima — algo extremamente magnífico, simplesmente à altura de seu esposo e nosso anfitrião, a quem ainda faltava o meu abraço de afeto e de desejo de felicidades. Algo que não demorou: sempre sorridente e feliz com tal festejo, ele me deu um grande abraço e me agradeceu por estar ali. Pontuei que estava lá por ele, por nossa amizade, e que desejava alegrias e felicidades mil ao caro amigo que me recepcionava.
Seguindo o baile, pude dançar com inúmeras damas; confesso que há tempos não dançava tanto e não me divertia daquele jeito. Porém, sou obrigado a afirmar que havia senhoritas que eu nunca havia visto, e uma delas me chamou a atenção por uma beleza simples, singela demais para os padrões estéticos brutais de nossa época, fora a conexão existente no salão. Confesso que não sei o seu nome e nem irei procurar saber, pois quero mantê-la viva em minha memória como um sonho que alivia os dias difíceis atuais. Tamanha era a leveza daquela alma a girar sob minha condução que irei guardar na memória aquela dança — algo que, por algum momento, trouxe uma energia que há muito eu não sentia. Algo tão personificado em sentimento que merece o deslumbre futuro sem ao menos existir. Por fim, que lindo devaneio trarei comigo: não apenas o de uma dança, mas o de um baile nos tempos do Império em pleno 2026.
Rodrigo Horta
"O que é o sucesso?
Rir muito e com frequência;
Conquistar o respeito das pessoas inteligentes e o afeto das crianças;
Merecer a apreciação de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos;
Apreciar a beleza;
Procurar o melhor nos outros;
Fazer do mundo um lugar melhor, seja com uma criança sadia, um jardim bem cuidado ou condições sociais;
Saber que pelo menos alguém respirou mais aliviado porque você viveu;
Isso é ser bem sucedido."
Segue vida.
O mundo pode girar, girar e girar e quem sabe um dia até parar.
Nós é que não podemos parar pois o tempo é curto e vai se desfazendo cada vez mais.
Por isso, ame quando tiver que amar, brigue quando tiver que brigar, grite quando tiver que gritar, faça o que for preciso para que toda uma vida tenha sido válida.
Curta os momentos ruins também pois são neles onde aprendemos e crescemos.
A única coisa que não se pode fazer é se fechar, como se fossemos um ambiente paralelo ao mundo.
Viver é bom demais e uma vida com sabedoria é melhor ainda.
Norte
Hoje acordei cansado
Confesso que tem sido normal perante as dificuldades que o Mundo vem impondo a mim
Porém, sei que tais dificuldades são pequenas perante as dificuldades de inúmeras pessoas por este mesmo Mundo
Acredito que cada um tem sua cruz, sua perda e sua dor
Sei que tudo isso irá passar pois estados são passageiros
Ou alguém é feliz para sempre?
Além disto, acredito estar esquecendo de uma velha máxima
Resolver problemas é estado de felicidade!
Então, já que os tenho aos montes, o que me falta para resolvê-los?
Por isso mesmo, ontem parei e elenquei todos
Mostrei para mim o planejamento ideal para resolver cada ponta de estresse
Debati comigo mesmo o que fazer e iniciei sua execução
Isso é entender que precisamos estar com os pés no chão perante as situações adversas
E que quando se dá ao direito de voar por um breve momento, é exatamente quando as rédeas correm soltas e desgovernadas
Os cabelos da vida não podem escorrer pelas mãos na frouxidão ditada pelo escritor de linhas tortas do seu destino
Eis o livre arbítrio!
Sendo assim, que a execução das soluções se inicie e que caso elas venham a falhar
Que se retorne ao almaço e que se refaça o planejamento estratégico da vida
Assim, reconduzindo novamente aos trilhos, a própria alma
Seu Bem
Olha meu bem,
Não posso mais,
Estar ao seu lado,
Sou um inocente rapaz,
E sigo assim,
Que pena de mim,
Em poucas palavras,
Sou medíocre demais.
