Coleção pessoal de ricardo_ferraz_1
Excesso de amor é quando o coração sai de dentro do peito e passa a bater do lado de fora, como se fosse o corpo quem morasse dentro.
Ricardo F.
O tipo de amor que a gente espera encontrar na vida, não é aquele amor que nos vista como se tivesse sido feito à nossa medida, como se o corte da costura fechasse cada parte de nosso corpo na mais perfeita exatidão. Não precisa ser bonito, não precisa de príncipes, às vezes há muito amor nos sapos. Não precisa de castelo, não precisa de ser um conto de fadas onde tudo se transforma em flores, abóboras em carruagens, ratos em cavalos, e com uma varinha de condão, num passe de mágica, você se transforma numa princesa com sapatinhos de cristal. Não precisa ser um romance com tudo certinho no lugar, onde o Felizes para Sempre fecha a última frase. Não precisa ser correto, só precisa ter verdade, ser de verdade pra ser chamado de amor.
Ricardo F.
Amor? Bem... amor é quando um coração se flagra sorrindo, dentro da menina dos olhos do outro.
Ricardo F.
"O canto dos grilos."
Eu me lembro bem do canto dos grilos do lado de fora, enquanto a lamparina bruxuleava em cima da mesa. Meu avô, sentado numa cadeira na porta, cansado do dia, observava os vaga lumes que cintilavam o breu da noite. Sussurrava com a língua encostada na parte de trás dos dentes da frente uma canção que não existia, disfarçando os pensamentos por onde quer que estivessem. Era um banco comprido, de madeira antiga, já todo alisado pelo tempo. Me lembro de minha avó sentada na ponta com minha cabeça no colo. Passava as mãos pelos meu cabelos fartos procurando piolhos, e me espantava naquela luz amarelada de tão fraca, como ela conseguia encontra-los só com as pontas dos dedos. Meu avô se levantava da cadeira, e o barulho das tábuas do assoalho rangiam aos seus pés. Abria o pote de barro, pegava a caneca, e mesmo de longe eu ouvia o barulho da água descendo por sua garganta, depois voltava pro lugar, se sentava e voltava a sonhar com tudo que já tinha. A vida te leva muitas coisas, as pessoas se vão, mas a vida não leva as lembranças. E a minha vida ficou ali, grudada naquele espaço de banco, e volta e meia eu volto lá, toda vez que eu ouço o Canto dos grilos.
Ricardo F.
A gente comete sempre o mesmo erro de se apegar àquilo que o coração um dia aceita, e quando é preciso deixar ir embora, a porta não abre.
Ricardo F.
Eu fiz café, deixei o bolo em cima da mesa, mesmo sabendo que não toma café e nem gosta de bolo, mas sabe, eu queria mesmo é que soubesse que nada mudou, que a casa sempre foi a mesma. Não tirei nada de onde estava, até a sua caderneta ao lado do telefone do jeito que deixou está lá, no mesmo lugar, esperando você busca-la. Na verdade, tudo ainda tem seu cheiro, em tudo ainda há partículas de suas células vagando nas coisas; no controle remoto, na escova de cabelo, nos interruptores, na taça de vinho que você gostava de tomar suco mas preferia Coca Cola, Até sua escova de dentes ainda te espera, seca, limpa, nem o gosto da sua boca ficou nas hastes. Seu vestido de festa eu pus no sol pra tirar o cheiro de mofo, encontrei um fio castanho de seu cabelo grudado nas costas, o pus contra a luz, e pude ver que as pessoas se desfazem, se desmontam aos poucos, mas que o vazio que fica por dentro quando fazem falta é muito maior do que a perda de partes do corpo. Só queria mesmo que entrasse devagar, em silêncio, não dissesse nada, mas antes de ir, que me olhasse nos olhos e soubesse o quanto ainda se cabe dentro deles.
Ricardo F.
