Coleção pessoal de Ricardossouza

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Espelho sem reflexo




Imagem distorcida,


Histórias esquecidas,


Sonhos perpétuos,


Maturidade dura.

Expostos




Raros são os desejos que não foram conquistados sem deixar alguma sequela,


Dói tanto imaginar sem ter o domínio,


Brigar no escuro é a mesma coisa que decifrar uma sombra no meio de uma caverna profundamente escura,


Voar até um sonho faz as vezes a alma se sentir livre e sem medos, porque tudo aqui neste mundo é pura essência é o mais puro despertar sem a caneta da culpa, mas sim com a precisão da lógica,


Aquilo que suga pode ser controlado, se a dívida for com a razão, então te acalma!


Agora, ser leve com as emoções exige um colete a prova de balas no coração e uma fome insaciável de viver o único sem ser devorado por aquilo que é vulnerável.

Vamos dançar!




E quando a porta fecha, as palavras andam em curvas no desfiladeiro da possessão,


Admito sofrer de um leve desvio entre a verdade e a negação,


Outro dia vi uma árvore a beira de um rio observando a força de sua correnteza com atenção por horas, ali ela percebeu que tudo tem seu tempo para acontecer tanto na revolta quanto na calmaria,


Cada experiência tende a nos despertar para um chamado diferente e cheio de emoções,


O que nos permite ressignificar a nossa história é saber acessar o nosso passado buscando luz e inspiração para se apaixonar pelo novo com sabedoria e reciprocidade,


Então, vamos dançar no labirinto sem repetir os mesmos passos e que o encantamento de cada momento nos faça abrir as portas certas da nossa curiosidade.

Quer saber!




Da janela, a vista do crepúsculo é insana,


A noite foi de sonhos aventureiros, agora os pensamentos são selvagens,


Uma queima de fogos refletem as margens do rio imaginário,


Alheio as ausências os olhos sabem brindar com os sentimentos levando os dramas na brincadeira,


Quer saber!


No fundo, no fundo o destino pode pegar leve se a saudade virar liquido de vez em quando, ou se na escala richter a magnitude do impacto de amor integral for 9,5.

Faroeste da dor




Clima seco e tóxico, palavras duras e promessas em vão,


Cavalos agitados, chapéu fora da cabeça, garrafas jogadas ao chão,


Olhares desconfiados, respiração trancada, mãos acompanhando os movimentos de risco,


Gritos na varanda, sorrisos dos chacais, embaixo do sol ardente uma cegueira repentina esconde o olhar triste de dois corações vadios,


No saque rápido um caiu e alguém ficou de pé com as lágrimas molhando as suas botas,


Na última olhada para trás um corpo continua caído, mas sua alma é vista vagando seguindo em sentido contrário,


A garrafa foi aberta, o veneno foi derramado, trágico momento de um duelo sem vencedor.

A travessia




Um corpo foi forjado nas cicatrizes do vazio e no silêncio das emoções,


Ao tentar caminhar sentiu sua respiração fraca e seu corpo desfalecer com a perda do vermelho que da cor a alma,


O duro golpe de não reconhecer mais os próprios sentimentos nas linhas do passado deixou a sua história perdida no tempo,


A distância de um oceano a cura para aquele com o coração transformado em gelo o vigiava através da lua,


Decidida a resgatar um sonho que não se apagou, ela lutou com seus demônios, desbravando territórios jamais pisados antes enfrentou os seus medos e vibrante invadiu uma colmeia nas montanhas altas em busca do mel mais puro para que pudesse despejá-lo no coração de gelo do seu amado,


Após atravessar o mar congelado, e sofrer duros golpes na sua corrida desesperada , ela então conseguiu derramar o antídoto a tempo naquele coração que um dia jurou ama-lo para sempre.

Atos:


Primeiro ato:


_ Olhe e pense é ela.


Segundo ato:


_Não se acostumar com o pouco e gerar um mundo novo a cada dia para ela.


Terceiro e último ato:


_Faça do amor delirante as suas moradias.

A estátua de ouro




No dia cinco de novembro as minhas mãos pousaram nas tuas e tu conhecestes a minha melhor versão a partir dali,


Eu perdi o medo de conhecer o amor, perdi o medo de admirar as estrelas conversando com a lua sobre os nossos dias,


Em cada memoria de nós dois eu consigo reconhecer a tua habilidade de esculpir de uma simples pedra uma estátua de ouro,


Poder tocar no meu próprio coração e entender o impacto de suas batidas foi um presente, uma dádiva que a tua existência genuína me deu,


Quando eu olho para a ultima linha do mar, ou para a serração cobrindo o cume das montanhas ou quando eu vejo a fumaça do jatinho no céu, eu sei aquilo que tem que ser, eu entendo aquilo que é, e eu sei aquilo que será, porque você tem me dado a oportunidade de viver o impossível, tem me dado a oportunidade de viver o incrível.

