Coleção pessoal de Ricardossouza
O grande feito
Uma obra foi esculpida, porém não foi compreendida,
Nos traços perfeitos a identidade era expressiva,
No sorriso carente a verdade era expressiva,
Com tons de ouro e prata, foram reveladas suas riquezas de dentro e de fora,
Faça chuva ou faça sol sua imponência e representatividade estavam postadas,
Queixo e nariz apontando para a frente indicando o controle sobre o que a de ser e o que a e vir,
Aos olhos do grande público a cegueira tinha seu domínio,
No entanto, aos olhos de quem precisava ver e entender, ali estava uma grandiosa obra com sua história contada e deixada como exemplo do que foi um ser único que passou por aqui.
Fim do sono
Já vive da tua anestesia,
Já aceitei tua marca apagada e crua,
Quando resolvi levar minha vida a sério,
Passei a me afastar dos teus teatros.
Meio ambiente
As árvores choram,
Os rios sentem,
Os animais observam,
Os ventos pedem ,
Os humanos vão chorar.
Sem abrigo
Há um sentido profundo em ignorar aquilo que é tão transparente,
Nós herdamos o que representamos na memória falha do outro,
Se na história vivida não foi construído um abrigo para suportar os momentos difíceis do inverno, então o esquecimento logo vai se apoderar do que não deixou raízes,
Éramos tão íntimos, depois completos estranhos.
Não desisto!
Respirar eu ainda consigo, porém quando a noite chega o meu coração desalinha,
Guardo com carinho um resto de luz da tua alma que insiste em passar pela rachadura,
O que justamente pulsa com vigor e sem prazo definido pra acontecer é o nosso reencontro,
Mesmo quebrado e com aparência de entulho eu moro dentro daquele milagre pelo qual escrevo e sinto dor, mas não desisto de viver.
Então vêm!
Ela me viu e o destino sorriu,
Eu vejo você me acompanhando nas redes sociais,
Eu entendo os teus olhares quando te vejo por ai nas caminhadas do balneário,
Eu sei o quanto você precisa de uma demonstração,
A minha vida ainda está uma desordem, mas eu não vou deixar você esperando por mais tempo,
Antes dos teus primeiros olhares eu já queria você,
Então vêm!
Um dia eu perguntei a coragem:
_Por que eu não consigo mudar?
_Por que eu não acho o sentido?
_Por que eu não consigo olhar do outro lado do horizonte?
Impaciente, a coragem me respondeu:
_Horas bolas! Pare de pensar tanto e se movimente mais, você ainda não entendeu os porquês de estar andando em círculos e de cabeça baixa?
Dei bobeira
Te amei com os olhos,
Mas te deixei exprimir do coração,
Te quis sem medo do caos
Mas a paciência não é um hábito mental dessa geração,
Fui criança ao brincar com os limites daquilo que era encanto,
As emoções não sobrevivem muito tempo sem estruturas, pois se perdem no soprar das imaginações,
Ver sem enxergar o que realmente importa e viver de impulsos sem interpretar o que toca, trazem consequências nos caminhos abertos mas sem significados para a felicidade.
Noites a dentro
Arquiteto da noite,
Escritor da lua,
Construtor rei do silêncio,
Bússola de corações apaixonados.
No baile
O baile começou, as vibrações são muitas, mais a tua frequência é única e eu senti a tua sensibilidade,
Na dança, as tuas expressões e a tua respiração eram libertadoras, percebi o quanto a tua energia me causava desequilíbrio,
Foi muito fácil achar a tua luz brilhante no meio da multidão, o difícil foi controlar as minhas reações involuntárias que se tornaram reféns da minha consciência emocional,
Depois de uns goles a ausência da vergonha revela os milagres produzidos pela coragem,
Na canção os sorrisos cativantes são apreciados por olhares atentos, na dança colados as personalidades se encontram no mesmo mapa,
Em cada passo quente da dança, mudanças biológicas acontecem, os dois corpos unidos e munidos de sinais se alternam nos pedidos de quero mais e mais,
Irredutíveis, seguem noite a dentro sem ponderação, sem medos e sem limites.
Algodão doce
É estranho tocar as nuvens e sentir o seu doce na ponta dos dedos,
O cheiro e os formatos dão uma sensação de insanidade, pois são insaciáveis,
Não sei se entre estas nuvens me pareço um anjo ou um consumidor frenético.
Esbarrei em você num beco sem saída, então quando me dei conta já estava me afogando no mar profundo.
Não sou sem noção, ou antissocial, só preciso cuidar dos meus sentimentos elitizados e das minhas emoções seletivas.
