Coleção pessoal de Ricardossouza

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Madrugadas de emoções




Somos substituíveis, porém as emoções vividas juntos não,


É nas madrugadas que os fantasmas vêm nos tirar dos nossos abrigos e quando vão embora ainda deixam lembranças no casulo,


Ignorar os gritos da solidão me tornou um colecionador do silêncio,


Ecoa no decreto do acolhimento a ilusão de banir os secretos tormentos,


O quão vazio uma pessoa pode se sentir sem ser avisada antes dela atingir o seu limite?


O compromisso silencioso de se cuidar requer uma vitrine de alívios, princípios e profundidade,


As madrugadas são nossas, as emoções são nossas, as decisões e as respostas também são nossas.

364 dias




Foram trezentos, sessenta e quatro dias buscando pessoas, oportunidades e significados a troco de que?


Na quietude da noite, a luz simples da vela foi o suficiente para espalhar pensamentos e devolver valores,


Renovar as esperanças para poder habitar no presente com a contagem regressiva para ressignificar no futuro próximo.

Destino implacável


Na busca de um norte, passos foram dados sobre o gelo e sem piedade o destino foi implacável,


Laços que se rompem, olhares perdidos na neblina, dias esquecidos nos juramentos em vão,


O uivo do lobo solitário é ouvido e a distancia a presa sente na alma o frio da sua derrota,


Vencer as quedas, a ausência e a crueldade das palavras deixadas sangrou os gritos do desespero, no entanto foi o suficiente para aquecer o abrigo forjado no silêncio,


No retorno, a jornada pela sobrevivência matou versões antigas, superou marcas e limites e apresentou na ponta da lança o reembolso do tempo.

Coragem!




A cada vez que te via entrelaçada com outro alguém nas sombras dos prédios as lágrimas falavam mais que palavras,


Quantas horas foram guardadas dentro da caixinha de surpresas sobre nós que nunca chegaram a acontecer?


Prisioneiro da fonte dos desejos sem ação, abracei o pão amassado do faminto solitário,


Quando ouvia a tua voz pelos corredores do condomínio uma cura momentânea tomava conta de mim abatendo o duro golpe de um fugitivo da realidade,


Pegar nas tuas mãos e falar o que penso é o caminho a ser trilhado e mesmo que nada aconteça como imaginado amanhã voltarei a ser um adulto em liberdade pulsando em cima do vazio do esquecimento.

Entorpecidos


Cores espalhadas sem o reflexo do sol,


Uma multidão usando máscaras caminha em círculos,


Pecados sem culpa vadiam sorridentes,


Nos movimentos desconectados um duro golpe,




Na mudança violenta, um abismo de questionamentos,


O vento sopra o incerto, brutal é a melancolia,


Embriagados de uma realidade insana muitos bebem e se divertem,


Sólidos são os sonhos das crianças, sábios são os cheios de esperanças que resistem mesmo enxergando a fenda aberta.

Exposto


Temido por brigar,
Tentado pelo saber,
Destemido no pensar,
Faminto pelo entender.

O canto da sereia




O canto das sereias acalma as ondas do mar,


O canto das sereias causa ilusão profunda nos homens,


O canto das sereias foi ouvido e aplaudido pela lua e então ela deu vida ao brilho das estrelas,


O canto das sereias ao mesmo tempo que trás paz e oferece sua luz, ele cega e trás o caos de um jeito sínico e malicioso.

Escravo do destino




O campo, o mar, a casa com chaminé e duas cadeiras postas na direção do horizonte, mas apenas uma está ocupada,



O medo as vezes se comporta como o guardião das madrugadas silenciosas,


Em meio a grande perda encontrei no céu nublado o peso das lágrimas que timidamente insistiam em não cair,


Rasos desejos, raros momentos, asas na superfície não dão âncoras a profundidade,


Sentado na cadeira a beira mar olhei fixo para o oceano e de tanto olhar vi que você deixou rastros de sentimentos espalhados pelas ondas,


Na minha penitência moral já escrevi mil cartas com pedidos de perdão e as lancei no mar para que através de garrafas navegantes elas pudessem chegar aquela que um dia foi minha e jurou não ser de mais ninguém.

Sonhos não dormem




Quando eu olho para o futuro distante ainda me vejo caminhando com você,


Desejar é o primeiro passo para realizar,


Uma metade de mim abraçou o passado, a outra metade já vive no futuro, mas o meu tempo presente ainda é uma incógnita,


As memórias estão acesas e os sonhos não dormem eles pulsam firmes,


O ônibus tem um assento vazio a espera e pronto para seguir viagem.