Na arena




O medo tem tamanho e autoridade, no seu histórico pode até invadir os sonhos esquecidos,


Já algumas questões são cobradas impiedosamente pela dor que é o agiota do tempo,


Quando se trata de mais uma identidade revelada é um sinal de que mais um coração solitário foi exposto as sombras da caverna sem esperança,


Esse cenário só muda quando os aplausos na arena silenciam e o medo de cair perde fôlego,


Não precisa ter armadura de ferro e nem uma espada bem afiada para alcançar o que realmente te importa,


Não desvie o olhar, não se perca nas palavras, os gestos bem executados domam feras, eles rasgam caminhos perdidos no meio da encruzilhada,


O que sangra, cicatriza e vira marca da ilusão desnuda quando esbarra no propósito.

Perturbador e puro




A tua voz ainda é música, ela preenchi,


Se esconder no jardim do talvez foi uma doce mentira de outras próximas vezes,


O intenso é perverso e se deixa escapar quando o impossível repousa,


O tentar desistir apenas ensina "que aquilo que não volta é porque nunca foi seu",


sendo assim, no amor a confiança tem um ritmo perturbador e puro.

Palmas para o artista!


Uma salva de palmas para o salto dado em águas profundas por aquele que não sabia nadar,


Submerso num mar oculto e repleto de segredos me agarrei a boia enigmática da ilusão enfrentando os medos bem como jogando com os riscos e assim subi em direção a luz que brilhava além das águas,


O canto da sereia queria me manter preso nas profundezas, mas um álbum de fotos revisitou a minha mente admitindo que as tentativas e erros já haviam sido esgotadas transformando-se em poeira,


Quase esqueci de mim de tanto esperar que o insuficiente desejo de amar jorra-se pedaços de nós com a essência da razão.

Muito além dos sonhos,


alinhado com o infinito,


nos vagalumes do pensar,


na boca molhada do sentir,


juntos, juntos, juntos...

Na sombra...




Sol escaldante, ventos uivantes,


na sombra da árvore gotas de paz caem juntamente com as folhas secas,


um pensamento empoderado controla a respiração deixando a vista turva e os lábios secos,


no açoite da paixão o orgulho foi ferido, mas na lapidação das decisões sobre o valor do caráter o sofrimento torna o homem sábio,


na sombra da árvore gotas de paz caem dando sentido e direção ao novo rio que nasce.

Covardia do tempo




Valeu ser feliz ao teu lado,


a sensação foi de pura magia acontecendo por todos estes oito minutos,


só agora percebo que tudo aquilo foi vivido em oito anos.

Único rosto




O que um dia foi o mínimo, agora virou as melhores confidências,


O inacessível grita por um propósito que hoje em dia está indisponível,


Uma alma cheia de querer silenciosamente carrega no lugar do coração um colar cheio de impressões digitais daquela que foi sem saber que ainda está aqui,


Uma borboleta cai lentamente de uma grande árvore flutuando com sua beleza e leveza, ao tocar no solo sua magia acontece e ela brilha ao renascer cuidadosamente como uma rosa,


Esbarrei em alguns copos de vinho, logo, mais uns quatro pensamentos foram guardados na biblioteca que carrega um único rosto.

A rendição




De joelhos a rendição foi covarde,


Na podridão da futilidade a água suja era servida, mas as suas taças quebraram ofuscadas pelo brilho perpétuo do pecado,


Um grito muito forte umedeceu a sala fria e despertou a inquietude de um corpo teimoso, preso na melodia da recusa,


Na promessa quebrada a confissão veio como canção melancólica e de sabor agridoce,


Quem não soube dividir o mundo comigo, jamais poderia ter levado o meu coração junto a si.

As estrelas não mentem




Ao anoitecer a imaginação desperta com ares de dona do tempo,


pois sabe passar silenciosamente por todas as estações sem ser vista e tocada,


mas com uma habilidade sensitiva descomunal e quase beirando a realidade no espectro do sentir.

Mitigar ou postergar...




Dei passos na direção errada e depois sumi, talvez tenha sido estratégico,


Na linguagem dos cegos de amor eu evaporei de um lugar para renascer em outro,


No outono eu vi as folhas caírem das árvores e de tanto olhar para elas eu tropecei e cai, mas quando me levantei já era o inverno,


O amor, um apelo ou um apego, a consequência ou a responsabilidade?

Conexão que arde


Tentar esquecer uma conexão que arde é a mesma coisa que cutucar a saudade com a distância,


Um coração casca grossa é sensível a insistência do retorno, porque as ideias opostas não se separam com tanta facilidade,


Através do choro as noticias chegam sobre você e elas deixam marcas nas lembranças, então começo a montar o quebra-cabeça na linguagem do amor que apenas nós dois conhecemos,


E independente do que os meus olhos veem como arte o meu coração está preparando em silêncio na certeza do que nunca deveria ter acabado.

Na minha versão passada foram trilhas com pedras e rachaduras,


Depois da vulnerabilidade vieram os sentidos e o caminho,


No projeto atual só permito a perfeição.