Acho que todo amor tem um pouco disso; no começo nos perdemos nas nossas vontades, nossas pretensões, na falta de credibilidade até mesmo naquilo que sentimos, afinal, o amor é muito fácil de ser confundido com desejo, com a paixão, com coisas que por vezes tentamos suprir dentro da gente por uma relação que não deu certo no passado. Mas depois, com o tempo, a coisa se refina. A mente é uma peneira de tudo aquilo que o coração da gente enxerga primeiro, e o que sobra, o que verdadeiramente fica é amor. A coisa se aquieta, se acalma, e definitivamente se orienta dentro daquilo que realmente vale a pena ser vivido. O amor não é só uma palavra bonita que todos nós acreditamos ser plena e pura. O amor também é uma descoberta de verdades que existem num lugar dentro de nós, e que muitas vezes passamos a vida toda sem conhecer. Se sou todo amor? Tudo bem, até sou sim. Se gosto do barulho que o amor faz? Amo sim, sem vergonha alguma de assumir. Porém, também admito, amo quando o coração se aquieta e descobre que não precisa de guerra pra se ter um amor em paz. O segredo, é saber onde ancorar o seu amor no lugar certo.
Ricardo F.
Que sua noite seja intensa. Que não te falte alegria, amor, cumplicidade, muito menos a capacidade de se enxergar em tantos sonhos, enquanto observa estrelas.
Ricardo F.
Se lembre sempre que o amor é a chave mais importante da sua vida, sem ela a principal porta não se abre. Sem usá-la, não adianta nada ter vindo até aqui, você só será mais um perdido no mundo com uma chave tão poderosa nas mãos, mas sem serventia alguma.
Ricardo F.
Tem horas que a gente engole a dor, engole o choro, engole aquilo que não se engole, pra não ser injusto. Às vezes não é fácil ser gente. Às vezes, pra ser gente chega quase a ter que ser irracional.
Ricardo F.
[...] e algumas vezes até acho que tua ausência é como aquele bilhete pregado num imã de geladeira, como um lembrete do quanto tua presença me faz falta.
Ricardo F.
Nunca pensei que gostaria de alguém assim algum dia na minha vida, até teu sorriso bater de frente com meus olhos, e bum. Acidentes, my darling, acidentes. E acidentes não se evitam, acontecem
Só passando pra te lembrar que você vai morrer um dia, tomara que sua vida seja longa, assim como espero a minha, mas um dia a gente vai, e pode ser hoje mesmo antes do fim do dia. Portanto, viva bem o que te foi dado, não guarde rancor, mágoas, não deixe que as palavras apaguem sua luz, mas também não apague a luz de ninguém, deixe que cada um conduza a sua vida como achar certo conduzir, apenas faça a sua parte.Tenha mais paciência, mais solidariedade, mais empatia, disposição em ajudar, estamos todos no mesmo barco, e ninguém sabe da carga emocional que o outro carrega. Tenha mais interesse por si próprio, sorria mais, esqueça um pouco os problemas de trabalho, as dificuldades do relacionamento, se agarre mais à você, deixe que as pessoas te vejam como você é, não se maquie tanto nas redes sociais nem na vida, não faça de sua existência uma mentira, porque você é a única pessoa que pode te julgar, a sua consciência é Deus te dizendo até que ponto você está certo ou errado. Não subestime você mesmo. Você tem a força necessária pra ser quem você quiser ser, como também é responsável por tudo aquilo que cria, por isso não se vista de coisas que você sabe que não é, a vida é rápida demais para a desperdiçamos com tantas futilidades que nos são oferecidas, com tantas ilusões prometidas e julgamentos sem sentido. Perca o medo de dizer quem é, a que veio, o que quer encontrar, e se ainda não encontrou, se ainda não descobriu, uma hora ou outra as coisas se viram à seu favor, e tudo se ajeita. Viva, faça o hoje valer a pena, mas jamais engula suas raízes, não se esqueça nunca dos seus pés descalços, de seus calçados divididos, de seus cabelos desgrenhados, das roupas emprestadas. Seja sempre a mesma pessoa, e, se acaso sua vida estiver em outro nível, em outro patamar, seja feliz e agradecido, mas jamais se esqueça que outros ainda não chegaram ou não chegarão até onde você está, portanto, é você quem precisa entender que não pode se esquecer de quem já foi um dia. Você não é responsável pelo que as pessoas são, mas deve ser consciente de quem você é, ou de quem um dia já foi. Então, gratidão é a palavra do dia, e que a humildade te faça companhia enquanto você existir.
