Coleção pessoal de RMCardoso

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FAÇO DA POESIA, NÃO UM CÁRCERE DE EMOÇÕES, MAS A TRANSCENDÊNCIA DA LIBERDADE.

BUSCA

Rio
me fiz

buscando
em
vão
o teu
mar

no afã
de ser
feliz!...

OSCILAÇÕES


Algumas
vezes -
gênio;
outras
vezes -
imbecil
e (de vez
em
quando)
louco...


Entre
lógica
e incoerência,
eu
oscilo
um
pouco.

TROVA - 114

Suponho que algum mistério
No seu encanto se instala!
Quando eu a vejo, é sério,
Estremeço e perco a fala!...

VESTÍGIOS
No terreiro
da dor
brotam
poemas
sem
vestígios
de desespero!

SEMPRE VALE TANTO O POUCO QUE SE APRENDE DO MUITO QUE O MUNDO ENSINA.

A IGNORÂNCIA É UM TIPO DE CEGUEIRA CULTURAL QUASE SEMPRE IRREVERSÍVEL.

DO CONCEITO HUMANO EMERGEM OS SINTOMAS DA LÓGICA E DO ABSURDO.

BATUQUE

Ruflam
os tambores
da reminiscência,
dançam
as emoções
em
órbita
do tempo!

Cessa
o batuque,
mas
ainda
fulgem
as cenas
no meu
pensamento!...

IMPROVISO DE AMOR

Lembro:
eu
e ela,

no interior,
detrás
do cajueiro,
quando
no porão
da noite
a lua
se escondeu,
para
não
testemunhar
nosso
improviso
de amor!...

PÉ NA ESTRADA

Para prosperar na vida
É preciso pé na estrada,
Seguir de cabeça erguida,
Ter a mente iluminada.

Se a trajetória é dorida,
O conforto é a chegada,
A colheita merecida
Da esperança semeada.

Fosse a luta o nosso ofício
De cada dia, mês e ano,
A hora nunca um desperdício;

Ah, se cada ser humano
Fizesse da luta um vício,
Não viria o desengano!...

TROVA - 113

Quando acaba, o amor deixa
Uma herança de verdade:
Quando não é uma queixa,
Deixa, n'alma, uma saudade!

TEMPO

tanto
tempo
é
muito
pouco
e nem
sempre
se tem
tempo
necessário
para
aproveitar
o tempo!

EXÍLIO

Exilei-me
das turbulências
da incerteza
e do medo,
e agora,
em
nova
dimensão,
sou
construtor
do amanhã!

TROVAS -

111

Parece que o teu encanto
Tem um feitiço qualquer:
Põe-me nos olhos um manto
P'ra qualquer outra mulher.

112

Tens apetrechos de sobra
Mas não provoques, morena,
Que vais cutucar a cobra
Com vara muito pequena.

TROVA - 110

Ela diz que não se entrega
E se mostra tão arisca,
Mas é peixe que se pega -
E sem precisar de isca.

TROVAS -

108

Quem cuida da vida alheia
Vejam só o que acontece:
A inimizade semeia
E da sua vida esquece.

109

O que se planta se colhe,
Isto sempre afirma alguém.
Mas há quem plante o mal, olhe,
Querendo colher o bem.

ESPINHOS

Parar...
dos pés
retirar
espinhos...
calçar
meias
de lona
e tamancos
de cedro...
restaurar
ideias
e prosseguir
caminhos.

TROVAS -

106

Às vezes - a solidão -
Torna-se útil companhia:
Ajuda na construção
De sonhos e poesia.

107

A saudade e a solidão
São tão amigas, ao certo,
Na alma ou no coração,
Uma d'outra mora perto.

POR ENQUANTO

Debruçado sobre a vida
Ouço passos ininterruptos
Do tempo me alucinando!

Desanima perceber
Que a tarde já declina
Sem anúncio de estrelas
Nem prelúdio de luar
Para a construção da noite.

Por enquanto, me equilibro
No topo de uma ideia,
Nas vértebras de um poema.