Coleção pessoal de Ricardossouza
Solidão, se afaste das minhas pernoites,
Dúvidas, parem de lucrar com o meu repouso,
O aperto na garganta e as dores no estômago são aventureiras na superfície das noites alheias,
Almejo cruzar a porta que transborda o que os meus olhos fechados veem,
Solução me abraça!
O perdão quando é praticado com frequência tem a aparência de um vaso que foi quebrado em pedaços e com o tempo foram colados todos os seus pedaços, desta forma fica no seu formato original, porém com muitas cicatrizes a vista.
Olhei para o céu,
Olhei para a natureza,
Olhei para as pessoas,
Olhei até para a minha cama, e só vi poesias.
Show no circo
A uma barreira entre as frustações e os propósitos,
Por várias vezes a nossa última conversa vêm se repetindo na minha mente,
Sentir falta do teu amor foi tão breve quanto a passagem de um relâmpago,
Súbitas lembranças venceram as passagens que antes eram intocáveis no passado,
Quem busca momentos de segundos não merece sentimentos autênticos,
O show no circo vai começar novamente, mais eu ignorei o convite de milhões para um palhaço só.
Duas cidades distantes,
Dois corações tão próximos,
Duas almas a perder o juízo,
Um pensamento a ser vivido.
Alma coberta de enfeites,
Ego de balão inflável,
Ausência de raro conteúdo,
Ecoa sem reflexos a essência do que foram somente exageros.
Feche os olhos, coloque suas mãos no meu corpo e sinta o meu coração,
O silêncio dos inocentes não procura respostas na voz, ele quer ser quebrado nas surpresas das sensações, quer se rebelar em cima daquilo que se revela no profundo das emoções.
Ponte dos desejos
Uma ponte foi tomada por uma neblina densa,
Em uma ponta está ela cheia de dúvidas e sem conseguir enxergar a outra ponta da ponte que está coberta por um neblina densa,
Do outro lado da ponte está ele se preparando para correr e vencer seus medos e incertezas, mesmo sem saber o que tem do outro lado da ponte ele se inspira no que viveu e acredita no reencontro,
A coragem bate mais forte para um coração e para o outro o que sobra é esperar um ato de coragem explodir depois da neblina.
O erro...
Qual foi o erro que cometemos para não caber o perdão?
As lembranças dos teus beijos me sufocam,
Alguns sentimentos são mestres em se esconder até as nossas músicas tocarem,
Eu quero um acerto de contas,
Quero o teu pescoço na minha mão e na outra mão eu quero tua coxa quente e macia,
O erro fundamental de alguns errantes é estarem longe um do outro pensando demais.
Rastro de luz
No soprar da luz, faíscas iluminaram os meus pés,
Então, veio a resistência e eu continuei a caminhar seguindo os rastros da luz.
Sou tudo...
Já fui muito, já fui pouco,
Já fui tudo, já fui nada,
As mudanças são repentinas, as pessoas passam,
No fim, sou tudo sem nada.
Metrópoles
Cidade formigante,
Céu alimentado por fumaça,
Arranha-céu rasgando a natureza,
Mentes sufocadas pelo caos,
Tempo encolhido,
Desejos espremidos,
Sonhos engolidos,
Os gritos da cidade assustam os pombos,
A cegueira da correria na cidade esconde os que mais precisam,
Os dias são férteis para uns, enquanto as noites são frenéticas para outros,
Entre sirenes e ônibus, elevadores e geradores, bares, baladas e shoppings, escolas e pátios de empresas a dança tem várias notas mas o ritmo é um só,
Ao olhar para a cúpula da igreja, lágrimas de desespero, um pedido de socorro e muitos apelos.
Encontrei o que procurava quando desisti do que escapava das minhas mãos com tanta facilidade,
Hoje é só algodão doce, brisa dos ventos na cara e leveza na alma.
Te quero inteira!
Te quero de novo, sem pressa, sem jogo,
Te quero de novo, sem medo, sem sombras, sem idas e vindas, sem choros,
Te quero de novo, sem alarme, sem celular, sem perceber quantas voltas o mundo dá,
Te quero de novo, a noite na cama de pijama saindo cedo descalça e trêmulo querendo desmaiar.
Na pintura haviam:
_ Um pântano, um barco muito pequeno, e quatro remos,
No espelho d`água dava pra ver o céu nublado, traços da vegetação e o vulto de dois corpos sujos de lama.
Na mesma pintura observaram:
_ Na curiosidade aguçada, deu pra sentir o calor na pintura, deu para vibrar com o barco jogado ao relento, enquanto dois corpos se perdiam na lama.
Doce foi o veneno experimentado inocentemente,
A água bate na rocha e ela não corresponde, mas sente,
A neve cai, o tapete na floresta é branco, o lobo ruiva sagaz na escuridão, mas a fogueira continua acesa,
A lua ficou escura por breves minutos deixando o mar agitado, depois voltou a iluminar o céu e tudo se acalmou, o rio corre solto levando os troncos secos e os podres, a coruja vigia a noite, alguns pássaros dormem, a natureza sabe se organizar,
O amor não é algo a temer escuto estes ruídos por aí, então me ensinem a viver sem medo de amar.
Por muitas vezes te vi com o sorriso da sensação do nosso início,
Por muitas vezes te enxerguei com aquele brilho no olhar e vestido vermelho do nosso começo,
As memórias vão e vêm, mas o que fica é a necessidade de resgatar o que ficou para trás.