Ricardo F.
Eu sempre gostei deste seu abraço sincero. E olha que são raros os abraços que se podem dizer que são sinceros nesta vida. É que o seu vêm de dentro. É o tipo de abraço que aperta o peito sem machucar, e o mundo todo abre os braços para mim naquele momento. Abraço bem-dado é afago na alma. É contentar-se com pouco, quando o pouco que recebo é muito mais do que esperava. O calor que se troca e que tanto aquece, queima as distâncias, e a alma fica exposta numa troca boa de energia onde os corações se encontram. Abraço de urso, que seja este o nome correto, não sei. Mas se for sincero o abraço, ele se dá até com os olhos, se a vida algum dia arrancar-lhe os braços. Abraçar a quem se gosta é querer sentir-se um só, na mais completa troca de carinho simultâneo. Eu gosto deste teu abraço dengoso pedindo meu colo. Gosto de me abrigar em suas asas. Gosto deste aconchego de saber que ali encontro paz. A paz que me cabe é a mesma que nos cabe dentro de nosso abraço.
Quem te gosta de verdade, moça, gosta não apenas de ti, mas também se ama pelo simples do fato de gostar de ti. Gostar de alguém de verdade tem de vir de dentro, é aquela coisa que vêm queimando de dentro pra fora. Tem de vir com a doçura de amar você como se amasse a si mesmo.
Ricardo F.
Fico tão feliz quando vejo você, meu coração fica parecendo com uma escola de samba em plena Sapucaí. Saem confetes dos meus olhos, ouço os repiques da bateria, o ritmo do enredo batuca em harmonia. Se enche de cores meu mundo, me encho de cores do dia. Acho que nem todo carnaval termina numa quarta-feira de cinzas, alguns carnavais seguem por fevereiros afora, marços afora, abrís afora, maios afora, meses afora, por anos afora. Acho que tu vai ser sempre um carnaval na minha vida, sempre parte da minha folia.
Ricardo F.
Às vezes a gente fica triste, de uma tristeza melancólica, meio amarga. Um baixo astral que nos deixa perdidos, vazios e ao mesmo tempo tão cheio de coisas e dúvidas, que acabam sufocando. Meio que sabemos de onde vêm mas não compreendemos o porquê que elas ficam ali, incomodando, nos tirando pra dançar, quando o que queríamos era apenas ficar sozinhos, quietos. A vida nem sempre é fácil, às vezes, perdemos o prumo por mais conscientes que somos, por mais seguros, por mais bem resolvidos na vida, não adianta, uma hora aparecem, e isso prova o quanto humanos nós somos. Não tem ninguém que ajude, porque no fundo, algumas coisas são nossas, nos pertencem. A gente se envolve, se abraça, e segura a onda sozinho, mesmo sabendo que se quisesse não adiantaria pedir socorro, porque não tem ninguém melhor do que nós mesmos pra resolver o que tanto nos abala, só nós mesmos para saber onde está o calo. Há algumas tristezas que vem de longe, vêm em forma de sensações ruins, elas vêm de tão profundamente de dentro da gente que nos assustamos quando entram em erupção. Há algumas dores que sempre vão existir, e vez ou outra elas vão voltar, vão reaparecer na nossa vida, e sempre vai ser assim: A gente se fecha, se resolve, empurra elas pra baixo de novo e segue, como deve sempre ser. Como sempre há de ser.
Ricardo F.
