Coleção pessoal de Raimundo1973
Reações, conflitos, dilemas e problemas surgem a cada instante, mas sigo com a certeza serena que dias melhores sempre virão.
A procurar sentidos entre motivos e insensatez,
vivo uma tortura silenciosa, amordaçado,
sem carrasco, sem sentença,
preso numa cela sem grades,
onde a justiça não me condena,
mas o amor me aprisiona.
Tudo isso por não estar contigo,
deusa sublime que governa meu coração,
rainha do desejo,
minha única salvação.
O tempo estagnou na esperança do nosso encontro, linda mulher.
Sigo na tua procura, guiado pelo desejo de viver contigo o amor que o destino nos reserva.
Escandalosa, devassa, rainha da tentação,
explora a inocência com sorrisos de sedução.
Desejos furiosos, impulsos sem direção,
ama sem compromisso, é furacão em combustão sugando o melhor desejo de cada mortal.
Bruxa selvagem
corre nos olhos,
derramando feitiço cativante
fez de mim teu escravo obediente.
Escolhes o alvo sem palavra,
sem razão,
apenas pela vaidade voraz,
pela luxúria que inflama
o ego explorador sem nenhum reforço.
Um desafio, um desejo,
com vontade de vencer,
sonhar contigo, Cleópatra misteriosa,
é barganhar com o tempo
um novo acordo com a felicidade.
Nasce, renasce o encanto
de estar ao teu lado.
Um sonho bonito,
uma magia que se faz vida
ao viver contigo,
feiticeira linda.
"Na vida, tudo nasce, constrói e se edifica,
mas encontra seu fim inevitável e silencioso.
Tudo passa depressa, correndo, escorrendo,
como água num ralo que leva para outro tempo,
onde nada permanece igual,
e o que era, já não é mais.
Posso estar morto por dentro, vivendo por fora o pior caos da vida, mas jamais decepcionarei o melhor de mim, meu caráter moral.
Quem soma o próprio tempo aborrece o horário; veste uma carapaça de ilusão fingindo não reconhecer as atividades que o condenam.
A aceitação do necessário silencia a inquietude que não partilhou da ignorância insana, no diálogo aberto, a máscara confunde o tolo, que não reconhece o sábio.
O bom da vida vivida é seguir sem entender o progresso do tempo, pois quem somos nós para aborrecer os dias, se a cada amanhecer a vida se renova em silêncio.
A guerra é a ignorância armada, nela, caem os guerreiros que não têm opinião própria, quem marcha por ordem do general, atropela e sacrifica o que há de mais nobre: o caráter moral.
Quem não observa as nuvens passando no céu, não conhece as passagens da vida, são quadros que se pintam a todo instante, tendo o céu como moldura.
O choro não consola os olhos em lágrimas, nem acalma o coração em lamento, as lágrimas sofridas carregam um valor sentimental, enquanto o coração ferido veleja num oceano sem porto seguro.
Foi então que entendi:
nada vem, nada prossegue,
sem a mão do céu conduzindo
cada passo da minha direção.
O céu, em silêncio,
tomou minhas dores nos braços,
aliviou meus ombros,
me ergueu com ternura e compaixão.
O que não me pertence, não acolhe,
não aquece em dias frios.
A ajuda vem do alto,
quando o peso me dobrava os joelhos.
Há dias que reluzem, mas não vejo o brilho,
recolhido na sintonia de um mundo engessado.
A reprise da vida não está no ar,
estou morto, vivendo uma transição,
fugindo da alegria,
longe da realidade,
perto do sacrifício.
Amei sem abrigo, me entreguei sem guarida,
e no recanto da alma, só encontrei a ferida.
Vazio me abraça, a solidão me anuncia,
sou sombra esquecida na luz do teu dia.
Tô pensando em você, na busca cega do amor,
perdido entre incertezas, grito teu nome sem cor.
Mas você não ouve, não responde à minha dor,
sou eco no vazio, sou ausência sem sabor num pântano esquecido.