Olha meu bem,
Não posso mais,
Estar ao seu lado,
Eis aqui um casado com os pais,
E sigo assim,
Bosta de casa pra mim,
Em poucas palavras,
Sou medíocre demais.
Olha meu bem,
Não posso mais,
Estar ao seu lado,
Sou imaturo demais,
E sigo assim,
Nesta pobreza de mim,
Em poucas palavras,
Sou medíocre demais.
Olha meu bem,
Não consigo mais,
Estar ao seu lado,
Pois me amo demais,
E sigo assim,
Com vantagem para mim,
Sem devaneios,
Ser medíocre é demais!
Os erros são as melhores lições de uma vida e erramos para crescermos.
Ser privado de errar é simplesmente ser privado de evoluir!
Se você não consegue enxergar a sua vida como uma guerra, então pare de afirmar que todos os dias são batalhas!
Com ela...
Eu quero ouvir suas idéias avançadas e que elas provoquem discussões sadias. Quero sentir sua vivacidade e sua generosidade. Quero ouvir seus sonhos onde ela faz e cria coisas novas e extravagantes. Quero ouvir até os sonhos mais absurdos que ela possa ter como contatos extraterrestres, terras de vampiros e tudo mais. Eu só quero estar ali, ao lado dela podendo participar desses momentos e sendo grato por este amor existir.
Em um canto sem luz, ele parado a olhava e via o semblante de loucura que existia ali. Ela que outrora era controladora, o vendo parado sem conseguir ver seus olhos mais uma vez, sentia que a fera que existia dentro de si, hoje era dominada. A angústia dos sentimentos se perdia em um turbilhão de detalhes que estavam ali, naquele momento frente-a-frente. Um olhar escuro começava a dar lugar a luz clara que o irradiava por causa daqueles caprichos que ele tanto amava. Ao olhar sua musa ali, aos seus pés implorando seu perdão, ele sentia que nada mudaria tal situação e que aquela fraqueza, não cabia no ego que ele antes idolatrava. Ela por sua vez, não acreditava que seu amado, que a conquistara com tanto ardor, naquele momento começava a lhe igualar aos outros seres. Não para ela que tanto havia sido cortejada e desejada e que não entendia a volta daqueles sentimentos que a haviam atormentada por outros em outros momentos vividos. Ele se move das sombras na direção dela, lhe desfere um beijo e sai sem rumo definido. Ela chora agarrada ao tapete da sala se perguntando onde estavam suas súplicas de ajuda feitas em oração contra o fim daquele desalinho. Eis que a porta se abre e ela enfim consegue ver os olhos daquele que havia partido. Eram olhos de ternura e de cansaço que mostravam fardos de uma vida que se esvaia. Ele se ajoelha perante a dona de seus raios de luz e a toma nos braços. Ela fica calada e entende que ali estava seu porto, seu protetor. Aquele que poderia ter raiva do mundo mas que jamais poderia desgostar de sua dama ao ponto de partir deixando seu coração para trás. Os dois se congelam naquela cena de época e sobem aos céus como pequenos feixes de luz dentro de toda aquela escuridão que consumia todo aquele lugar, provando que não há no mundo escuridão, sombra ou pavor que possa acabar com a luz que existe dentro de cada um de nós.