Engatinhando...




Foi engatinhando que eu aprendi a amar.


Descobrir o poder transformador desse sentimento me apresentou novas perspectivas sobre a vida, sobre o mundo.


A momentos sobre o inicio dos acontecimentos que são totalmente velozes e vorazes e vão desde os instantes do engano, passam pelo breu das adivinhações e permeiam até os acolhedores conchavos da segurança, tipo aquele abraço quente no meio do inverno congelante.


Quando a vida começa a contar as suas próprias historias de amor , ela encontra uma criança vivendo seu melhor momento no espaço/tempo de cada brincadeira oferecida por esse tão sensível aprendizado.

Há momentos na vida pelos quais temos a sensação de uma derrota ancorada, mas esses momentos também podem servir de inquietação e base para o nosso próprio crescimento futuro se soubermos acompanha-los com o olhar clínico.

O que já era de se adivinhar aconteceu e vivendo por um tempo na perda eu me reencontrei .

Tocar o céu


Eu já te disse adeus, mesmo sabendo do sentido contrário que os meus olhos e minhas mãos tomaram,


O amor, um mistério,


Te amar, uma anestesia delirante,


Por todo esse tempo juntos tu tens me dado de presente a sensação de viver como se fosse no nosso início, com aquela sensação de êxtase, de atingir o nirvana, sempre procurei você nas multidões e cada vez mais entendo o porque de estarmos juntos,


Um molde da felicidade foi feito e ele tem peso, pertencimento e continuidade,


A tua habilidade de me fazer tocar o céu sem tirar os pés do chão é um segredo, uma magia que só você tem.

Sobras da paixão


Quadros são pintados em telas de vidro, de poeira e de algodão,


No detalhe do pincel cores vibrantes e ricas são expostas no quadro de algodão, na estação de verão e da primavera,


No reflexo integro e saudoso dos momentos singulares a exposição de outono foi pincelada e muito aplaudida no quadro de vidro, porém no final faltou brilho,


Então, chegou o inverno, e o que parecia gritar sem vida na tela foi ganhando forma, as gotas de lágrimas que caiam do pincel pousavam como neve densa tomando conta da imagem,


Nas sobras da paixão, o pincel foi se desfazendo aos poucos transformando o quadro na poeira do esquecimento.

Deusa da solidão


Na ilha no meio de tantas outras ilhas perdidas no meio do oceano, existe a Deusa dos ventos que batem sem direção,


Os sons que se reproduzem de acordo com a temperatura ou através dos movimentos que não se podem ver são frenéticos assim como os do mar quando batem nas paredes de corais,


Um mundo fantasioso se cria no crepúsculo bem como a realidade tão esperada se oferece como uma miragem,


Duros são os golpes dias após dias da lua no sol e do sol na lua e nessa rotação frequente sem vencedores o perdedor é o telespectador que assiste ansioso sentado observando juntamente com a Deusa das ondas e desse horizonte,


Os pássaros cantam, a cachoeira flui, as estações vão e vêm, mas a caverna é silenciosa e escura, sem sombras e sem pena,


Na ilha perdida em meio a tantas outras o mar em volta é profundo, os quatro ventos sussurram e o corvo é o vigia da insônia e da dor,


A coragem pode vencer o medo, navegar no intenso talvez seja um caminho,


Na ilha, o farol esta aceso, seis galhos secos e uma corda estão jogados na areia a três metros do mar, a escolha entre o afundar ou o afrontar é tua.

A carta




Com pavio curto uma carta foi escrita,


Em suas poucas linhas o pecado recente foi exposto,


Dois amantes um dor, duas almas frente a frente de um espelho com imagens distorcidas,


Na colisão das promessas do passado com o presente uma densa neblina era a visão do futuro,


Uma carta foi escrita, linhas em branco são deixadas para trás e na falta de folhas o fim reage com discrição.

Amor soberano




Nasceu no berço da intensidade,


Floresce criando vínculos,


Dá frutos desde o perdão a sinceridade,


Vive no íntimo do equilíbrio e na vazão da necessidade.

Como seria ?




No véu da razão o ciclo da saudade entoa sua melodia,


Nas lembranças a nostalgia,


Nas lágrimas, autonomia,


Na cumplicidade da inocência, a curiosidade de como seria se...

Foi de coração quando pedi para lançarem aquela música no rádio,


A matemática é simples, quem planta coragem colhe alguma riqueza da ação e nesse progresso a conexão cria raízes.

Quanto menos eu decido, menos eu me tenho.