Enquanto ela observava os ponteiros do relógio pela madrugada, sentada em uma cadeira de balanço com seus rolos de tricô a tiracolo, lembrava da vida e de todos os momentos que passaram como em um piscar de olhos. Lembrava das crianças pequenas correndo pela rua em frente da casa que por anos viveu e que hoje já não estão mais pois seguiram suas vidas e aparecem de vez em quando para uma visita, querendo saber mais da sua saúde do que da sua própria vida. Lembrava dos amigos, dos ainda vivos e presentes e daqueles que não estavam mais ali, para dar um sorriso, uma risada ou uma palavra de conforto. Lembrava ela dos amores que teve, alguns ruins, outros bons, outros que deixaram algumas marcas e por fim do amor inesquecível. Lembrava que tiveras em outro tempo quando a sua faceta se fazia menina, jamais dispensada seria por tão belo corpo esbelto que se tinha. Ela lembrava de tudo e tudo que a cada momento ia ficando mais distante e perdendo detalhes por tal cabeça já não ser tão lúcida, mas que com muito esforço ainda conseguia visualizar a luz daqueles dias tão bem vividos. Por fim, ela via aquele seu momento e não acreditava que o fim seria aquele, um fim solitário, sem amigos, sem amores, só. Esse sentimento entranhado em sua alma tão grandiosa mas que naquele momento se fazia pequena, prestes ao fim, a um apagar das luzes que ela mesmo não acreditava e já entregava seus pontos ao passar das horas. Eis que então ela entendeu que aquilo tudo era necessário, para que ela pudesse lutar com todas as forças para que aquela pequena fagulha que ainda existia viva não se apagasse e fosse possível ainda poder olhar o seu último nascer do sol.
Surreal e estranhamente único.
Logo vou te conquistar, talvez até seduzir. De vampiro tenho muito. Sinto grande necessidade em servir. Me alimento da sua atenção. Mas não coleciono amizades nem paixões. Como faço isso? Livro aberto é convite para ser lido. Aprendo rápido muitas coisas sobre você. Percebo no ar os pensamentos de quem tenho afinidade. Não, não sou nem um pouco manipulador. Só gosto de fazer diferença pra pessoas que me considero amigo. Não costumo passar em branco. Sempre deixo minha semente no seu coração.
Só sei ser eu mesmo. Não uso máscaras, nem conseguiria. Meu maior defeito é tentar ser perfeito. Sempre exijo muito de mim mesmo. Faço isso seguindo minha natureza. Sempre dou o melhor de mim. Costumo ser obcecado por minhas paixões. Mas nunca levo tudo 100% a sério. A vida fica bem menos complicada com senso de humor e flexibilidade. Dedico um bom tempo tentando me encontrar. As vezes dentro de mim, as vezes em outras pessoas.
Sou escravo do coração. Quando me apaixono por algo me entrego de cabeça sem medo. Quando me apaixono por alguém preciso de segurança pra fazer o mesmo. Mas acho estou aprendendo a não dar corda pro coração quando a razão mostra que não devo avançar. Meu maior hobby é me dedicar a você. Gosto de cuidar dos meus amigos e amores. Acho que não conseguiria viver sozinho, apesar de gostar da solidão. Me insiro fácil em novas rodas de amizade.
Não tenho medo do que os outros vão pensar. Não costumo me relacionar com pessoas que ainda não conheça. Não acredito que seja por falta de vontade. Talvez necessidade de segurança, alguma coisa bloqueia minha atitude. Não tenho amigos sem conteúdo. Nem costumo me afinizar com pessoas vazias ou que levem a vida no “piloto automático”. Não me incomodo em ficar sozinho por conta disso. Eu sei que na hora certa a pesssoa certa aparece. Não sou bom com relacionamentos superficiais. Comigo duraram pouco, os poucos que tive.
Gosto de ser o que sinto. Digo o que vivo e não minto. Definitivamente não sou bom com mentiras. E por isso acredito no que os que tenho como amigos dizem e não temo ou duvido disso. Acerdito na bondade das pessoas, no brilho do olhar de uma criança e nas rugas de experiência de um idoso. Estou em constante revolução interna. Não mudo meus valores, mas sempre estou lapidando minha essência.
Sou analista de mim mesmo. Pinto minha própria tela e toco a minha sinfonia. Conheci você pra te absorver, e tirar dessa amizade o melhor exemplo pra mim. E pra plantar no seu coração minha semente. Sou um pouco de cada um e cada um é um pouco por mim. Com você eu sou mais eu. Em você eu vejo eu. Então é assim! Se você não entendeu é porque ainda não me conheceu. Neste me descrevo sem pudor e sem temor. Este sou eu.
Surreal e estranhamente único.
